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Leila Sterenberg e Rogério Zampronha – Bruno Faria

Na manhã de terça-feira, 19 de agosto, a Prumo Logística realizou seu evento Prumo Day 2025 na cidade de São Paulo. O Prumo Day, que está em sua 4ª edição – a segunda na capital paulista – discutiu os impactos da Inteligência Artificial na indústria e como o Brasil pode liderar o mercado global de combustíveis do futuro. Com apoio da Editora Globo e do jornal Valor Econômico, também do Grupo Globo, o evento reuniu executivos e imprensa especializada e contou com a presença de Pedro Malan, ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central, hoje sócio da consultoria Moura Rocha & Malan, como keynote speaker.

O evento foi conduzido pela jornalista Leila Sterenberg e a fala de abertura coube a Rogério Zampronha, CEO da Prumo Logística. O executivo destacou a estratégia bem-sucedida da empresa de se reposicionar como um "porto da transição energética" nos últimos quatro anos, demonstrando um crescimento exponencial e sua relevância no cenário brasileiro, com o Porto do Açu (porto privado na região de São João da Barra – RJ, gerido por uma parceria entre a Prumo Logística, controlada pelos fundos de investimentos EIG e Mubadala, e o Porto de Antuérpia-Bruges International), que movimenta 6% do PIB do país, celebrando 10 anos de operação e se destacando em diversas áreas como exportação de petróleo e geração de energia.

Após sua fala, Rogério Zampronha foi entrevistado por Sterenberg e reafirmou o Porto do Açu como um hub logístico e de inovação no Brasil. Zampronha falou sobre a vantagem competitiva que o porto oferece às empresas instaladas, destacando a agilidade da gestão privada e a redução do "custo Brasil" através da eficiência e tecnologia. Indicou o papel do porto na descarbonização, mencionando projetos como a produção de amônia verde e combustíveis do futuro, além de sua própria usina com baixas emissões. Rogério Zampronha finalizou a entrevista apresentando a inovação como um diferencial crucial, com foco na criação de um ecossistema competitivo e soluções para exportação de produtos sustentáveis.

A primeira mesa do evento contou com Cleber Morais, Diretor da Amazon Web Services no Brasil, e Stephen Potter, CEO da Tecnored. A conversa abordou a inovação e sustentabilidade em dois setores essenciais: a siderurgia e a tecnologia. Na siderurgia, o foco está na descarbonização através de novas tecnologias como o ferro briquetado a quente (HBI) e o uso de biomassa, aproveitando o minério de ferro de alta qualidade e a energia renovável do Brasil. Em tecnologia, a discussão se concentra no impacto transformador da inteligência artificial (IA), desde sua aplicação em diversos setores para aumentar a produtividade e a receita, até a necessidade de capacitação e o potencial do Brasil como polo de inovação e data centers.

Sobre os data centers, Cleber Morais da AWS afirmou que são uma infraestrutura fundamental para a tecnologia e inovação, especialmente para a inteligência artificial (IA). A empresa possui 36 e está construindo mais 16 globalmente. Além disso, a AWS tem uma preocupação constante com a redução do consumo, e seus novos processadores são 10 vezes mais eficientes que os anteriores. A empresa está comprometida em zerar o consumo de carbono até 2040 e, no Brasil, utiliza plantas eólicas e solares, comprando 100% de energia renovável. Alguns dos pontos destacados por Morais:

  • A AWS possui data centers nos Estados Unidos, Europa e Ásia.
  • O Brasil foi o oitavo país a receber investimento da AWS para uma região de data centers.
  • Uma região de data center é um cluster de data centers com uma distância de até 50 km entre eles, e uma região média é composta por mais de 50 data centers.
  • Recentemente, a AWS investiu na América Latina, trazendo investimentos para o México e o Chile.
  • No Brasil, a empresa já investiu mais de 5,6 bilhões de dólares (30,5 bilhões de reais) nos últimos 14 anos para formar uma base de inovação tecnológica.

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Pedro Malan – Bruno Faria

A segunda mesa teve a presença de Clara Bowman, COO e integrante do Conselho da HIF Global, e Alessandro Gardemann, fundador da Geo Energética e CEO da Geo Bio Gas & Carbon, em que discutiram futuro da energia através de e-combustíveis e biogás, destacando a importância da transição energética e da descarbonização. Os painelistas apresentaram a produção de e-combustíveis a partir de energia renovável, hidrogênio verde e carbono capturado, e a geração de biogás em larga escala no Brasil. A discussão girou em torno da redução de custos e da escalabilidade para tornar essas alternativas competitivas com os combustíveis fósseis, reconhecendo a necessidade de incentivos regulatórios para impulsionar o mercado. O Brasil é visto como um ator crucial devido aos seus abundantes recursos e potencial para produção eficiente.

O keynote speaker Pedro Malan abriu sua participação refletindo sobre a incerteza do futuro, citando pensadores como Bertrand Russell e Eric Schmidt, para introduzir a discussão sobre o contexto econômico e político global e o lugar do Brasil. Malan abordou a evolução do sistema financeiro internacional desde o pós-Segunda Guerra Mundial, incluindo a criação de instituições como o FMI e o Banco Mundial, e a ascensão e eventual flexibilização do dólar como moeda de referência. O ex-ministro explorou momentos cruciais da história econômica, como a crise do petróleo na década de 1970, o período de estagnação no Brasil e a crise financeira de 2007-2009, ressaltando o impacto da globalização e a necessidade de inovação e investimento em capital humano.