O Google anunciou um novo sistema de refrigeração de código aberto, montado em rack e de circuito fechado do tipo líquido-ar, destinado a ser utilizado em ambientes já existentes com refrigeração a ar.

O novo sistema, denominado Brazos, foi concebido para permitir a instalação, uma de cada vez, de equipamento de refrigeração líquida de alta densidade.

image1_qDK9NzQ.max-1600x1600 (1)
Design do sidecar do Brazos, do Google – Google

O Brazos já se encontra disponível ao público em geral. O Google afirmou que seus fornecedores de fabricação estão "prontos para colaborar com o setor em geral na comercialização e produção do projeto Google Brazos".

O Google afirmou que o Brazos permitirá um resfriamento líquido de alto desempenho com a simplicidade operacional dos sistemas de ar padrão.

O sistema é autônomo e funciona captando o calor através de líquido ao nível dos componentes, para depois rejeitá-lo no corredor quente do data center, utilizando trocadores de calor líquido-ar.

É modular, incluindo três unidades de refrigeração e coletores de rack integrados. Cada chassi ocupará 11 unidades de altura aberta de rack e é compatível com racks padrão com o formato ORv3 do Open Compute Project.

O Brazos suporta uma carga térmica nominal de 60 kW por rack distribuída por três unidades modulares e é compatível tanto com água desionizada como com uma mistura de 25% de propilenoglicol. Funciona com uma entrada de 40-60 V CC, ligando-se diretamente às barras de distribuição padrão do rack.

O Google afirmou que o sistema está certificado conforme as normas UL/CSA/IEC 62368-1 e possui detecção de fugas e válvulas de alívio de pressão integradas.

Inclui ainda uma interface homem-máquina integrada com gestão remota, ligada através de Modbus sobre TCP.

O Google afirmou que tenciona disponibilizar em código aberto as especificações técnicas, os princípios de conceção e os recursos visuais do Brazos.

"Como parte de um portfólio de infraestruturas mais abrangente que continua a tirar partido de sistemas de resfriamento a ar sem água, bem como de resfriamento líquido, o Brazos representa uma das muitas inovações com a qual contribuímos para o ecossistema de hardware aberto", afirmou o Google em publicação no site.

"Convidamos arquitetos de sistemas, fabricantes e engenheiros térmicos a avaliar esses projetos para dimensionar a infraestrutura de refrigeração montada em rack, de modo a responder às exigências de computação de alta potência do futuro".

Com o Brazos, o Google expande as adaptações de densidade de código aberto aos projetos de alimentação e refrigeração em rack. Essas atualizações são impulsionadas pelos requisitos da IA quanto à densidade de potência nos racks, o que se mostrou complexo de implementar tanto em novos desenvolvimentos quanto em remodelações.

Em 2024, a Microsoft e a Meta anunciaram o Mount Diablo, um projeto de rack aberto para data centers de IA que separa a alimentação e a computação em racks diferentes, com o objetivo de resolver a mesma questão. Em vez de ter os dois elementos no mesmo rack, o de alimentação funciona como uma unidade lateral, com o espaço principal do rack dedicado à computação.

O Google também se envolveu no Mount Diablo no âmbito do Open Compute Project, contribuindo para a normalização das interfaces elétricas e mecânicas e desenvolvendo, em conjunto com a Meta e a Microsoft, um rack de alimentação "sidecar" de CA para CC, para permitir que o espaço do rack principal seja utilizado para GPUs, TPUs e CPUs. A longo prazo, o Google afirmou que irá explora a distribuição direta de energia CC de alta tensão dentro do data center e para o rack.

A Amazon Web Services (AWS) também explorou soluções personalizadas de refrigeração líquida utilizando um design de "sidecar" semelhante. Denominado "In Row Heat Exchanger", o design da AWS pode ser instalado de forma semelhante sem a necessidade de ajustar os designs mecânicos refrigerados a ar.

*Texto traduzido e editado ao português por Bruno Faria