O Oracle IA World começou oficialmente no dia 14 de outubro no Venetian Resort Hotel Casino de Las Vegas. Mas no dia 13 os jornalistas da América Latina presentes no evento puderam participar de uma sessão de conversa e perguntas com Luiz Meisler, Executive VP Oracle Latin America, Adrián Durán, Senior VP – Cloud Applications Latin America e Leandro Vieira, Senior VP – AI & Tech Cloud.
Os executivos da Oracle falaram sobre o futuro da tecnologia, inteligência artificial (IA) e o modelo Software as a Service (SaaS). Destacaram a posição privilegiada da Oracle como o único hiperescala a possuir todo o stack tecnológico—da infraestrutura às aplicações—e a importância do conceito "Data First" e da soberania de dados para a América Latina. Eles abordaram a crescente adoção de agentes de IA incorporados nas aplicações de SaaS da Oracle e defenderam que, embora a IA vá impactar o SaaS, o modelo não desaparecerá, evoluindo para se tornar mais eficiente e integrado, oferecendo exemplos de casos disruptivos e transformadores em produção. Discutiram também sobre a estrutura de investimento em IA na América Latina e na abordagem de segurança (security by design) da empresa.
Luiz Meisler, em sua fala, fez questão de destacar que a Inteligência Artificial deve ser compreendida, antes de tudo, como uma alavanca estratégica de negócios — e não como uma mera função técnica restrita ao departamento de Tecnologia da Informação (TI). Essa distinção é fundamental. Embora muitas empresas ainda não tenham internalizado essa mudança de paradigma, é apenas uma questão de tempo até que ela se torne evidente e amplamente aceita.
A verdadeira força da IA, disse Meisler, está em sua capacidade de transformar modelos operacionais, criar novas fontes de receita, otimizar processos e redefinir a experiência do cliente. Ou seja, a inovação gerada pela IA nasce e se materializa no núcleo do negócio, e não na periferia tecnológica.
Segundo o executivo, estamos diante de uma oportunidade histórica: a IA representa uma ruptura profunda, capaz de provocar uma reinvenção estrutural nas organizações. As empresas que souberem enxergar esse potencial e agir com agilidade terão vantagem competitiva significativa nos próximos anos.
Durante o keynote, surgiu o debate sobre se o investimento em inteligência artificial (IA) configura uma bolha especulativa; há uma percepção crescente de que a tecnologia está gerando impactos concretos e transformadores, indo além da simples otimização de processos já existentes. Assim como a internet redefiniu as formas de interação a partir dos anos 2000, a IA tende a alterar profundamente a maneira como nos relacionamos com a tecnologia, mesmo que os fundamentos técnicos que a sustentam estejam disponíveis há décadas.
Meisler, Durán e Vieira defendem que não se trata de uma bolha e citaram casos práticos que ilustram essa mudança: um agente de atendimento desenvolvido no Brasil para esclarecer dúvidas sobre faturas foi implementado em apenas um mês — um prazo significativamente inferior aos oito meses estimados em modelos tradicionais — e atualmente responde por 40% das interações nesse canal. Em sistemas bancários de reclamações, a IA está sendo aplicada para reduzir tempos de espera e melhorar a qualidade do atendimento, com soluções em desenvolvimento capazes de resolver centenas de situações recorrentes. Além disso, a velocidade de criação de aplicações é notável: um sistema de consulta pública foi estruturado em cerca de 15 minutos, e projetos mais robustos, com dados reais, podem ser concluídos em dois a seis meses. Ou seja, de acordo com os executivos, a IA não deve ser encarada apenas como uma ferramenta de substituição de mão de obra, mas como um vetor de inovação que possibilita o surgimento de novos modelos operacionais e redefine setores inteiros — como o conceito emergente de “banco do futuro”.
A importância dos dados não ficou de fora do debate. Embora o mercado frequentemente utilize o termo "AI First" (IA em Primeiro Lugar), a Oracle prefere "Data First" (Dados em Primeiro Lugar). A adoção estratégica da inteligência artificial pressupõe uma base sólida de dados centralizados, considerada essencial para viabilizar aplicações avançadas e gerar valor real para os negócios. Nesse contexto, os dados são frequentemente comparados ao petróleo — um recurso bruto que, quando refinado pela IA, se transforma em insights e soluções com impacto direto na experiência do cliente e na eficiência operacional. Apesar de muitas organizações já acumularem grandes volumes de dados, ainda enfrentam desafios para utilizá-los de forma eficaz, o que reforça a importância de plataformas integradas e inteligentes.
Com o avanço da IA, a base de dados da Oracle passou a ocupar um papel central na transformação digital das empresas, sendo vista como um ativo estratégico de alto valor. A capacidade de vetorizar essa base permite que modelos de linguagem avançada (LLMs) acessem e interpretem informações com agilidade, simplificando processos de modernização e reduzindo significativamente o tempo de desenvolvimento de soluções.
Com tudo isso, a segurança e a soberania dos dados ganharam enorme importância, especialmente diante da popularização da IA generativa. A Oracle, afirmam os executivos, adota uma abordagem de segurança por design, protegendo todas as camadas do sistema e garantindo que os dados dos clientes não sejam utilizados para treinar modelos de terceiros. Além disso, investe em data centers soberanos, assegurando que o processamento ocorra localmente, o que fortalece a conformidade regulatória e a confiança dos clientes.
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