O setor de tecnologia da informação no Brasil alcançou 67,8 bilhões de dólares (338 bilhões de reais) em receita, o que o coloca entre os dez maiores mercados globais do segmento, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES). O resultado representa crescimento de 18,5% e reforça a presença brasileira no cenário internacional.

A projeção para 2026, porém, indica desaceleração para 5,3%, em linha com a mudança de foco das empresas, que passam a priorizar a eficiência, o retorno sobre o investimento e o uso estratégico da tecnologia.

O volume movimentado pelo setor chama a atenção: a receita supera, por exemplo, o PIB de Camarões, estimado em cerca de 65,14 bilhões de dólares (324,8 bilhões de reais). O avanço consolida a tecnologia como um dos motores da economia nacional, com impacto direto na produtividade, na inovação e na competitividade.

A expectativa de desaceleração do setor de tecnologia da informação em 2026 marca uma mudança de comportamento no mercado. Após um período de forte expansão e adoção acelerada de soluções digitais, as empresas entram em uma fase mais madura, voltada à extração de valor do que já foi implementado. Nesse cenário, decisões de investimento tornam-se mais criteriosas, com maior exigência de resultados mensuráveis, redução de custos e ganhos operacionais.

O mercado brasileiro de TI é composto por diferentes segmentos que contribuem para explicar sua relevância econômica. Entre eles estão o desenvolvimento de sistemas, aplicativos e plataformas corporativas; serviços de consultoria, integração, suporte técnico e outsourcing; equipamentos e infraestrutura tecnológica; além de soluções de armazenamento, processamento e análise de grandes volumes de dados. Esses pilares sustentam a digitalização de setores como finanças, saúde, indústria e varejo, ampliando o impacto da tecnologia na economia real.

A presença do Brasil entre os dez maiores mercados globais reflete um movimento mais amplo: a tecnologia deixou de ser apenas um suporte operacional e passou a ocupar posição central nas estratégias de negócios, influenciando a produtividade, a inovação e a competitividade.

Felipe Cardoso, CEO da Rank Certo, avalia que o momento atual do setor de tecnologia exige uma mudança de postura por parte das empresas. Segundo ele, o ciclo anterior foi marcado pela corrida para digitalizar operações, enquanto a fase atual exige foco em resultados. Para o executivo, não basta adotar ferramentas tecnológicas — é necessário comprovar o retorno, a eficiência e o impacto direto no desempenho dos negócios.

Cardoso destaca ainda que o cenário favorece organizações capazes de integrar tecnologia e estratégia. Com a maior maturidade do mercado, áreas como marketing digital, SEO e análise de dados ganham relevância por contribuírem para transformar investimentos em receita, produtividade e vantagem competitiva.

Especialistas apontam que a desaceleração prevista para 2026 é típica de mercados mais desenvolvidos. O setor entra em uma etapa considerada mais sustentável, marcada por investimentos qualificados e maior rigor na medição de desempenho. Esse movimento tende a beneficiar empresas mais estruturadas, que conseguem otimizar processos e alinhar tecnologia aos objetivos estratégicos.