A Padtec passou por um período de reestruturação interna em 2025, após um ciclo de forte expansão entre 2020 e 2022, informa o site Brazil Economy. De acordo com o CFO Leonardo Chamsin, o processo buscou ajustar a operação a um mercado mais consolidado e preparar a empresa para um novo momento de crescimento, impulsionado pela demanda de data centers, aplicações de inteligência artificial e soluções de conectividade de alta capacidade.

Nos resultados mais recentes divulgados ao mercado, referentes aos três primeiros trimestres do ano, a companhia registrou receita de 271 milhões de reais, o que representa aumento de aproximadamente 12% em relação a 2024. O principal destaque foi a rentabilidade: a Padtec alcançou a maior margem bruta dos últimos cinco anos, superando 35%. Segundo a empresa, o desempenho é resultado da recomposição do portfólio de produtos, do redimensionamento das equipes de campo e da revisão dos níveis de serviço oferecidos aos clientes.

O executivo descreveu 2025 como um período de transformação para a Padtec e afirmou que as mudanças no mercado ocorreram de forma acelerada, exigindo que a empresa se ajustasse a uma nova realidade em termos de escala e dinâmica do setor. Segundo ele, o foco deixou de ser a expansão rápida da receita e passou a priorizar rentabilidade, eficiência operacional e revisão do portfólio de produtos e serviços.

Chamsin destacou que a companhia concentrou esforços na melhoria dos indicadores financeiros ao longo do ano. “Trabalhamos fortemente em rentabilidade em 2025. Foi um processo intenso de alinhamento entre estrutura, portfólio e nível de atendimento, especialmente na divisão de serviços, que atualmente atende mais de 70 clientes”, afirmou.

A venda de equipamentos continua respondendo pela maior parte da receita da Padtec, mas a divisão de serviços ganhou relevância nos últimos anos. Em 2025, essa área já representava entre 20% e 25% do faturamento e foi o segmento de maior crescimento até setembro, com alta próxima de 22%.

A estratégia da empresa aponta os serviços como principal motor de expansão no médio e longo prazo. O plano inclui desde contratos de operação e manutenção de redes até a atuação do Network Operations Center (NOC), modelo em que a Padtec assume o monitoramento e a gestão das redes de clientes.

Segundo o CFO Leonardo Chamsin, essa frente se consolidou como o principal vetor de crescimento da companhia. Ele afirmou que a Padtec conseguiu estruturar uma unidade de negócios robusta e com elevado potencial de escala.

A revisão do portfólio realizada nos últimos anos também teve como objetivo acompanhar a nova onda de investimentos em conectividade impulsionada pela inteligência artificial e pela expansão de data centers. A Padtec vem direcionando sua atuação especialmente para o segmento de data center edge, modelo modular que busca reduzir a latência ao aproximar a infraestrutura dos usuários finais.

Além das grandes operadoras de telecomunicações, Leonardo Chamsin destacou que empresas globais de conteúdo digital passaram a figurar entre os principais demandantes de infraestrutura, tanto em data centers hiperescala quanto em soluções edge. Segundo estimativas mencionadas pelo executivo, os investimentos em conectividade voltados a data centers têm crescido a taxas próximas de 30%.

Chamsin afirmou que a empresa observa com otimismo o cenário para os próximos anos. “Estamos olhando com bons olhos o que vem em 2026 e 2027. Existe uma demanda muito forte se materializando, tanto no Brasil quanto na América Latina”, disse.

A Padtec retomou em 2025 sua atuação no mercado de cabos submarinos, após o término do período de não concorrência firmado quando a empresa vendeu essa divisão anos antes. Antes da alienação — posteriormente adquirida pela norte‑americana IPG Photonics — a companhia havia sido a primeira da América do Sul a fornecer um cabo submarino para o Google.

Com o fim das restrições contratuais, a empresa voltou a investir no segmento, considerado estratégico para o tráfego de grandes volumes de dados entre continentes e diretamente ligado à expansão dos data centers. Segundo o CFO Leonardo Chamsin, há atualmente mais de 600 milhões de dólares (3,17 bilhões de reais) em projetos de cabos submarinos em fase de concepção no Brasil, com prazos de implementação que podem chegar a três anos.

O executivo afirmou que a Padtec já reestruturou a área, contratou engenheiros e formou uma equipe comercial dedicada. Ele destacou que o mercado está aquecido e que diversos projetos avançaram significativamente nas etapas ambientais.

A Padtec, que conta com cerca de 500 funcionários — mais de 100 deles dedicados exclusivamente à área de serviços — mantém operações em 21 países, com maior presença na América Latina. Entre os mercados mais relevantes estão Brasil, Colômbia, Chile, Argentina, Peru, México e Estados Unidos. A empresa também anunciou avanços comerciais na União Europeia e a abertura de uma estrutura dedicada no México.

Segundo o CFO Leonardo Chamsin, a internacionalização ganha importância em um cenário de crescente polarização econômica global. Ele afirmou que, diante da disputa entre Estados Unidos e China, a Padtec consegue atuar de forma equilibrada, atendendo ao mercado norte‑americano e mantendo relações comerciais com fornecedores chineses.

A produção permanece concentrada no Brasil, com duas fábricas em Campinas — responsáveis por transponders, amplificadores e equipamentos plugáveis — além de um centro de serviços em Hortolândia.

Sem divulgar projeções por ser uma companhia listada, Chamsin afirmou que a Padtec inicia 2026 mais enxuta, rentável e preparada para aproveitar oportunidades associadas à expansão de data centers, aplicações de inteligência artificial, serviços de rede e infraestrutura de conectividade de alta capacidade.