fibrebond
– Fibrebond

A demanda crescente por infraestrutura de data centers, impulsionada pelos avanços da computação em nuvem e, mais recentemente, pelas aplicações de inteligência artificial (IA) e modelos de linguagem, vem desafiando o crescimento e a sustentabilidade do setor. O avanço acelerado da IA tem pressionado os provedores de data centers, que agora enfrentam demandas muito superiores às suas capacidades atuais, especialmente em energia e escala de instalações. Esse crescimento exponencial e a rápida evolução tecnológica trazem desafios críticos relacionados ao consumo energético, eficiência operacional e risco de obsolescência.

De acordo com Marcos Paraíso, vice-presidente de desenvolvimento e negócios da Modular Data Centers, a chegada de modelos como o ChatGPT e outros sistemas de IA generativa, baseados em LLMs (Large Language Models), impulsionou uma nova onda de demanda no setor. O mercado, que já vinha aquecido com a expansão da computação em nuvem, agora opera no limite em áreas como geração e distribuição de energia, fornecimento de componentes e construção de novas instalações.

“As projeções indicam que o crescimento do setor poderá variar entre 20% e 35% ao ano na próxima década, se as tendências atuais se mantiverem. Esse avanço cria um gargalo estrutural, resultando em um déficit projetado de até 13 GW de capacidade nos EUA até o final da década. Ou seja, o modelo atual encontra limites que podem travar o seu crescimento”, destaca Paraíso.

Os data centers são fundamentais para o funcionamento das empresas, processando e armazenando dados essenciais para suas operações. Com o avanço da tecnologia e a digitalização acelerada dos negócios, cresce também a demanda por energia e infraestrutura digital. Esse crescimento exige cada vez mais eficiência na operação dos data centers.

Soluções mais sustentáveis, como a utilização de componentes modulares pré-fabricados e sistemas de refrigeração líquida, tornam-se urgentes para atender às novas necessidades sem comprometer o meio ambiente. Segundo Paraíso, é essencial adotar uma nova abordagem, que permita que as instalações sejam ajustadas gradualmente, acompanhando a evolução tecnológica dos servidores.

“O desafio não é apenas expandir a capacidade computacional, mas fazer isso de forma sustentável. Os modelos tradicionais de data centers não foram pensados para o crescimento rápido e exponencial provocado pela IA. Precisamos de soluções que unam alta performance, eficiência energética e velocidade de implantação”, afirma.

Segundo ele, os novos requisitos de potência exigem uma revisão completa da arquitetura dos data centers, com destaque para a distribuição de energia e os sistemas de refrigeração. Tecnologias como a refrigeração líquida direta nos chips tornam-se essenciais para lidar com a alta densidade térmica, que pode ultrapassar 200 kW em um único gabinete de servidores. Além disso, começam a ser discutidas alternativas inovadoras para a oferta de energia, como pequenos reatores nucleares modulares, capazes de abastecer localmente grandes instalações sem a necessidade de ampliação da infraestrutura de distribuição convencional.