O governo de São Paulo defende a inclusão do gás natural como combustível elegível na política federal de incentivo à instalação de data centers, o ReData, atualmente voltada prioritariamente a fontes renováveis, informa a agência Eixos.

Segundo a subsecretária de Energia e Mineração da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), Marisa de Barros, a exclusão do gás natural das diretrizes públicas para o setor pode criar barreiras desnecessárias à expansão da infraestrutura, sobretudo diante do aumento da demanda por energia elétrica.

Ela argumentou que limitar previamente esse tipo de projeto representa um prejuízo para a sociedade, considerando que já existe um arcabouço ambiental robusto e capaz de avaliar impactos e riscos. De acordo com Barros, os órgãos ambientais possuem competência técnica e regulatória para analisar, caso a caso, se uma termelétrica atende aos requisitos ambientais, incluindo o consumo de água, as emissões e os efeitos sobre a população local.

Lançado em setembro por meio da Medida Provisória 1.318/2025, o regime especial de tributação estabelece benefícios fiscais a empresas que investirem em infraestrutura digital sustentável no país. Entre os incentivos previstos estão isenções de PIS/Pasep, Cofins e IPI, condicionadas ao cumprimento de requisitos ambientais, como a utilização de energia considerada limpa ou renovável.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que a política não inclui a geração de energia termelétrica a partir de gás natural fóssil. Em resposta, entidades do setor energético, representantes da indústria e parlamentares têm defendido a incorporação dessa fonte ao programa.

São Paulo permanece um dos principais polos de instalação de data centers no Brasil, favorecido pela proximidade com o maior mercado consumidor de dados do país e pelas exigências de baixa latência para a operação dessas estruturas.

A subsecretária Marisa de Barros avalia que usinas termelétricas a gás natural, instaladas próximas aos centros de carga, podem desempenhar um papel estratégico no atendimento à demanda crescente por energia. Segundo ela, a geração local para data centers contribui para aliviar o Sistema Interligado Nacional (SIN), permitindo que o sistema atenda outros segmentos da economia.

Barros afirma que considerar termelétricas próximas aos centros de consumo é uma alternativa coerente com o planejamento energético. Ela destaca que a política paulista aposta em uma transição energética pragmática, baseada na combinação de diferentes fontes e tecnologias, evitando soluções exclusivas.

De acordo com a subsecretária, cabe ao poder público equilibrar metas de descarbonização, segurança energética e modicidade tarifária. Para ela, a energia deve ser limpa, segura e acessível, sem projetos que imponham custos excessivos ao consumidor. Barros defende que não se trata de optar exclusivamente por eletricidade renovável ou por gás natural, mas de adotar as soluções mais adequadas a cada contexto, responsabilidade que atribui à gestão pública.

O governo de São Paulo também considera o biometano uma alternativa relevante na estratégia de descarbonização do setor elétrico, inclusive para uso em termelétricas já em operação. A avaliação segue a lógica adotada por outros segmentos industriais, como o da fabricante de fertilizantes Yara, que iniciou a substituição gradual do gás natural pelo biometano em seu processo produtivo.

Segundo a gestão estadual, a experiência demonstra que a transição pode ocorrer de forma progressiva: empresas que utilizam gás natural podem incorporar pequenas parcelas de biometano e ampliar essa participação conforme a disponibilidade do insumo, seja em períodos específicos ou em modelos flexíveis.

A expectativa do governo paulista é atingir entre 700 mil e 750 mil metros cúbicos diários de capacidade instalada de produção de biometano até o fim deste ano. Para 2026, a projeção é alcançar quase 1 milhão de m³ por dia, considerando a oferta proveniente de resíduos do setor agroindustrial e de aterros sanitários.