Desde o dia 11, o novo supercomputador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em operação em Cachoeira Paulista, no interior de São Paulo, informa a Folha de S.Paulo. O equipamento deve ampliar a precisão e a velocidade das previsões meteorológicas e dos estudos climáticos, considerados essenciais para a emissão de alertas mais eficientes sobre eventos extremos associados às mudanças climáticas.

Batizada de Jaci após votação popular, a máquina possui capacidade de processamento entre cinco e seis vezes superior à do sistema anterior, o Tupã, além de oferecer cerca de 24 vezes mais espaço para armazenamento de dados. O Tupã tinha capacidade de 1 petabyte — volume suficiente para armazenar vídeos em alta definição por aproximadamente 13 anos de reprodução contínua. No novo sistema, seria possível guardar o equivalente a 312 anos.

O Jaci ampliou as rodadas diárias de processamento de dados meteorológicos de duas para quatro. Segundo Ivan Barbosa, coordenador de infraestrutura de dados e supercomputação do instituto, a atualização mais rápida das previsões numéricas deve melhorar diretamente o trabalho dos meteorologistas.

De acordo com José Antonio Aravéquia, coordenador-geral de Ciências da Terra, o equipamento permite rodar modelos mais detalhados e gerar um número maior de cenários, facilitando a identificação do cenário mais provável e a detecção de possíveis eventos extremos.

As previsões utilizam informações coletadas por uma ampla rede de observações — estações de superfície e de altitude, navios, boias oceânicas, aeronaves e satélites meteorológicos de países associados à Organização Meteorológica Mundial. Esses dados alimentam o Jaci, que posteriormente processa os modelos climáticos analisados pelas equipes técnicas.

Segundo o Inpe, o aumento da capacidade computacional do supercomputador Jaci permite gerar um número maior de cenários climáticos, ampliando o suporte ao planejamento de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. O equipamento possibilita previsões mais detalhadas, capazes de indicar, por exemplo, eventos de chuva intensa em áreas específicas e em intervalos de tempo mais precisos.

A melhoria ocorre porque a nova grade de previsão opera com resolução de 10 km por 10 km — metade da utilizada pelo antigo Tupã — e pode chegar a 3 km por 3 km no território nacional, permitindo identificar fenômenos locais, como ondas de calor e tempestades intensas.

Adquirida por 28 milhões de reais da HPE Cray, a Jaci é a primeira etapa do projeto Risc, que prevê a instalação de outros três supercomputadores até 2028 e um investimento total de 200 milhões de reais, incluindo modernização elétrica, um novo sistema de refrigeração e uma usina fotovoltaica.

O coordenador José Antonio Aravéquia afirma que a ampliação da infraestrutura deve aproximar o Brasil do padrão internacional de previsão numérica e atender às demandas nacionais de monitoramento do tempo e do clima. O Inpe mantém uma política de dados abertos e cooperação técnica com o Inmet para ampliar a cobertura das previsões no país.

Paralelamente à modernização de sua infraestrutura, o Inpe desenvolve o Monan, um modelo de previsão integrado para oceano, terra e atmosfera, projetado especificamente para as condições climáticas da América do Sul. Hoje, o país utiliza modelos norte-americanos e europeus.

Com apoio de instituições nacionais e internacionais, o Monan busca atender às demandas regionais de previsão. Segundo Aravéquia, o desenvolvimento é contínuo e de longo prazo, mas já existe uma versão em pré-operação com resultados considerados promissores.

O projeto pretende unificar diferentes modelos — atmosférico, oceânico e acoplado — em uma única plataforma, capaz de gerar previsões em múltiplas escalas temporais e espaciais, explica Saulo Ribeiro de Freitas, chefe da Divisão de Modelagem Numérica do Sistema Terrestre.

A expectativa é de que o sistema esteja completo até 2028, quando os quatro novos supercomputadores do Inpe estiverem totalmente instalados.