A Prysmian e a Ufinet Brasil firmaram uma parceria para implantar uma rede subterrânea de 30 km destinada à interconexão de data centers hiperescala em Alphaville, Barueri (SP). O projeto adota a tecnologia Sirocco, da Prysmian, que eleva a densidade de fibras e otimiza o uso de dutos existentes, um desafio em grandes centros urbanos como São Paulo.

A versão utilizada, SiroccoHD, alcança densidade de 8,6 F/mm² e permite instalar 432 fibras ópticas em um microduto de 12x10 mm. Em dutos legados de 40 mm, a solução permite subdutagem de até três microdutos, ampliando a capacidade para 1.296 fibras. O avanço representa um salto em relação às gerações anteriores de microcabos, que evoluíram de 72 fibras nos anos 1990 para 288 nos anos 2010. Globalmente, a Prysmian já opera versões com até 1.728 fibras.

No projeto com a Ufinet e a Duraline, foi adotado o cabo de 432 fibras, triplicando a capacidade em relação aos microcabos convencionais usados no país. A solução também oferece vida útil de 50 anos e utiliza fibra monomodo BendBright-XSTM 200 µm, insensível a curvaturas e compatível com redes legadas.

A linha Sirocco é voltada para redes subterrâneas de alta densidade, atendendo às demandas de FTTx, 5G e de infraestrutura de nuvem, com ganhos em eficiência operacional e redução do impacto ambiental.

A Prysmian afirma que o projeto evidencia a capacidade da empresa de desenvolver soluções de alta densidade combinando sua tradição em P&D com a atuação local. Segundo Lucas Nogueira, gerente de P&D, Inovação e Sustentabilidade, o SiroccoHD responde a um desafio central dos grandes centros urbanos: ampliar a capacidade de fibras utilizando a infraestrutura já instalada. Ele destaca que a tecnologia triplica a densidade por duto e viabiliza projetos estratégicos de interconexão entre data centers hiperescala, reforçando a competitividade do Brasil na transformação digital.

Para a Ufinet, o projeto está alinhado à missão de ampliar a oferta de conectividade de alta qualidade. O diretor comercial Thiago Leite afirma que a região de Barueri e Santana de Parnaíba concentra alguns dos principais polos de infraestrutura digital do país, o que exige soluções capazes de atender à crescente demanda por capacidade e ao melhor aproveitamento das redes existentes.

A iniciativa ocorre em um momento de forte expansão do setor de data centers. Relatório da Moody’s estima que os investimentos globais devem atingir 3 trilhões de dólares (14,9 trilhões de reais) nos próximos cinco anos. No Brasil, projeções citadas pelo portal NeoFeed apontam aportes de cerca de 500 bilhões de reais até 2030, elevando a capacidade instalada de 730 MW para 3,2 GW. O movimento é impulsionado por IA, computação em nuvem e digitalização, além do diferencial da matriz elétrica majoritariamente renovável.