A NVIDIA e a T-Mobile anunciaram uma colaboração com a Nokia e um grupo crescente de desenvolvedores para levar aplicações de IA física a redes de borda distribuídas. A iniciativa demonstra como a infraestrutura AI-RAN pode transformar redes sem fio em plataformas de computação de alto desempenho na borda, permitindo a implementação de agentes de visão capazes de interpretar o ambiente físico em cidades, serviços públicos e ambientes industriais, usando a plataforma NVIDIA Metropolis.

O portfólio AI-RAN da NVIDIA inclui o ARC-Pro, baseado na GPU NVIDIA RTX PRO 4500 Blackwell Server Edition para estações rádio-base com restrições de energia, e o RTX PRO 6000 Blackwell Server Edition para centrais móveis de maior capacidade. A T-Mobile foi a primeira operadora nos EUA a testar a infraestrutura AI-RAN com o software anyRAN da Nokia e agora trabalha com parceiros de IA física para demonstrar como estações base e centrais de computação podem executar cargas de IA distribuídas enquanto mantêm conectividade 5G avançada.

Segundo Jensen Huang, CEO da NVIDIA, as redes de telecomunicações estão evoluindo para infraestruturas de IA capazes de permitir que bilhões de dispositivos — de agentes de visão a robôs e veículos autônomos — atuem em tempo real. Ele afirma que a parceria com T-Mobile e Nokia cria um modelo escalável para redes 5G que operam como computadores de IA distribuídos.

Para Srini Gopalan, CEO da T-Mobile, transformar redes em plataformas de computação de IA exigirá latência ultrabaixa e coerência espaço-temporal na borda para bilhões de endpoints. Ele destaca que a operadora, com sua rede 5G Standalone e 5G Advanced, está posicionada para impulsionar um futuro em que sistemas inteligentes dependem menos da nuvem e mais de redes capazes de processar e reagir instantaneamente.

A NVIDIA e a T-Mobile afirmam que a expansão da IA física depende de uma nova base tecnológica capaz de operar em tempo real nas cidades. Segundo Marcio Aguiar, diretor da divisão Enterprise da NVIDIA para a América Latina, essa evolução deve se tornar tão essencial quanto a eletricidade no passado ou as redes móveis na atualidade.

A transição para arquiteturas AI-RAN, apoiadas em computação acelerada, busca resolver um dos principais obstáculos da IA física: a falta de conectividade segura, de baixa latência e de cobertura ampla. Enquanto o Wi-Fi enfrenta limitações de alcance e segurança, a rede 5G standalone da T-Mobile oferece a infraestrutura necessária para que agentes de IA funcionem em ambientes urbanos movimentados, em instalações industriais e em áreas remotas.

Esse modelo permite transferir o processamento pesado dos dispositivos para a borda da rede, reduzindo a necessidade de hardware avançado em câmeras, sensores e robôs. A abordagem também viabiliza a escalabilidade econômica de modelos sofisticados de IA em bilhões de dispositivos interconectados, ao distribuir a carga computacional de forma mais eficiente.

Um número crescente de desenvolvedores está trabalhando com a NVIDIA e a T-Mobile para integrar agentes de IA física capazes de atuar em tempo real na rede de borda distribuída da operadora, usando o NVIDIA Metropolis Blueprint para busca e sumarização de vídeo. Os projetos-piloto abrangem diferentes setores.

No campo das cidades inteligentes, empresas como LinkerVision, Inchor e Voxelmaps testam agentes urbanos baseados em visão computacional e gêmeos digitais para otimizar semáforos e acelerar a resposta a incidentes em San Jose. Em serviços públicos, Levatas e Skydio automatizam inspeções de longas extensões de linhas de transmissão via 5G, com detecção mais rápida de anomalias e potencial para reduzir custos e ampliar a manutenção preditiva.

Na gestão de instalações, desenvolvedores como a Vaidio utilizam o modelo VSS para criar agentes capazes de prever falhas e identificar ameaças, acionando fluxos automatizados. Já na segurança industrial, a Fogsphere fornece agentes de IA que monitoram riscos em tempo real para a SAIPEM e agora avalia como a infraestrutura AI-RAN pode ampliar o desempenho desses sistemas.

Essas iniciativas fazem parte da estratégia da T-Mobile de testar e habilitar recursos de IA na borda em parceria com a NVIDIA, a Nokia e um ecossistema diversificado de empresas de software e hardware.

A NVIDIA apresentou o Metropolis VSS 3 Blueprint, projetado para permitir que agentes de IA analisem vídeos de forma mais eficiente, da borda à nuvem. A iniciativa surge em um cenário em que mais de 1,5 bilhão de câmeras capturam imagens no mundo, mas menos de 1% desse conteúdo é revisado por humanos.

A nova versão inclui recursos de recuperação de informações que permitem que agentes de IA decomponham consultas em linguagem natural e localizem eventos específicos em gravações em poucos segundos. A arquitetura modular permite adaptação a diferentes ambientes, como varejo e armazéns, sem necessidade de reformular a infraestrutura. Segundo a NVIDIA, o VSS pode resumir vídeos até 100 vezes mais rápido do que revisões manuais, reduzindo custos e tarefas repetitivas.

Entre as empresas que já utilizam o modelo para otimizar operações e reforçar a segurança estão Caterpillar, KION, Hitachi, HCLTech, Siemens Energy, Tulip e Telit Cinterion.