A OpenAI escolheu o Brasil para sediar seu primeiro escritório na América fora dos Estados Unidos, informa o site Tilt da UOL. Segundo a empresa, a decisão reflete o peso do país no uso de suas ferramentas: o Brasil está entre os três maiores mercados do mundo em usuários ativos do ChatGPT (50 milhões mensais), ocupa a segunda posição em número de desenvolvedores que utilizam a API da companhia e lidera o envio diário de mensagens à plataforma, com 215 milhões por dia, além de despontar na geração de imagens e no uso por voz. As informações foram apresentadas por Oliver Jay, vice-presidente de estratégia e operações da OpenAI.

Embora o escritório só agora tenha sido oficializado, a empresa já mantinha profissionais no país desde o ano passado, atuando em relacionamento governamental, relações públicas e parcerias. Segundo Jason Kwon, diretor de estratégia da OpenAI, a operação local funcionará como centro para a América Latina, com uma equipe dedicada a disseminar a cultura da empresa e a articular parcerias com diferentes setores da sociedade.

A companhia também anunciou colaborações no Brasil: com o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), voltada à capacitação em IA; com o Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada), voltada à pesquisa sobre o uso confiável de IA em matemática; e com o Hospital das Clínicas da USP, voltada a um protótipo de organização de dados clínicos do SUS. Também foi firmado um memorando de entendimento com a Prodam, empresa de tecnologia da Prefeitura de São Paulo, ainda sem detalhes sobre a aplicação prática.

Em maio, a OpenAI já havia anunciado medidas para o período eleitoral no país, com o compromisso de não favorecer candidatos, direcionar buscas a fontes confiáveis e implementar mecanismos para identificar deepfakes gerados na própria plataforma.

A expansão ocorre em meio a uma disputa acirrada no setor de IA. A OpenAI enfrenta concorrência crescente da Anthropic e de modelos chineses, como Qwen (Alibaba) e Kimi (Moonshot AI). Enquanto OpenAI e Anthropic mantêm modelos majoritariamente proprietários, acessados via serviços online e APIs, empresas chinesas têm oferecido opções mais abertas, inclusive executáveis localmente — o que tem ampliado sua adoção entre desenvolvedores e startups, à medida que reduzem a diferença de desempenho em relação aos sistemas americanos. Nesse contexto, fortalecer a presença no segundo maior mercado de desenvolvedores do mundo é considerado um movimento estratégico para consolidar o uso das ferramentas da OpenAI no país.