O Gartner identificou as principais tendências tecnológicas para o setor público, refletindo a pressão sobre líderes governamentais para modernizar operações, fortalecer a cibersegurança, governar a IA em escala e atender às crescentes expectativas dos cidadãos em meio a incertezas econômicas e geopolíticas.
Segundo Dean Lacheca, vice-presidente analista do Gartner, os CIOs de governo enfrentam um dos períodos mais disruptivos das últimas décadas: a IA está transformando a prestação de serviços públicos, as ameaças cibernéticas evoluem mais rápido do que as defesas tradicionais, e os órgãos públicos precisam fazer mais com recursos limitados. Para ele, o desafio atual não é mais identificar oportunidades tecnológicas, mas construir organizações capazes de se adaptar com agilidade suficiente para aproveitá-las.
A consultoria destaca três tendências principais para orientar investimentos e estratégias em 2026:
A primeira diz respeito à gestão dos efeitos da IA agêntica, que deve ganhar espaço nas operações governamentais, aprimorando a experiência dos cidadãos e automatizando processos decisórios. Lacheca afirma que o debate sobre IA precisa deixar de focar na implementação tecnológica e passar a priorizar a transformação organizacional, com governança moderna e capacitação da força de trabalho. Segundo o Gartner, muitos governos já exploram estruturas de governança e identidades digitais para sustentar o uso crescente de agentes de IA, além de roadmaps baseados em resultados mensuráveis.
A segunda tendência aponta para a necessidade de uma cultura de evolução contínua em cibersegurança, diante dos avanços em IA, das tensões geopolíticas e da computação quântica. Lacheca argumenta que a cibersegurança não pode mais ser tratada como uma função estática, já que a IA reduz o intervalo entre a descoberta de vulnerabilidades e sua exploração, enquanto a computação quântica exige repensar a proteção de dados sensíveis. O Gartner recomenda automatizar operações de segurança, ampliar a visibilidade digital da cadeia de suprimentos, preparar-se para a criptografia pós-quântica e reforçar a governança da soberania de dados.
A terceira tendência envolve repensar a prestação de serviços tecnológicos no governo, à medida que as forças de trabalho mais digitalizadas exigem novos modelos operacionais e estruturas de governança adaptáveis. Para Lacheca, a tecnologia é apenas uma ferramenta — a transformação depende das pessoas — e as áreas de TI que se manterão relevantes serão as que investirem nas capacidades da força de trabalho e construírem modelos capazes de evoluir no mesmo ritmo da tecnologia. Uma pesquisa do Gartner com 1.219 CIOs e líderes de TI, realizada em janeiro de 2026, mostrou que 78% dos respondentes do setor governamental planejam investir em suas equipes para avançar em iniciativas tecnológicas prioritárias.
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