A Equinix anunciou nesta quarta-feira (21) os Enhanced Performance Innovation Centers (EPIC), uma rede global de ambientes com resfriamento líquido prontos para produção. A proposta é permitir que empresas testem, construam e implantem infraestrutura de inteligência artificial (IA) de alta densidade com acompanhamento de especialistas da operadora e de parceiros de tecnologia. As unidades já estão em funcionamento em Frankfurt, Londres, Osaka, Paris e Sydney, e a companhia prevê abrir novos centros em 2027.

Segundo a empresa, a migração da IA da fase experimental para a de produção transformou a forma como a infraestrutura é resfriada, alimentada e conectada em um fator decisivo para a velocidade de implantação, os custos e o desempenho dos projetos. Plataformas de GPU cada vez mais potentes elevam a densidade por rack e ampliam a demanda por resfriamento líquido. A Equinix avalia que poucas organizações têm conhecimento interno suficiente para alinhar resfriamento, energia, redes e operação das instalações, e que falhas em qualquer uma dessas frentes podem comprometer um projeto inteiro, o que pressiona as empresas a ajustar a prontidão da infraestrutura ao ritmo de adoção da tecnologia.

A EPIC foi concebida para atacar esse gargalo. Dentro dos data centers em operação da Equinix, os clientes podem testar as plataformas mais recentes de GPU e CPU com resfriamento líquido ao lado de fabricantes de hardware e avaliar cargas de trabalho de treinamento e inferência de IA em condições reais. Com o apoio da equipe técnica da operadora, a ideia é identificar falhas operacionais e de infraestrutura antes da entrada em produção e embasar decisões de investimento no momento da expansão, encurtando o caminho entre a prova de conceito e o ambiente definitivo.

De acordo com Brian Stein, vice-presidente sênior de Produtos e Serviços de Infraestrutura da Equinix, o resfriamento líquido se tornou um componente indispensável da infraestrutura empresarial moderna e um requisito obrigatório para quem implanta IA. O executivo afirmou que a EPIC oferece um ambiente para testar, validar e construir com segurança antes que as empresas se comprometam com projetos em grande escala, e que a companhia está colocando sua presença global e seu ecossistema de parceiros a serviço dos clientes para acelerar a passagem da ideia inicial à produção.

Na prática, as equipes corporativas poderão trabalhar com a Equinix, seu ecossistema de parceiros e fabricantes de equipamentos (OEMs) na avaliação de conjuntos de resfriamento líquido em condições de campo, observando como os sistemas se integram. Também terão contato direto com as tecnologias em funcionamento, para entender como cada solução se adapta a ambientes específicos e esclarecer dúvidas operacionais antes do projeto definitivo. Como cada unidade funciona dentro de um data center ativo, os clientes conseguem operar o resfriamento líquido sob as mesmas condições que encontrarão em produção.

A iniciativa amplia a estrutura de inovação que a Equinix já mantém. Em 2022, a empresa abriu sua primeira Co-Innovation Facility, voltada para que parceiros testem novas tecnologias antes de sua chegada aos data centers — foi nesse ambiente que a operadora avaliou sistemas de resfriamento líquido bifásico da ZutaCore. A companhia também oferece os Solution Validation Centers, nos quais clientes validam arquiteturas e testam o suporte a ambientes distribuídos. Segundo a Equinix, a EPIC leva essa mesma abordagem prática ao resfriamento líquido e à implantação de IA de alta densidade.

A rede também se soma ao plano da empresa de oferecer suporte a resfriamento líquido direct-to-chip em mais de 45 regiões metropolitanas, entre elas mercados latino-americanos como o Brasil. Por aqui, ainda não há unidade da EPIC anunciada, mas o data center SP6, inaugurado em Santana de Parnaíba (SP), foi apresentado pela companhia como preparado para implantações com resfriamento líquido e cargas de trabalho de IA.

Entre os clientes que já passaram pelo processo está a Criteo. Matthieu Blumberg, vice-presidente sênior de Engenharia de Infraestrutura, Segurança e TI Interna e CISO da empresa, relatou que o resfriamento líquido era um território novo para a companhia e que, por isso, a confiança na tecnologia foi construída de forma gradual. Ele explicou que a IA da Criteo roda em uma arquitetura distribuída, na qual a infraestrutura precisa manter o mesmo desempenho em qualquer localidade, e que a equipe só avançou com a expansão depois de ver o resfriamento líquido funcionando na prática e entender o que é necessário para operá-lo bem. Segundo Blumberg, o acompanhamento da Equinix em todas as etapas e a possibilidade de validar tudo em um ambiente real transformaram o resfriamento líquido de uma dúvida em uma parte central da infraestrutura distribuída de IA da empresa.