O movimento ambientalista Extinction Rebellion (XR) protestou contra um projeto de data center da Microsoft em Amsterdã, lançando balões cheios de ácido.
A organização afirmou que a manifestação decorreu durante a noite de 15 para 16 de julho, durante a qual os "rebeldes" atiraram balões de água cheios de "peróxido de hidrogênio, ácido acético, sal e tinta acrílica por cima da proteção, em direção ao concreto. Essa mistura ácida corrói o concreto, e o peróxido de hidrogênio faz com que o aço enferruje mais rapidamente".
Segundo a XR, a manifestação sinaliza que o grupo se juntou à campanha do Geef Tegengas — um coletivo holandês pela justiça climática — contra o data center localizado perto da Estação de Sloterdijk.
O porta-voz do XR, Martijn Dekker, afirmou: "A luta contra os data centers mostra claramente como as pessoas comuns se unem contra o poder do grande capital. A crise climática e ecológica não pode ser vista isoladamente do genocídio dos palestinos por Israel nem da luta contra os efeitos destrutivos da IA".
"Esses abusos têm origem nos mesmos poucos megamilionários, nas mesmas grandes empresas. Temos de unir forças e resistir ao poder antidemocrático deste pequeno grupo dos mais ricos. Impedir a construção deste data center é um passo necessário nesse sentido".
O data center em questão está sendo construído pela Pure DC e, segundo consta, será alugado à Microsoft. O data center será dividido em três salas de dados com alturas que atingem 85 metros e terá uma capacidade de 78 MW. A Microsoft deverá ser também cliente da Pure DC na Finlândia.
De acordo com uma reportagem do NRC sobre o ataque do XR às instalações, a Pure DC e as equipes de emergência confirmaram que foram lançados balões contra o local, mas a Pure DC afirmou que o ato não teve qualquer impacto na construção e que a empresa iria mover uma ação judicial contra os responsáveis.
Em declaração à DCD, a Pure DC acrescentou: "Ontem de manhã, foram atirados balões por cima da proteção do perímetro das instalações da Pure DC em Amsterdã que, segundo os manifestantes, continham produtos químicos corrosivos. Embora ainda não tenhamos testado as substâncias para verificar de forma independente estas alegações, se forem verdadeiras, tais ações poderiam ter ferido gravemente manifestantes ou trabalhadores e são irresponsáveis e perigosas. A Polícia de Amsterdã foi informada e está investigando o assunto. Nessa ocasião, não se registraram danos e atrasos na construção, mas atividades dessa natureza constituiriam danos criminais graves, pelos quais moveremos uma ação judicial com todo o rigor da lei".
O XR disse ao NRC que planejava realizar ataques semelhantes em outros data centers.
Além das preocupações com o consumo de energia do data center, o consumo de água e a poluição sonora de baixa frequência — que, segundo o XR, "incomoda muito tanto os seres humanos como outros animais" —, o ataque foi também motivado pela colaboração da Microsoft com Israel, que já tinha sido alvo de protestos do grupo Geef Tegengas, quando estes realizaram ações no telhado de um data center na Holanda, afirmando que estavam "apelando a todos os funcionários do data center para que interrompessem o trabalho até que toda a informação dos serviços secretos israelenses fosse removida dos servidores".
O XR acrescentou: "Esses data centers são supérfluos. São, em sua maioria, implementados para fins de IA e, embora a IA tenha algumas aplicações significativas, a maioria delas é indesejável: perdem-se postos de trabalho e o trabalho de artistas e outros é descaradamente roubado para gerar conteúdo de IA".
*Texto traduzido e editado ao português por Bruno Faria
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