A Netskope, empresa do setor de segurança e redes voltadas para ambientes de nuvem e aplicações de inteligência artificial, divulgou na quinta-feira, 22 de janeiro, uma pesquisa indicando que apenas 38% dos líderes de Infraestrutura e Operações (I&O) consideram suas infraestruturas atuais preparadas para as novas demandas da IA. O levantamento também mostra que somente 18% desses executivos afirmam ter total confiança de que dispõem de equipe e orçamento suficientes para atender às exigências de desempenho, resiliência e segurança impostas por essa tecnologia.
O estudo, conduzido com líderes globais de I&O, buscou avaliar o nível de integração entre as operações de TI e os objetivos estratégicos das empresas. Os resultados apontam que a alta gestão e as equipes de tecnologia ainda precisam aprimorar o alinhamento interno para superar desafios operacionais relevantes na modernização das infraestruturas necessárias ao avanço da inteligência artificial.
Mike Anderson, diretor de Informação e Digital da Netskope, afirmou que a inteligência artificial vem acelerando a demanda sobre a infraestrutura corporativa em um ritmo para o qual os sistemas legados não foram concebidos. Segundo ele, a pesquisa da empresa indica que essa pressão é intensificada por uma crescente lacuna de comunicação dentro das organizações. Enquanto executivos buscam maior clareza sobre a resiliência e a prontidão dos ambientes de TI, as equipes de Infraestrutura e Operações enfrentam exigências crescentes para garantir desempenho, segurança e confiabilidade, muitas vezes com recursos limitados.
A pesquisa indica que a maior parte dos líderes de Infraestrutura e Operações (I&O) enfrenta expectativas crescentes dentro das organizações. Quatro em cada cinco entrevistados (80%) afirmam que a infraestrutura de TI é essencial para o cumprimento dos objetivos de negócios, e o mesmo percentual relata que as demandas da alta liderança aumentaram no último ano. Para 83% desses profissionais, essa pressão se intensificou diretamente sobre suas responsabilidades individuais.
O levantamento também revela um desalinhamento entre as equipes de I&O e a alta gestão. Quase dois terços (63%) dos líderes afirmam sentir-se afastados das discussões estratégicas que orientam as decisões de TI. Além disso, 20% dizem não ter clareza sobre os objetivos de seus CEOs ou CIOs, enquanto 37% classificam seu papel como predominantemente reativo.
Outro ponto destacado é a percepção de barreiras de comunicação. Para 61% dos participantes, é evidente a frustração de CEOs diante da falta de transparência ou da complexidade da infraestrutura de TI, que nem sempre é apresentada de forma clara ou acessível.
Os entrevistados apontam divergências na priorização de indicadores de desempenho. Segundo o estudo, a alta administração tende a concentrar sua atenção em segurança, visibilidade e custos, demonstrando menor interesse em temas como resiliência e performance. Para a maioria dos líderes de I&O, as expectativas da liderança sobre desempenho (55%), resiliência (58%) e segurança (59%) são consideradas pouco realistas diante das limitações das infraestruturas atuais, o que impacta a percepção de controle sobre esses fatores.
Por fim, 60% dos profissionais afirmam que suas organizações adotam uma postura conservadora em relação a investimentos em infraestrutura e operações de TI, mantendo uma mentalidade defensiva baseada na lógica de que, se o sistema funciona, não deve ser alterado.
A pesquisa traz cinco recomendações para que os líderes de I&O fortaleçam seus laços com a alta administração:
- Traduzir as decisões de infraestrutura em resultados de negócios (por exemplo, falar sobre agilidade e redução de riscos, e não apenas usar termos técnicos como "implementação de ZTNA").
- Participar mais cedo e de forma ativa do planejamento estratégico, ajudando a desenhar a infraestrutura necessária para o futuro.
- Promover uma arquitetura mais simples e consolidada, abandonando soluções paliativas e reativas.
- Criar visibilidade contínua para a alta liderança, por meio de relatórios transparentes que desmistifiquem o ambiente de TI.
- Posicionar a área de I&O como facilitadora de uma adoção segura e ágil da IA reduzindo a ansiedade da alta administração e fortalecendo a confiança.
Embora a inteligência artificial esteja no centro das discussões da alta administração sobre transformação digital e crescimento — levando 65% dos líderes de Infraestrutura e Operações (I&O) a avaliar a infraestrutura de TI como mais crítica do que nunca — a adoção da tecnologia ainda não figura como prioridade imediata para essas equipes. Persistem desafios estruturais considerados mais urgentes, como o reforço da segurança e do desempenho das tecnologias de acesso remoto (43%) e a ampliação da visibilidade das operações e do desempenho das redes (35%), ambos à frente das iniciativas diretamente relacionadas à implementação de IA nas empresas (34%).
Segundo Mike Anderson, o avanço depende de traduzir decisões de infraestrutura em impactos claros para o negócio, permitindo que a liderança compreenda como a modernização reduz riscos, aumenta a agilidade e prepara a organização para uma adoção segura e eficiente da IA. Ele afirma que, quando TI e alta administração compartilham essa visão, a infraestrutura deixa de ser um obstáculo e passa a atuar como um diferencial estratégico.
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