O Governo brasileiro avalia destinar parte de suas bases de dados estratégicas à futura nuvem soberana, ao mesmo tempo em que amplia a capacidade de Serpro e Dataprev, segundo declarações da ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, ao site Tele.Síntese.
De acordo com a ministra, a nova infraestrutura não deve concentrar todos os dados federais nem substituir por completo os serviços de nuvem atualmente utilizados pelo governo. Dweck afirmou que o objetivo é reservar a solução brasileira para informações cada vez mais sigilosas e estratégicas, como dados tributários e de saúde, enquanto conteúdos ultrassigilosos tendem a permanecer sob guarda dos próprios órgãos.
A ministra disse ainda que grande parte da estrutura de dados que o governo vem integrando e catalogando deverá ser direcionada à nuvem brasileira, embora não em sua totalidade. Segundo ela, a estratégia de soberania digital evoluiu em três etapas — soberania de dados, soberania operacional e soberania tecnológica — partindo da preocupação com a localização física das informações até o atual esforço para ampliar o domínio sobre a tecnologia empregada.
Dweck ressaltou que contratos com fornecedores internacionais, como Huawei, Microsoft, Oracle e Google, não serão encerrados de forma imediata, já que o governo pretende manter camadas distintas de infraestrutura conforme o grau de sensibilidade dos dados.
Sobre a capacidade das estatais, a ministra afirmou que Serpro e Dataprev, que tinham capacidade ociosa no início da atual gestão, hoje operam próximas do limite, o que motivou a construção de um novo data center em Brasília, com investimentos da ordem de 1,8 bilhão de reais. Novas etapas de expansão ainda serão detalhadas pelas próprias empresas. Dweck mencionou também a intenção de ampliar o acesso a essa infraestrutura para estados, municípios e universidades.
Por fim, a ministra citou a aquisição de supercomputadores como parte da política de soberania digital, argumentando que a falta de capacidade computacional no país frequentemente obriga empresas e instituições acadêmicas brasileiras a processar dados e treinar modelos de IA no exterior.
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