O setor dos data centers está consolidando sua posição como infraestrutura crítica do mundo digital, mas sua sustentabilidade depende de mais do que apenas investimento tecnológico; precisa de pessoas motivadas e qualificadas. Com esta premissa, ocorreu em Madri o evento "Desafio Data Center: atrair, reter e liderar o talento para o setor dos data centers na Espanha e Portugal", organizado pela Serveo, que reuniu líderes empresariais e acadêmicos para debater os desafios e as oportunidades na formação e na gestão do talento.
Do mito da nuvem ao valor do quintal digital. Um chamado à ação.
A nuvem é esse "elemento intangível" que é, no entanto, muito mais tangível do que se possa pensar. Begoña Villacís, diretora executiva da Spain DC, iniciou o dia com essa reflexão. "A nuvem nos fez esquecer que, por trás desse intangível, existe um mundo físico: os data centers, o verdadeiro quintal da economia digital".
Villacís frisou a necessidade de atrair, reter e liderar o talento técnico, salientando que esse não é formado apenas na universidade, mas também na formação profissional e em colaboração com a indústria. Por outro lado, destacou também a importância da cooperação ibérica entre Espanha e Portugal como essencial para reforçar a "formação da força de trabalho que sustentará a digitalização".
O talento como força motriz do Data Center
Na primeira mesa redonda, Mario Gutiérrez, delegado da Serveo para a Zona Central e Levante, abriu o debate sobre as qualidades do talento.
Os palestrantes concordaram que o setor está em constante mudança. "É importante compreender que a estratégia não pode ser sempre a mesma, muda e deve ser adaptada", afirmou Filipe Barreiro, Diretor de Operações da Start Campus.
Jorge Macho, Diretor de Desenvolvimento de Pessoas da Serveo, salientou a importância de continuar a formar as pessoas em aspectos específicos: "A chave é formar as equipes em habilidades digitais e dar o exemplo, especialmente em ambientes como esse, onde coexistem várias gerações".
Nesse contexto, o papel fundamental da mentoria e do coaching foi ressaltado, com Enrique Ramirez, ROD da Merlin Properties, salientando sua importância: "são fundamentais, os programas de desenvolvimento interno nos ajudam a cobrir o que não é ensinado nas escolas".
Formação e desenvolvimento: a chave para a fidelização
O segundo debate girou em torno da formação profissional e universitária, moderado por Jorge Muñoz, Head of Data Center Business da Serveo. Nesse aspeto, Rita Lourenço, Vice-presidente da Portugal DC e Tiago Silva, Diretor de Operações da Data4, concordaram em destacar que o setor sofre de uma escassez específica de talento e diversidade, e que é necessária a colaboração com universidades e centros de formação profissional para gerar perfis técnicos adaptados a um ambiente 24x7. Também nessa linha, Eduardo Gismera, Diretor de Estratégia da Comillas ONEXED, defendeu o valor da formação como prova de compromisso empresarial e como forma de reter o talento. "Retemos o talento acompanhando as pessoas dia após dia: as pessoas não saem das empresas, saem das pessoas".
A inovação contínua, um bom ambiente de trabalho e planos a longo prazo surgem como ferramentas fundamentais para que os profissionais cresçam e permaneçam.
Uma visão jovem: o setor como motor do futuro
Em terceiro lugar, os jovens profissionais foram debatidos em uma mesa moderada por José Antonio Mezquita, Diretor de Indústria da Serveo.
Aqui ficou claro que atrair jovens talentos continua a ser um desafio. " Ninguém sonha em ser responsável pela manutenção de data centers quando é criança", reconheceu Francisco Bernardino, COO da Serveo, frisando a importância de tornar mais visível a atratividade do setor. Um setor que, como salientou Guillermo Benito, CTO da Nabiax, "pode ser muito atraente", que também fez referência ao fato de a formação universitária ser muito teórica e de o trabalho nos cdata centers ser de missão crítica, mas também é importante valorizar o fato de ser um setor que "garante a segurança do emprego diante de fenômenos como a IA".
Nessa linha, Ricardo Abad, CEO da Quark, nos encorajou a "mostrar entusiasmo e a mostrar que há futuro", aproximando-nos da nova geração e tornando atrativo o setor, que é um ator crucial na revolução industrial digital: "tudo o que acontece do momento em que nos levantamos até o momento em que nos deitamos passa por um data center".
Conclusões: para uma estratégia ibérica do talento
No encerramento, Salvador Urquía, CEO da Serveo, reuniu as conclusões de uma sessão de debate que deixou claro que o sucesso da indústria não depende apenas de racks, refrigeração e redes, mas que o ponto principal também está em encontrar e investir em pessoas capazes de liderar, inovar e se adaptar a um ambiente em constante evolução. O trabalho conjunto entre empresas, instituições de ensino e administrações será decisivo para formar o capital humano que sustentará a infraestrutura digital da Espanha e de Portugal.
*Texto traduzido e editado ao português por Bruno Faria
Comments