Onde estão sendo construídos os Data Centers brasileiros? Como definir o site selection? Quais desafios a indústria enfrenta? Essas são algumas das perguntas que serão debatidas no painel “Onde devo construir o meu próximo Data Center”, na próxima terça-feira, 18 de abril, às 9h (horário de Brasília).

Participam do evento: Rogério Bruck, Chief Operating Officer da Elea Digital, Rodrigo Couto, Diretor da CBRE Latam, e Lucas Montarroios, Diretor de Tecnologia da HostDime Brasil. O debate faz parte do broadcast DCD>Construção&Escalabilidade. Para assistir, registre-se gratuitamente clicando aqui e veja também toda a programação.

Em entrevista, Rodrigo Couto analisou positivamente o panorama atual para a construção de Data Centers brasileiros. “Os centros de dados continuam em plena expansão. Vários terrenos recentemente adquiridos estão em aprovação, bem como iniciando as suas construções. Em 2022 o mercado foi puxado pela presença das nuvens públicas entrando de forma mais incisiva, e neste ano temos visto a entrada de novos players internacionais no cenário brasileiro”.

Qual é o “vilão global” da expansão?

Segundo o diretor da CBRE Latam, o “vilão global” da expansão e crescimento da indústria definitivamente é a falta de infraestrutura. “Os países e microrregiões onde estão os hubs de Data Centers não acompanham a disponibilidade das redes. E subestações necessitam investimentos que na maioria das vezes prorrogam e muito os cronogramas dos operadores de Data Center e os seus projetos”. Ele acrescenta: “Além disso, as tendências de novas tecnologias já aplicadas como o 5G, a inteligência artificial ou internet das coisas têm gargalos operacionais que limitam o crescimento de novos Data Centers e a aplicação antecipada das tecnologias”.

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Rodrigo Couto, CBRE Latam

Dentre as tendências para a construção de Data Centers, Rodrigo ressalta o programa ESG. “A preocupação com a sustentabilidade é uma exigência e não mais um desejo das construções. Outro ponto bastante relevante para o futuro do setor é a escalabilidade, ao construir um Data Center é necessário montá-lo com expansões previstas que possam trazer agilidade ao processo”, concluiu.

Tendências e necessidades

Para Rogério Bruck, da Elea Digital, as construções devem estar alinhadas às necessidades dos clientes e à sustentabilidade. ”Atualmente, um fato muito relevante nesta decisão tem a ver com a disponibilidade energética e as subestações próximas ao local escolhido. Hoje é nítida esta falta de disponibilidade, e se ela existir é somente atendida em alta tensão. Tecnicamente não é um problema, mas os custos de construção aumentam muito”.

Bruck também cita a descentralização (eixo Rio-São Paulo) de construções de Data Centers Edge e de Enterprise/Hyperscalers. ”Esse é um pilar que, aqui na Elea Digital, acreditamos que tende a ser cada vez mais adotado por outras empresas. Além disso, trata-se de um formato que nos permite aumentar a velocidade das transações, o que é uma maneira de diminuirmos a latência”.

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Rogério Bruck, Elea Digital

Ele considera que existem muitas expectativas na construção de Data Centers no Brasil, mas a velocidade real desta intenção “deixa a desejar neste momento”. “Essa lentidão, provavelmente, vem da situação da economia mundial que ainda demonstra fragilidades nas cadeiras de entrega de equipamentos de TI, bem como em equipamentos de facilities. Penso que a maioria das empresas irão, não somente, finalizar as construções/projetos vindouros de 2022, bem como irão buscar outras iniciativas”.

Segundo Bruck, há uma demanda ”imensa” no Brasil por tecnologia e a indústria ainda não está aderente a essa necessidade. “Falando enquanto Elea, temos um olhar bem antenado quanto às necessidades locais, por isso, estamos em constante acompanhamento quanto às possibilidades de expansão no país. Recentemente, inauguramos o nosso segundo Data Center em Porto Alegre, que apesar de ser uma região com potencial enorme de capacidade energética, ainda é subaproveitada nesse quesito”, explicou.

O COO da Elea Digital pondera que apesar das dificuldades na construção de Data Centers, também há motivos para ser otimista. “O Brasil é um grande consumidor de IT e isto é suficiente para a evolução no setor. Em função dos motivos mencionados anteriormente, o maior desafio é em sermos criativos para que, ao mesmo tempo, possamos atender às necessidades eminentes, bem como projetar construções de forma a suportar a dificuldade destas entregas. Modularizar pode ser uma solução”, disse.

O que falta para atrair mais investimentos para o Nordeste?

Diretor de Tecnologia da HostDime Brasil, Lucas Montarroios também considera “promissor” o cenário para a construção de Data Centers no Brasil. “O crescimento do consumo da internet, o investimento na parte da infraestrutura e o advento do 5G dão mais possibilidades, inclusive viabilizando conexões em áreas remotas. Ou seja, com a chegada desse tipo de conectividade vai haver uma expansão para empresas que antes não podiam estar em Data Centers. Além disso, a Starlink está entregando antenas no Brasil e permitindo o meio de comunicação em áreas mais remotas. Outro ponto é que o governo está com várias iniciativas para a diminuição dos impostos para dar um apoio e atrair investimentos, principalmente estrangeiros”, disse.

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Lucas Montarroios, HostDime

Lucas também ressaltou o que pode ser melhorado para atrair mais investimentos para o Nordeste. “A região ainda precisa ter um maior investimento na parte de infraestrutura elétrica como um todo, assim como ter incentivos fiscais e a melhoria no fornecimento de energia. Temos várias áreas populosas onde há dificuldade para o acesso de energia, aumentando bastante o custo de operação para um Data Center poder atuar de forma efetiva. A falta de infraestrutura inclui a falta de conexões. Ter mais hubs de conexões de fibra espalhados no Nordeste trará uma procura maior pela região”.

Para ele, outro desafio é a escassez de profissionais de TI. “A chegada do trabalho remoto de certa forma facilitou, mas ainda há uma dificuldade para qualificar os profissionais. Como diretor de tecnologia, sempre estou incentivando a capacitação. Nós enviamos equipes para São Paulo, porque aqui no Nordeste é ainda escassa essa qualificação por cursos que sejam oficiais”, explicou.