O Ministério de Minas e Energia (MME) publicou nesta semana a portaria que garante a reserva energética para viabilizar a operação da Scala AI City. Na resolução, o MME reconhece a alternativa técnica apresentada pela Scala Data Centers para conectar o campus de data center de Eldorado do Sul, na Região Metropolitana de Porto Alegre (RS), à Rede Básica do Sistema Interligado Nacional (SIN).
Segundo o MME, o novo empreendimento implantará 1,8 gigawatts (GW) de demanda de energia até 2033. A empresa já apresentou o potencial de expandir para até 5 GW em horizonte posterior – o que exigirá novos estudos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Ao alcançar o potencial final projetado de 5 GW, o projeto adicionará ao SIN demanda equivalente a aproximadamente 20% da carga máxima atualmente registrada pela Região Sul do país.
“Essa decisão está alinhada às ações do MME e do Governo Federal, que prepara o marco legal dos data centers. Estamos criando um ambiente regulatório atrativo para novos empreendimentos em infraestrutura digital, estimulando a conectividade, inovação e transformação digital em resposta a uma demanda crescente impulsionada por novas tecnologias e pela transição energética, e temos plenas condições de atender a essa iminente demanda”, afirmou o ministro Alexandre Silveira.
De acordo com a portaria, a proposta da Scala atende ao critério de mínimo custo global — considerando tanto o investimento nas instalações quanto os custos de perdas elétricas ao longo do tempo. Além disso, é compatível com o planejamento da expansão do setor elétrico para um horizonte mínimo de cinco anos. “Isso garante que o crescimento da infraestrutura digital ocorrerá de forma eficiente, sustentável e em sintonia com as diretrizes de longo prazo da política energética nacional”, ressalta o secretário Nacional de Transição Energética e Planejamento (SNTEP), Thiago Barral.
Após o reconhecimento do MME, a conexão à Rede Básica está sujeita à disponibilidade sistêmica e aos estudos específicos conduzidos por outros órgãos envolvidos no processo, como o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
O que é a Scala AI City?
Anunciada em setembro de 2024, a obra terá um investimento de R$ 3 bilhões (US$ 500 milhões) na fase 1. Antes de avançar rumo ao potencial total, o projeto deve ter capacidade inicial de TI de 54 MW. A construção do campus completo envolverá um investimento estimado em R$ 300 bilhões (US$ 50 bilhões).
A estrutura será instalada em um terreno de 7 milhões de metros quadrados no município de Eldorado do Sul, a 32 quilômetros de Porto Alegre.
O nome do cliente é mantido em sigilo, mas trata-se de um dos hyperescalers, ou seja, uma das organizações líderes globais do mercado de serviços nuvem e que processam grandes volumes de dados, como Google, Microsoft e Amazon.
O projeto prevê a geração de mais de 3 mil empregos diretos e indiretos durante sua primeira fase, além de movimentar setores como energia, construção civil, telecomunicações, entre outros, com a criação de mais postos de trabalho que impulsionarão o desenvolvimento econômico da região.
A estrutura está sendo projetada para ser um polo estratégico de inovação e sustentabilidade, com a implementação de práticas de economia circular e o uso de 100% de energia renovável e certificada.
A Scala AI City está sendo estrategicamente projetada para atrair cargas internacionais de IA, aproveitando o potencial de powershoring (exportação de energia limpa com valor agregado) do Brasil. O empreendimento posiciona o país como um destino atrativo para cargas massivas de IA - treinamento e inferência - com latência sub 80ms para América do Norte, especialmente em um momento em que a falta de energia e capacidade nos EUA é um desafio crescente.
“Contudo, é fundamental que tenhamos uma regulamentação de IA que estimule, e não iniba, o processamento de cargas internacionais em nosso país. Precisamos criar um ambiente que permita às empresas globais de tecnologia investir no Brasil, gerando empregos, inovação e desenvolvimento econômico em larga escala”, afirmou Luciano Fialho, Senior VP - Corporate Development and M&A da Scala.
Eldorado do Sul foi escolhida por conta de sua disponibilidade de energia elétrica e espaço para expansão, além da conexão estratégica com o data center SPOAPA01 da Scala, localizado em Porto Alegre, que conta com infraestrutura de conectividade de baixa latência e uma posição privilegiada para integração com grandes hubs globais. Além disso, a futura conexão com o cabo submarino Malbec — que liga São Paulo, Rio de Janeiro e Buenos Aires e tem previsão de passagem pela capital gaúcha — garante uma vantagem competitiva única.
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