A NVIDIA divulgou receita de 96,2 bilhões de dólares (500 bilhões de reais) no segundo trimestre fiscal, encerrado em 26 de julho de 2026, alta de 18% em relação ao trimestre anterior e de 106% na comparação anual.

Segundo Jensen Huang, fundador e CEO da companhia, a inteligência artificial atingiu um ponto de inflexão, passando a realizar trabalhos úteis com capacidades produtivas e lucrativas, de modo que a computação se tornou, agora, receita. O executivo afirmou que a demanda segue em aceleração: enquanto no ano passado apenas um laboratório impulsionava a expansão do setor, hoje múltiplos laboratórios de ponta escalam operações em paralelo, ao lado de um ecossistema de modelos abertos em crescimento e da entrada em operação da chamada IA física, com forte impulso nos Estados Unidos e no restante do mundo. Huang classificou o momento como de expansão acelerada da infraestrutura de IA e disse que a plataforma Vera Rubin, agora em plena produção, foi concebida justamente para esse cenário.

Já Marcio Aguiar, diretor da divisão Enterprise da NVIDIA para a América Latina, avaliou que a inteligência artificial deixa de ser uma tecnologia experimental para se consolidar como uma plataforma fundamental de produtividade, inovação e crescimento, permitindo que as empresas desenvolvam e operem aplicações cada vez mais sofisticadas, com impacto concreto em seus negócios.

O segmento de Data Center foi o principal destaque do trimestre, com receita de 89 bilhões de dólares (462,5 bilhões de reais), alta de 18% em relação ao trimestre anterior e de 117% em relação ao ano anterior.

No período, a NVIDIA anunciou a entrada em produção em larga escala da plataforma Vera Rubin, com racks já em funcionamento em parceiros como CoreWeave, Google Cloud, Microsoft Azure, Oracle Cloud Infrastructure e Nebius. A empresa também apresentou a Vera, descrita como a primeira CPU voltada a agentes de IA, com planos de ampla adoção entre grandes fornecedores de tecnologia, além do acelerador de inferência NVIDIA Groq 3 LPX, já em plena produção.

Entre os demais anúncios do trimestre estão novos recursos de segurança para a NVIDIA Vera BlueField-4 STX, o lançamento da plataforma NVIDIA DSX, voltada a orientar a construção e a operação de fábricas de IA em grande escala, a expansão do NVIDIA Agent Toolkit com o PhysicsNeMo e novas bibliotecas CUDA-X, e a formação da Open Secure AI Alliance, uma iniciativa que reúne líderes do setor em torno da segurança da IA.

A receita do segmento de Edge Computing somou 7,2 bilhões de dólares (37,4 bilhões) no trimestre, avanço de 13% em relação ao período anterior e de 27% na comparação anual.

Em parceria com a Microsoft, a NVIDIA apresentou o superchip NVIDIA RTX Spark, de 1 petaflop, integrado ao ecossistema CUDA e RTX para PCs com Windows, além da NVIDIA DGX Station para Windows, descrita pela empresa como o supercomputador de IA de mesa mais potente do mundo para desenvolver e executar agentes na plataforma.

A companhia ampliou ainda o ecossistema da plataforma DRIVE Hyperion, voltada a robotáxis, com colaborações envolvendo Foxconn, VinFast, Uber e HUMAIN, e lançou o Alpamayo 2 Super, modelo de raciocínio aberto destinado ao desenvolvimento seguro de robotáxis e veículos autônomos para uso comercial. Também foram anunciados o Cosmos 3, apresentado como o primeiro omnimodelo de fronteira totalmente aberto do mundo voltado à IA física, e o robô humanoide de referência Isaac GR00T, primeiro projeto aberto do tipo construído sobre o Jetson Thor e a plataforma Isaac GR00T.

Para o terceiro trimestre do ano fiscal de 2027, a NVIDIA projeta receita de 108 bilhões de dólares (561,2 bilhões de reais), com margem de variação de 2% para mais ou para menos, projeção que não considera receita proveniente de computação para data centers na China.

A empresa também anunciou o pagamento do próximo dividendo trimestral em dinheiro, de 0,25 dólares (1,3 real) por ação, previsto para 1º de outubro de 2026, a acionistas registrados até 10 de setembro de 2026.