A Marinha do Brasil realizou, entre 23 e 25 de junho, o 3º Workshop de Proteção de Cabos Submarinos 2026, no Centro de Adestramento Almirante Marques de Leão, em Niterói (RJ), informa a Agência Marinha de Notícias. Organizado pelo Comando Naval de Operações Especiais, em parceria com o Comitê Brasileiro de Proteção de Cabos Submarinos, o encontro reuniu representantes do governo, do setor privado, da academia, de agências reguladoras e de Marinhas estrangeiras para discutir a proteção de infraestruturas críticas no ambiente marítimo.
A edição deste ano teve como diferencial a participação ampliada de delegações internacionais, fortalecendo o intercâmbio de experiências sobre a segurança dos cabos submarinos — responsáveis por transportar a maior parte do tráfego global de dados e essenciais para as comunicações, a economia digital e a defesa.
O Contra-Almirante Alvaro Lemos destacou que o workshop aprofunda debates iniciados em anos anteriores e reforça a importância da cooperação entre instituições civis e militares para prevenir incidentes que comprometam serviços estratégicos. O GSI também ressaltou que a proteção desses cabos está prevista nas diretrizes da Política Nacional de Segurança e é tratada de forma estruturada pelo governo federal desde 2006.
O Comandante do Submarine Group Two da Marinha dos Estados Unidos, Rear Admiral Melvin R. Smith, afirmou que a proteção de cabos submarinos exige coordenação internacional, destacando que nenhuma nação consegue garantir, sozinha, a segurança dessa infraestrutura. Segundo ele, a cooperação entre países amplia a consciência situacional marítima, facilita o compartilhamento de boas práticas e fortalece a capacidade de resposta a ameaças no ambiente submarino. Smith também ressaltou que fóruns como o workshop promovem interoperabilidade entre governos, Forças Armadas, academia e setor privado, contribuindo para um ambiente marítimo mais seguro e resiliente.
A Agência Nacional de Comunicações de Portugal também reforçou a importância da cooperação. O coordenador João Alves afirmou que exercícios conjuntos envolvendo empresas, órgãos públicos e instituições de defesa aumentam a capacidade de resposta a incidentes e fortalecem a resiliência das infraestruturas críticas.
Segundo dados da TeleGeography, mais de 95% do tráfego global de dados circula por cabos submarinos, o que torna sua proteção essencial para a segurança nacional e o funcionamento da economia digital. Representando a Petrobras, o engenheiro Roque André Ciufo Poeys destacou a relevância desses cabos para as operações da companhia.
Os cabos submarinos são classificados como infraestrutura crítica, e a Petrobras mantém cerca de 600 quilômetros instalados, com expansão prevista para aproximadamente 2.200 quilômetros. Segundo a companhia, a ausência dessa estrutura pode comprometer as operações essenciais das plataformas, o que reforça a importância da atuação da Marinha do Brasil na proteção desses ativos.
Para o diretor de Conectividade da Ascenty Data Center, Eduardo Pereira, o workshop representa uma oportunidade de fortalecer a segurança das infraestruturas que sustentam a economia digital. Ele destacou que o aumento da demanda por processamento de dados, impulsionado por tecnologias como inteligência artificial, exige maior integração entre data centers, redes de telecomunicações e cabos submarinos.
Durante os três dias de evento, especialistas nacionais e internacionais discutiram medidas de proteção física e cibernética dos cabos, além de propostas para aprimorar a coordenação entre os diversos setores envolvidos na segurança dessas infraestruturas estratégicas.
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