A NextStream planeja dobrar, nos próximos três anos, a capacidade de seu data center localizado em Santana de Parnaíba, na região metropolitana de São Paulo, informa o site TELETIME. A infraestrutura, que atualmente opera com 8 megawatts (MW) de potência, deve alcançar 16 MW ao fim da expansão.

A primeira etapa do projeto prevê a adição de 1,5 MW, com conclusão estimada para outubro deste ano. Segundo o CEO da empresa, Serafim Abreu, o investimento busca atender principalmente ao aumento da demanda por serviços de computação em nuvem, incluindo clientes corporativos que utilizam soluções de cloud da Vivo.

O executivo afirmou que a empresa observa um crescimento consistente na demanda por serviços de nuvem, tanto pública quanto privada, atendendo clientes por meio da Telefônica ou de fornecedores hiperescala. Ele destacou que a oferta de nuvem privada no data center da companhia é considerada estratégica por operar em um ambiente altamente conectado, com baixa latência e proximidade da capital paulista.

Para 2026, a prioridade da NextStream é ampliar a capacidade de seu data center em São Paulo e avançar nos projetos de expansão das unidades de Ixtlahuaca, no México, e Paine, no Chile. A empresa mantém atualmente dez data centers na América Latina, todos monitorados a partir de um centro de comando denominado CI2, localizado em Tamboré, em Santana de Parnaíba.

A expansão para outras regiões brasileiras não está prevista no curto prazo, embora a companhia avalie possibilidades futuras, incluindo o Nordeste. Segundo o CEO, o foco imediato é fortalecer operações já estabelecidas em locais considerados estratégicos pela alta demanda por serviços.

A unidade da NextStream em Curitiba, que opera com capacidade próxima de 1 MW, não deve passar por expansão no curto prazo. A empresa, porém, pretende utilizá-la como apoio às operações da Vivo e de outros clientes, especialmente após a modernização recentemente concluída.

A companhia administra atualmente os data centers que pertenciam à Telefônica na América Latina. No Brasil, as instalações de Tamboré e Curitiba seguem atendendo a operadora Vivo por meio de um contrato de longo prazo, segundo informou o CEO Serafim Abreu. A base de clientes também inclui hiperescalas e empresas de médio porte.

No caso da Vivo, a operadora utiliza a infraestrutura da NextStream para ofertar serviços de nuvem a terceiros, o que ampliou a demanda sobre o fornecedor de data centers. Abreu observou que, ao longo dos últimos anos, o setor de telecomunicações desenvolveu suas próprias soluções de nuvem para atender clientes, o que altera a dinâmica de relacionamento com fornecedores de colocation e serviços escaláveis sob demanda.

O executivo destacou a relevância do Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (ReData) para o setor, lembrando que a medida provisória precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional até 25 de fevereiro. Ainda assim, afirmou que a continuidade dos investimentos da NextStream no Brasil não dependerá exclusivamente do programa.

Segundo Serafim Abreu, embora existam projetos que podem ser impulsionados pelo ReData, a expansão do data center de Tamboré seguirá de forma orgânica, acompanhando a demanda doméstica. Ele citou que o acréscimo de 1,5 MW em andamento é resultado direto desse movimento.

O executivo também avaliou que o regime especial pode favorecer iniciativas de inteligência artificial no País, já que centros de dados voltados ao treinamento de modelos não precisam estar próximos do local onde os serviços serão consumidos. Para ele, o Brasil tem uma oportunidade significativa, considerando que grande parte do processamento de dados ainda ocorre no exterior.

Em dezembro de 2025, a Actis — gestora de infraestrutura que controla a NextStream — anunciou a criação da Terranova, empresa dedicada a data centers com foco em hiperescala e aplicações de IA. Abreu ressaltou que não haverá relação direta entre as duas operações. Ele explicou que se trata de um fundo distinto, com governança própria, e que a iniciativa reflete um movimento observado no mercado de criação de estruturas voltadas exclusivamente à demanda crescente por IA.