A expansão da inteligência artificial na América Latina tende a ser limitada menos pela demanda, considerada elevada, e mais pela capacidade de fornecer energia, ampliar a infraestrutura elétrica e viabilizar novos investimentos, segundo matéria da CNN Brasil. A conclusão é da Moody’s Ratings, que aponta Brasil e Chile como os países mais bem posicionados para liderar esse avanço, apesar de entraves regionais em inovação, qualificação profissional, regulação e capacidade computacional.

O estudo indica que a disseminação da IA deve estimular investimentos em data centers, transmissão e geração de energia, fortalecendo o setor elétrico. A agência afirma que o ritmo de expansão dependerá da oferta de energia firme, da capacidade de transmissão, da clareza regulatória e do acesso a financiamento. Embora a região disponha de abundantes fontes renováveis, a implantação enfrenta filas de conexão, limitações da rede, atrasos no licenciamento e cortes de geração em áreas com forte produção renovável.

A Moody’s estima que a América Latina tenha cerca de 2.340 MW de capacidade instalada em data centers, com crescimento anual entre 15% e 20%. O Brasil concentra 49% desse total, seguido pelo México (27%) e pelo Chile (9%), o que o consolida como o principal polo digital da região.

A agência avalia que a IA exigirá estruturas muito mais intensivas em energia do que as dos data centers tradicionais, o que pressionará as concessionárias de geração, transmissão e distribuição a ampliar os investimentos. As transmissoras devem ser especialmente beneficiadas pelos leilões necessários para conectar novas fontes renováveis e atender ao aumento da carga.

No Brasil, esse movimento já está em curso: nos últimos dois anos e meio, a Aneel e o Ministério de Minas e Energia licitaram mais de 60 bilhões de reais em projetos de transmissão.

A Moody’s avalia que os efeitos da inteligência artificial na América Latina não serão uniformes entre setores e empresas. Segundo a agência, companhias de maior porte e com maior acesso a capital devem concentrar os principais ganhos, enquanto operadores menores tendem a enfrentar dificuldades para financiar projetos e acompanhar o ritmo da inovação.

Nos segmentos de consumo, telecomunicações e mídia, a IA é vista como ferramenta para aprimorar gestão de redes, logística, atendimento ao cliente e monetização de conteúdo. Ao mesmo tempo, pode elevar a concorrência, pressionar as margens e aumentar o risco de desintermediação, sobretudo para empresas de mídia dependentes de publicidade digital e de tráfego proveniente de plataformas externas.

No setor financeiro, a Moody’s projeta que a tecnologia reforçará a posição dos grandes bancos da região. Instituições como Itaú Unibanco, Bradesco e Banco de Crédito del Perú são apontadas como mais preparadas para capturar valor da IA por reunirem escala, bases de dados próprias e capacidade de investimento.