Durante o .NEXT Nutanix a DCD teve a oportunidade de conversar com Sérgio Augusto Magalhães de Souza, Subsecretário de Tecnologia da Informação, Clécio Freire, Secretário Municipal de Finanças, e Wesley Prata, Chefe de Infraestrutura e Serviços da Prefeitura de Manaus, sobre a modernização da gestão de dados e data centers da cidade e a parceria com a Nutanix para realizar esse trabalho. A prefeitura da cidade foi uma das primeiras clientes da Nutanix no Brasil, iniciando o trabalho conjunto em 2014.

Entre os resultados, Sérgio Augusto destaca o ganho de 300% na capacidade de processamento, um dos mais significativos obtidos pela Prefeitura de Manaus após a migração para a tecnologia da Nutanix. De acordo com o subsecretário, esse aumento de performance impactou diretamente a eficiência operacional do município: processos que anteriormente levavam 24 horas para rodar com a tecnologia antiga passaram a ser executados em um intervalo de 6 a 8 horas.

O INÍCIO: TESTES, RISCOS E UMA DECISÃO PARADIGMÁTICA

A história começou, na verdade, em 2012, quando a empresa parceira da prefeitura vendeu sua divisão de servidores a um grupo concorrente. A mudança forçou Manaus a repensar sua estratégia. Foi nesse momento que a Nutanix surgiu com uma proposta incomum para a época: testar os equipamentos lado a lado com os servidores já existentes.

“Os testes foram extremamente satisfatórios. O ganho de performance no nosso data center foi muito grande, o que fez a gente optar de imediato pela tecnologia”, recorda Sérgio. O resultado mais visível foi imediato: a prefeitura saltou de 250 para mais de 600 máquinas virtuais, usando apenas três nodos da nova plataforma, contra os 54 operacionais anteriores. O impacto foi tão expressivo que a própria Nutanix passou a enviar potenciais clientes ao data center de Manaus para verificar os resultados in loco.

NUVEM PRIVADA: UMA ESCOLHA CONSCIENTE — E ESTRATÉGICA

Em um setor em que a migração para a nuvem pública virou slogan, Manaus foi na contramão. A decisão de construir e manter uma infraestrutura de nuvem privada foi tomada com base em dois pilares: a sensibilidade dos dados e o custo de operação. “Nós trabalhamos com dados de mais de 2 milhões de pessoas. Isso nos fez optar pela nuvem privada”, explica Sérgio Augusto.

O argumento econômico também foi importante para o planejamento da Prefeitura. O subsecretário cita estudos recentes do IDC que apontam para o retorno significativo de organizações que deixaram a nuvem pública devido aos custos de autoconsumo. “O mercado tem apontado que o custo da nuvem pública tem sido um pouco impeditivo. Para nós, a nuvem privada tem sido muito confortável.”

Isso não significa descarte absoluto da nuvem pública, mas ela fica reservada para cargas esporádicas e de baixo volume, segundo os gestores.

DOIS DATA CENTERS, TRÊS ANÉIS DE FIBRA E UMA CIDADE MONITORADA

A prefeitura promoveu, a partir de 2005, uma mudança estrutural em sua estratégia de tecnologia da informação, substituindo pontos isolados de processamento por um data center centralizado capaz de concentrar toda a infraestrutura municipal.

Hoje, o município mantém dois data centers: o primeiro, instalado na sede da prefeitura, abriga sete secretarias. O segundo, mais recente, funciona no interior do Centro de Cooperação da Cidade (CCC), estrategicamente instalado em um prédio de quatro andares, em área não sujeita a alagamentos no térreo, para facilitar a movimentação de equipamentos. Esse data center é destinado à replicação e à segurança das informações e suas unidades são conectadas por três anéis próprios de fibra óptica, cada um por caminhos físicos distintos, como explica Wesley Prata: “Se houver rompimento em um anel, direcionamos pelo outro”, afirma. O próximo passo, previsto para 2026, é o projeto de “última milha”: conectar os cerca de 1.300 pontos da prefeitura com fibra própria, eliminando os links atualmente alugados junto a parceiros.

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Wesley Prata, Clécio Freire e Sérgio Augusto – Nutanix

A climatização dos data centers combina sistemas de ar-condicionado de precisão, voltados ao desempenho e à preservação dos componentes, e de conforto, para manter a temperatura ambiente com menor consumo de energia.

Para o segundo semestre de 2026, a prefeitura planeja adquirir 16 novos nodos Nutanix, dos quais seis serão dedicados exclusivamente à formação de um cluster de inteligência artificial. Desses seis, três atenderão à área financeira — responsável pela geração contínua de receita municipal — e os outros três serão voltados para a Educação e a Saúde. O investimento total previsto está entre 60 e 70 milhões de reais. Além dos nodos, a prefeitura está licenciando produtos como NDB, NKP e NA e mantém o Nutanix Objects como solução de backup.

O CCC é considerado um dos pilares do programa de cidades inteligentes da capital. A estrutura reúne sistemas de monitoramento e de integração operacional entre diferentes áreas da administração municipal, permitindo o acompanhamento contínuo de situações urbanas e ambientais. O centro opera com câmeras instaladas em 200 pontos estratégicos da cidade e conta com nove estações meteorológicas distribuídas pelo território. Esses equipamentos alimentam, em tempo real, as equipes das secretarias de Trânsito, Transporte, Saúde e Defesa Civil, que atuam de forma coordenada a partir do CCC. Em cenários de risco climático, como alagamentos, ventos fortes ou chuvas intensas, o sistema emite alertas diretamente para os smartphones dos moradores. A medida busca ampliar a prevenção, agilizar as respostas e reduzir os impactos sobre a população.

De acordo com Sérgio Augusto, Manaus é referência em data centers nas regiões Norte e Nordeste. Para a administração, a infraestrutura tecnológica é um investimento essencial para a arrecadação e a continuidade dos serviços públicos.

GEOPROCESSAMENTO COMO POLÍTICA PÚBLICA

Um dos aspectos mais sofisticados da operação é o ambiente de “geocolaboração” da prefeitura, com 800 camadas de dados alimentadas pelas secretarias. Com ele, é possível cruzar informações e agir preventivamente.

A Secretaria de Saúde usa mapas de calor para acompanhar gestantes cadastradas na rede pública e realiza busca ativa para evitar a perda de consultas de pré-natal. A Secretaria de Educação monitora a rede de alunos matriculados no ensino fundamental, identificando padrões de ausência antes que se tornem evasão escolar. O resultado, segundo os gestores, é que Manaus se tornou uma das capitais brasileiras com menor índice de evasão escolar. As 250 áreas de risco da cidade estão mapeadas, com suas particularidades, o que permite a implementação de programas de intervenção direcionados.

Para finalizar a conversa, Sérgio Augusto falou sobre IA, descrita como o maior desafio atual. “A IA chegou e veio para ficar. O serviço público tem dificuldade em adquirir com agilidade, mas nós precisamos encontrar uma plataforma segura que vá ao encontro da necessidade do servidor e se reflita no cidadão”, resume o subsecretário.