O BNDES estimou em até 34 bilhões de reais os recursos de linhas incentivadas disponíveis para financiar projetos de armazenamento de energia no primeiro leilão do setor, mas avaliou que fontes adicionais de financiamento ainda serão necessárias, segundo Alexandre Siciliano Esposito, chefe do departamento de transição energética e clima do banco, na sexta-feira, 11 de setembro, em matéria da Folha de S.Paulo.
Esposito afirmou que a indicação preliminar de R$ 34 bilhões considera tanto o Fundo Clima, voltado a iniciativas de transição energética e descarbonização, quanto o programa BNDES Mais Inovação, linha de caráter mais transversal, com orçamento menor, destinada a diferentes tipos de inovação e digitalização. Segundo ele, uma definição mais precisa do montante só deve ocorrer até o fim do ano, com as discussões da lei orçamentária de 2027. O executivo indicou que o Fundo Clima tende a ser o principal veículo de financiamento, já que os sistemas de armazenamento de energia (BESS) pontuam mais do que outras tecnologias renováveis no fundo.
A declaração de Esposito ocorreu em um evento da consultoria CELA e do IFC (Banco Mundial). Ele também apontou limitações que devem reduzir o desembolso efetivo por projeto. No caso do Fundo Clima, o limite é de R$ 1 bilhão por grupo econômico a cada 12 meses. Segundo ele, esse teto deve levar clientes com portfólios bilionários a recorrer ao leilão e a estratégias de financiamento combinado, buscando recursos no mercado de capitais, em debêntures e em organismos multilaterais.
O executivo também avaliou que a necessidade de financiamento tende a crescer junto com a demanda por contratação de baterias no leilão, que classificou como potencialmente "explosiva", lembrando que o último leilão de capacidade para térmicas e hídricas somou mais de R$ 60 bilhões em investimentos em tecnologias tradicionais.
Esposito mencionou ainda que o BNDES vem trabalhando com fornecedores de baterias para viabilizar a nacionalização de projetos participantes do leilão, que contará com uma disputa específica para equipamentos com conteúdo nacional. De acordo com o site do banco, WEG, Moura, You.On, TBEA, Gotion, Trina e BYD já declararam compromisso de fabricar localmente BESS, embora ainda precisem cumprir etapas técnicas de comprovação do conteúdo nacional.
O primeiro leilão brasileiro de armazenamento de energia, previsto para dezembro, recebeu um cadastramento recorde de mais de 296 GW de projetos, que ainda passarão por análise e habilitação técnica. O certame é visto pelo setor elétrico como estratégico para ampliar a segurança energética do país diante do crescimento das fontes renováveis e já mobiliza investidores nacionais e estrangeiros do setor.
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