Na manhã de quinta-feira, 21 de fevereiro, a Amazul (Amazônia Azul Tecnologias de Defesa S.A.) sediou o workshop Nuclear 360° - "SMRs – A solução nuclear para Data Centers". O evento, organizado conjuntamente com a ABDAN (Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares) e a LZA Engenharia, ocorreu na sede da empresa no bairro do Butantã, zona oeste da cidade de São Paulo, e contou com a presença de diversas autoridades das áreas de energia nuclear e data centers.
O workshop teve falas, entre outros, de Celso Cunha, Presidente da ABDAN, o vice-almirante Newton Costa, Diretor-Presidente da Amazul, Renan Lima, Presidente da Associação Brasileira de Data Center (ABDC), Jan Carlos Sens, Diretor da LZA Engenharia, Carlos Leipner, Vice-Presidente do Conselho Curador da ABDAN, Carlos Alberto Aragão, Diretor de Desenvolvimento Científico e Tecnológico da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), Leonardo Dalaqua Junior, Coordenador Técnico Nuclear da Amazul. O Almirante Bento Albuquerque, ex-ministro das Minas e energia, também esteve presente no evento.
Para Celso Cunha, a energia nuclear foi redescoberta nos dias de hoje e uma das vedetes disruptivas na questão da produção de energia são os SMRs (pequenos reatores modulares). Esse reatores podem trabalhar 24 horas por dia, sete dias por semana e não estão sujeitos às intempéries, caso da geração elétrica. A matriz elétrica, diz Cunha, é confiável, mas tem alguns problemas como, por exemplo, estar muito interligada. Isso faz com que uma interrupção em algum ponto possa causar uma queda de energia generalizada. Segundo Celso Cunha, o hidrogênio é uma tecnologia que ainda precisa se provar, especialmente por seus altos custos. Já a energia nuclear, além de ser vista hoje como fundamental na transição da matriz energética global, é algo que já vem sendo utilizado desde os anos 40 do século passado e já teve suas crises, como o acidente da usina ucraniana de Chernobyl e Fukushima, no Japão, quando um terremoto seguido de um tsunami causou um desastre.
Os SMRs, além de não estarem sujeitos às condições climáticas, são sistemas passivos, isto é, podem ser desligados ao menor sinal de problema. Os SMRs são capazes de gerar de 100 a 300 megawatts de energia e podem ser uma solução para a crescente necessidade de energia dos data centers que não vai diminuir nos próximos anos. De acordo com Carlos Leipner, da ABDAN, a fonte nuclear será fundamental para satisfazer essa demanda dos data centers. O especialista indica que, por ano, são gastos mais de um trilhão de dólares (5,7 trilhões de reais) em investimentos globais na transição energética, mas muito pouco desse valor na energia nuclear, que representa de 9% a 10% da matriz energética mundial e, sem a utilização dessa tecnologia, não será possível realizar a transição e cumprir as metas de descarbonização.
Renan Lima, presidente da ABDC, afirma que o Brasil tem a capacidade de atrair hiperescalas, mas precisa resolver a questão do fornecimento de energia. Para Lima o país não pode perder essa janela de oportunidades para contar com essas empresas aqui e a adoção dos SMRs, por serem estruturas de montagem mais rápida – além da questão da geração de energia – é algo que pode ser fundamental na transformação do Brasil em um dos grandes hubs mundiais de data centers.
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