O avanço da inteligência artificial tem impulsionado uma corrida global por infraestrutura digital e ampliado o volume de investimentos em data centers, inclusive no Brasil. De acordo com dados do Ministério das Comunicações, baseados em um estudo da Moody’s, o setor deve receber cerca de 3 trilhões de dólares (15,2 trilhões de reais) em aportes no mundo nos próximos cinco anos. O Brasil ocupa a 12ª posição no ranking global, responde por aproximadamente 50% do mercado latino‑americano e pode atrair entre 60 e 100 bilhões de reais em novos investimentos até 2028.
A expansão desse tipo de infraestrutura traz à tona um desafio técnico essencial: a climatização. Nos data centers, o controle térmico é determinante para manter a operação dos equipamentos, já que falhas na refrigeração podem causar interrupções, indisponibilidade de serviços e prejuízos elevados.
Segundo Patrick Galletti, engenheiro mecatrônico e CEO do Grupo RETEC, o debate nacional costuma priorizar temas como energia, conectividade e incentivos fiscais, enquanto a gestão térmica ainda recebe pouca atenção. Ele destaca que sistemas de inteligência artificial exigem equipamentos de alto desempenho que operam continuamente, o que aumenta a geração de calor e torna a refrigeração um componente crítico da operação.
O avanço da inteligência artificial tem ampliado a preocupação de governos e operadores de infraestrutura quanto ao consumo de energia dos data centers. A evolução dos modelos aumenta a demanda de processamento e, consequentemente, a geração de calor, o que torna a climatização um ponto estratégico para a operação.
Sistemas de refrigeração já figuram entre os principais custos operacionais dessas instalações e influenciam diretamente a viabilidade financeira dos projetos. Em estruturas que operam ininterruptamente, variações mínimas de temperatura podem danificar equipamentos e causar interrupções em serviços essenciais.
Galletti destaca que o debate costuma se concentrar na capacidade energética, enquanto a eficiência térmica recebe menos atenção. Segundo ele, o aumento da densidade computacional exige soluções de climatização mais avançadas para garantir segurança e eficiência.
A busca por maior desempenho tem acelerado a adoção de tecnologias como automação predial, sensores de monitoramento contínuo, sistemas de água gelada de alta eficiência e controle inteligente do fluxo de ar, que ajustam o funcionamento dos equipamentos conforme a demanda, mantendo a estabilidade térmica e reduzindo o consumo de energia.
O avanço dos data centers movimenta uma ampla cadeia econômica, envolvendo engenharia, construção civil, energia, automação, telecomunicações, manutenção especializada e infraestrutura predial. Em 2025, o governo federal lançou medidas para atrair novos empreendimentos ao país, destacando a matriz energética renovável, a disponibilidade de território e a posição estratégica do Brasil no mercado latino‑americano.
Para Galletti, a expansão do setor abre espaço para empresas brasileiras especializadas em infraestrutura crítica. Ele afirma que o país, historicamente consumidor de tecnologia, agora tem a chance de participar da construção dessa base, gerando empregos qualificados e estimulando o desenvolvimento tecnológico.
A pauta da sustentabilidade também passou a influenciar as decisões de investimento. Operadores buscam projetos que conciliem desempenho computacional, segurança e eficiência energética. Nesse cenário, a climatização ganhou relevância por contribuir para a redução de custos, a diminuição da pegada de carbono e a maior confiabilidade operacional.
Segundo Galletti, investidores avaliam não apenas a capacidade de processamento, mas também a eficiência energética e a estabilidade térmica, fatores diretamente ligados aos sistemas de refrigeração. Ele destaca que a expansão da inteligência artificial depende de uma infraestrutura física robusta, capaz de operar sem interrupções e com controle térmico preciso — um dos principais desafios tecnológicos e econômicos da próxima década.
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