A Nutanix, empresa do setor de computação híbrida multicloud, divulgou na manhã de terça-feira, 23 de junho, os resultados do Enterprise Cloud Index (ECI), estudo realizado pela Wakefield Research que avalia a adoção de nuvem, containerização e aplicações de inteligência artificial nas empresas. Os resultados foram apresentados por Leonel Oliveira, diretor-geral da Nutanix Brasil, e por Marlon Menezes, AI Ecosystem Leader, em um evento online para a imprensa especializada. Os executivos destacaram que as empresas avançam na adoção de IA, mas ainda carecem de maturidade para mitigar os riscos associados.
A edição de 2025 do ECI, que ouviu 1.600 executivos em todo o mundo, incluindo líderes no Brasil, indica que a IA deixou de ser um projeto experimental e passou a ser uma demanda de negócios. Apesar disso, a infraestrutura e os mecanismos de governança ainda não acompanham esse ritmo.
O recorte brasileiro mostra que a IA tem acelerado a modernização das infraestruturas de TI, mas também evidencia fragilidades na governança, na integração entre áreas e no controle do uso dessas tecnologias.
As organizações brasileiras têm ampliado o uso de contêineres para executar aplicações de inteligência artificial, impulsionadas pela necessidade de proteger dados e torná-los mais portáveis. Segundo o levantamento, 81% dos executivos de TI no Brasil e 87% no cenário global esperam aumentar o nível de containerização nos próximos três anos.
No país, 86% dos entrevistados afirmam que a IA acelera significativamente a adoção de contêineres, e 32% percebem essa aceleração em larga escala. Entre os que já utilizam containers para aplicações de IA, 71% desenvolvem novas soluções nesse modelo, seja como estratégia principal ou em combinação com a modernização de sistemas legados.
Os principais motivadores para ampliar o uso de contêineres nos próximos 12 meses incluem ganhos de desempenho, citados por 48% dos executivos brasileiros, especialmente em velocidade, confiabilidade e escalabilidade. Globalmente, 85% dos participantes também apontam a IA como fator de aceleração dessa adoção.
Durante a apresentação, Leonel Oliveira apresentou um panorama da atuação da Nutanix no Brasil, que completa 13 anos de operação, e destacou os resultados globais mais recentes da empresa. No terceiro trimestre fiscal de 2025, a receita recorrente anualizada alcançou 2,4 bilhões de dólares (12,1 bilhões de reais), com cerca de 32 mil clientes no mundo.
No mercado brasileiro, a base de clientes cresce aproximadamente 16% ao ano, e a adoção do Acropolis Hypervisor (AHV), tecnologia própria da companhia, chega a 92%, índice superior à média global. Oliveira ressaltou ainda o desempenho do Net Promoter Score (NPS), que permanece acima de 90 há uma década.
Segundo ele, esse nível de satisfação é um dos principais diferenciais da empresa. A Nutanix afirma ter, atualmente, o terceiro maior NPS do mundo entre empresas de qualquer setor.
O estudo aponta que, apesar dos avanços tecnológicos, a governança de inteligência artificial ainda é um desafio para as empresas brasileiras. Para 81% dos executivos no país e 87% no cenário global, o uso de ferramentas e agentes de IA sem supervisão formal representa risco para o negócio. A percepção se confirma na prática: 74% dos entrevistados no Brasil já identificaram aplicações ou agentes de IA implementados por colaboradores fora da área de TI, proporção próxima à média global de 79%.
A falta de alinhamento entre as áreas também constitui um obstáculo. Segundo 82% dos respondentes, a existência de silos entre as equipes de negócio e de TI prejudica a execução eficaz de iniciativas tecnológicas. À medida que a IA se dissemina, cresce a necessidade de integração para reduzir os riscos associados à exposição de dados sensíveis e de propriedade intelectual.
A soberania de dados surge como prioridade estratégica para 72% dos executivos brasileiros, ainda que abaixo da média global de 80%. Além disso, 57% dos entrevistados afirmam ter necessidade de operar infraestrutura no país, seja em ambientes on-premises ou em regiões locais de nuvem, por exigência de clientes ou de outros stakeholders. Marlon Menezes trouxe um dado relevante sobre a evolução regulatória no Brasil: a Portaria MGI 3.485, do Ministério da Gestão e da Inovação, transformou as diretrizes do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) em normas com força legal. O que antes era uma recomendação agora é obrigação, com supervisão humana como requisito para os sistemas de IA em uso no governo.
"Cada vertical da indústria, governo, finanças, manufatura e saúde está sendo direcionada e regulamentada por normativas para que eu possa cuidar da soberania, que cada vez mais vem sendo importante", afirmou Menezes, que citou ainda a primeira certificação da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS) como exemplo de que diferentes setores caminham, em velocidades distintas, para o mesmo destino: o controle sobre o dado.
O estudo também mostra que as empresas brasileiras tendem a executar aplicações conteinerizadas em ambientes on-premises ou em nuvens privadas (49%), mais do que em nuvens públicas (38%), reforçando uma abordagem híbrida com foco em controle e segurança. "Virtualização é aquele ambiente mais legado, mais estático. As coisas nascem, permanecem e são atualizadas em uma velocidade muito menor do que a de quem nasce em contêiner", comparou Menezes, usando uma analogia para ilustrar a diferença de filosofia entre as duas tecnologias: a virtualização seria um caminhão de mudança: leva carga de A para B com segurança e cuidado; o contêiner seria um aplicativo de transporte por demanda, mais ágil, capaz de aceitar novas corridas enquanto ainda está em movimento.
Para a Nutanix, a resposta ao desafio da coexistência entre virtualização e containerização passa por uma plataforma unificada, uma única interface de gestão, as mesmas ferramentas de rede e segurança para os dois ambientes, reduzindo a fricção entre equipes que, nas palavras de Menezes, muitas vezes se comportam como "facções rivais" dentro da mesma TI.
Globalmente, 59% das organizações esperam ter mais de cinco aplicações habilitadas por IA nos próximos três anos. No entanto, 82% afirmam que sua infraestrutura atual ainda não está preparada para suportar cargas de trabalho de IA on-premises, o que revela um descompasso entre a ambição e a capacidade tecnológica.
Para Leonel Oliveira, as empresas precisam garantir segurança, resiliência, flexibilidade e portabilidade para sustentar workloads de IA em qualquer ambiente. Ele destaca que os desafios se multiplicam e exigem que líderes de diversas áreas assegurem governança e valor real no uso da tecnologia.
Pelo oitavo ano consecutivo, a Nutanix encomendou à Wakefield Research um estudo global para avaliar o estado da adoção de nuvem, de containerização e de aplicações com IA generativa.
A pesquisa foi realizada entre 13 e 23 de novembro de 2025, com 1.600 executivos das áreas de nuvem, TI e engenharia em 14 países.
No Brasil, foram entrevistados 100 executivos com nível mínimo de gerente, em empresas com 500 ou mais funcionários. Para o recorte brasileiro, a margem de variação é de ±9,8 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
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