O apagão elétrico que afetou Portugal e Espanha no último dia 28 de abril, deixando milhões de pessoas sem fornecimento, evidenciou a fragilidade das infraestruturas energéticas do país. Durante várias horas, residências, empresas, hospitais, comércios e serviços públicos ficaram completamente paralisados. Meios de transporte, comunicações e outras atividades econômicas também foram impactados, incluindo a segurança de pessoas vulneráveis.
Nesse contexto, como um país pode se preparar para mitigar os efeitos de um apagão elétrico dessa magnitude no futuro? A Eaton, empresa especializada em soluções de gestão de energia, destaca cinco soluções-chave que podem aumentar a resiliência energética em diferentes níveis, desde residências até cidades inteiras.
“O aumento da demanda energética, os fenômenos meteorológicos extremos, a digitalização acelerada de serviços críticos, os ciberataques e até mesmo possíveis falhas técnicas aumentaram a complexidade da rede elétrica nacional”, afirma José Antonio Afonso, Segment Manager da Eaton Ibéria. “Temos uma oportunidade histórica: modernizar sua rede elétrica, descentralizar a produção e adotar tecnologias avançadas. Empresas, administrações locais, gestores de infraestrutura, o setor público e os cidadãos podem começar a adotar soluções escaláveis, que vão desde um pequeno no-break em casa até sistemas de armazenamento ou microrredes comunitárias”.
Tecnologias-chave para reduzir o impacto dos apagões
Unidade de alimentação ininterrupta (UPS)
São dispositivos acessíveis a qualquer usuário e permitem manter o fornecimento elétrico ativo em caso de corte de energia, garantindo minutos críticos de autonomia para ativar uma fonte secundária, além de proteger os equipamentos contra picos de tensão ou quedas súbitas. Por isso, são fundamentais em locais onde a continuidade da energia é crucial, como hospitais ou instalações industriais. Durante o apagão, muitos serviços ficaram inativos por não contarem com esse tipo de proteção básica. Seu uso em residências também é muito útil, especialmente para quem trabalha remotamente.
Armazenamento de energia (ESS)
O armazenamento em baterias de médio e grande porte permite acumular energia durante períodos de baixa demanda ou alta geração renovável, oferecendo independência energética parcial e liberando eletricidade em momentos críticos. É uma solução útil que garante operação autônoma por horas em setores industriais, edifícios residenciais ou centros logísticos.
Microrredes inteligentes (microgrids)
As microrredes são redes elétricas locais que podem operar conectadas à rede principal ou de forma independente. Elas permitem uma gestão eficiente da energia em áreas específicas. Quando a rede nacional falha, uma microrrede possibilita que uma determinada zona continue operando sem depender do sistema geral. Para isso, incorporam fontes de geração como painéis solares ou turbinas eólicas de pequeno porte, armazenamento de energia e sistemas de controle inteligente. Podem ser especialmente úteis em áreas rurais, campi universitários ou infraestruturas críticas.
Gestão inteligente de energia e monitoramento
Sistemas de monitoramento e controle digital em tempo real estão ganhando importância para evitar interrupções não planejadas e proteger instalações sensíveis. Essas tecnologias permitem identificar consumos anômalos, otimizar o uso da energia e prevenir sobrecargas, além de possibilitar que gestores de energia se antecipem a falhas, redistribuam cargas ou ativem soluções de backup automaticamente.
Infraestruturas elétricas resilientes
Além das tecnologias individuais, o projeto das instalações elétricas deve considerar cenários de risco. Assim, infraestruturas que tenham um design integrado para garantir a continuidade operacional diante de qualquer interrupção e que possibilitem isolar falhas sem comprometer todo o sistema se tornaram essenciais. Em edifícios e centros críticos como hospitais, data centers ou instalações governamentais, isso requer segmentação de cargas, sistemas de transferência automática, redundância de circuitos e capacidade de operar em modo isolado (modo ilha) em caso de falha na rede principal.
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