Talento não tem gênero, no entanto, o setor de data centers e da tecnologia continua sendo predominantemente dominado pelos homens, apesar da contribuição feminina remontar ao século XIX com Augusta Ada King, como a primeira programadora da história, passando pela mais recente garota prodígio Luo Fuli, quem liderou o desenvolvimento do DeepSeek, fazendo o mercado tremer, desestabilizando mais de 1 trilhão de dólares das Big Techs.
Pouco a pouco, as mulheres vão marcando seu espaço neste setor, liderando a inovação e a gestão de data centers ao redor do mundo, desde cargos técnicos a mando, mas ainda há muito caminho para percorrer.
De acordo com pesquisa do Serasa Experian, de 2024, há menos de 1% de mulheres trabalhando com tecnologia no Brasil. Dentre as quais, 4 em cada 10 recebem salários entre 2.500 e 5 mil reais.
Os dados apenas confirmam uma realidade marcada pela disparidade e a falta de representatividade feminina, marcando a necessidade de ampliação de políticas e programas promovidos para a educação das mulheres neste setor e, também pelas empresas de tecnologia e data centers, programas capazes de potencializar a inclusão e a diversidade, influenciando a inovação e a produtividade.
Nesse sentido, proporcionar novas oportunidades em carreiras técnicas para as mulheres é um grande desafio. Nesta entrevista com Angela Viegas Freitas, Gestora de Talentos na Com4 Data Center, conversamos sobre o impacto da tecnologia na capacitação e empoderamento das mulheres em TI e sobre as estratégias para aumentar a retenção de talentos em data center.
O maior gargalo do setor é atrair e reter talentos na empresa, mas quando falamos especificamente de mulheres, qual é a situação da mulher em um mercado maiormente masculino? Como atrair e reter a mulher neste setor?
A presença feminina em setores predominantemente masculinos, como o de TI, ainda enfrenta desafios significativos. Globalmente, 36% dos graduados em áreas relacionadas à tecnologia são mulheres. Entretanto, apenas 25% delas efetivamente trabalham no setor.
E no Brasil, apenas 0,07% das mulheres atuam no setor de TI, o que corresponde a cerca de 69,8 mil profissionais.
Para mudar esse cenário é preciso criar políticas de diversidade e inclusão, trabalhar uma cultura de respeito e equidade salarial, incentivar lideranças a se desenvolverem, implementar políticas que favoreçam a conciliação entre trabalho e vida pessoal, criar benefícios e treinamento para seu crescimento profissional.
Quais são os principais desafios que as mulheres enfrentam para assumir cargos técnicos no setor de TI e como eles podem ser superados?
A meu ver, a falta de representatividade, a baixa presença feminina acaba fazendo com que se sintam excluídas e, muitas vezes, nem procurem cursos de TI. Além da falta dessa imagem feminina, a mulher tem pela frente desafios como: cultura predominantemente masculina, desigualdade de oportunidades e falta de incentivo. A superação desses desafios exige um esforço coletivo das empresas, do setor educacional e da sociedade.
Criar um ambiente mais inclusivo e equitativo não apenas beneficia as mulheres, mas fortalece o setor de TI como um todo, trazendo mais inovação e diversidade de pensamento.
Como você acha que o treinamento em tecnologias de data center transformou as oportunidades de emprego para mulheres no setor de tecnologia?
O treinamento em tecnologias de data center tem ampliado significativamente as oportunidades para mulheres no setor, permitindo maior inclusão em cargos técnicos e administrativos. A qualificação técnica abre portas para funções especializadas, como administração de infraestrutura, segurança da informação e suporte técnico, enquanto o conhecimento do setor também fortalece oportunidades em áreas como gestão, vendas e operações.
Além disso, a crescente digitalização e automação tornam essencial a diversidade de talentos, incentivando as empresas a investirem mais na capacitação feminina e em políticas de inclusão.
Está sendo promovida a inclusão de gênero nas operações e equipes técnicas? E, como as iniciativas de diversidade e inclusão no setor de TI podem impactar a contratação e o crescimento profissional de mulheres neste setor?
Aqui na Com4 Data Center, estou sempre buscando a presença feminina em todas as áreas da empresa, pois entendo que equipes diversas tendem a ser mais inovadoras, porque reúnem pessoas com diferentes experiências, visões de mundo e habilidades distintas.
Essa variedade de perspectivas enriquece o processo de tomada de decisão, permitindo que problemas sejam analisados sob diferentes olhares.
Quais são as melhores práticas que as empresas de tecnologia podem adotar para apoiar o treinamento e o empoderamento das mulheres em suas equipes?
Acredito que toda transformação comece pela educação. As empresas de TI precisam se envolver ativamente com a sociedade, abrindo portas para cursos técnicos e graduações, além de apoiar projetos como o Jovem Aprendiz. É essencial apresentar, desde cedo, as oportunidades que o setor de TI oferece para as mulheres, já que ainda é uma área com baixa representatividade feminina.
Além disso, é fundamental incorporar à cultura da empresa a valorização de datas importantes, como o Dia Internacional da Mulher, Outubro Rosa, Setembro Amarelo, entre outras, promovendo ações que reforcem a conscientização, o bem-estar e a inclusão no ambiente corporativo.
Qual o papel das redes de mentoria e apoio entre mulheres no setor de tecnologia na promoção do empoderamento e do desenvolvimento profissional?
O papel da mentoria é fundamental, pois ajuda a superar desafios, fortalece a confiança da profissional, além de capacitar, inspirar mulheres a se manterem e crescerem no setor. Redes como LinkedIn e eventos de tecnologia também são extremamente importantes para esse desenvolvimento profissional.
Que conselho você daria a uma jovem interessada em seguir carreira em TI e especificamente na área de data center?
Sou uma profissional apaixonada pelo que faço e pela área de TI e toda transformação que ela pode fazer no mundo, hoje, tudo o que fazemos, pensamos e vivemos tem a ver com tecnologia, por isso meu conselho para as mulheres é: primeiro passo é investir em capacitação, buscando cursos técnicos e certificações relevantes, busque estágios ou programa de jovem aprendiz para conhecer melhor a área, aprimore também soft skills e faça networking. O setor ainda tem mais homens, mas há espaço para mulheres e seu talento faz a diferença!
Você pode compartilhar alguma história inspiradora de mulheres que, por meio de treinamento em tecnologia, alcançaram cargos de liderança ou funções técnicas em data centers?
Uma das histórias mais inspiradoras é de Margaret Hamilton, uma engenheira de software que liderou o desenvolvimento do código responsável pelo sucesso do pouso da Apollo 11 na Lua, em 1969, era diretora da divisão de engenharia de software do Laboratório de Instrumentação do MIT, contratada pela NASA para desenvolver o sistema de navegação das missões Apollo.
Outro nome de destaque é Adriana Aroulho presidente da SAP Brasil. Formada em Ciências Sociais, ela não se intimidou ao ingressar no setor de tecnologia, construindo uma carreira de sucesso na HP antes de assumir a liderança na SAP.
Outro nome tão significativo é Bárbara Pizzolatto, VP de Data Center Business na Huawei Brasil, que tive o prazer de conhecer pessoalmente e acompanhar sua trajetória. Esses são apenas alguns exemplos de mulheres que, de diferentes formas, deixaram sua marca na tecnologia, trazendo contribuições e inspirações para todas nós.
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