A Magalu Cloud, a primeira nuvem pública brasileira, registrou um crescimento superior a 10 vezes na receita proveniente de clientes externos desde o início de 2025. O resultado foi apresentado por André Fatala, vice-presidente de plataformas de Luizalabs e Magalu Cloud, na abertura do Cloud Futures 2026, realizado nesta quarta-feira (9) na Arena Magalu, em São Paulo, com a presença de mais de 800 executivos de TI, inovação, IA e finanças. A DCD esteve presente no evento para entender melhor da operação da empresa. Lembrando que, em maio, a Magalu Cloud teve aprovado pelo BNDES um financiamento de 300 milhões de reais. O plano previa a compra de processadores e equipamentos de rede, a contratação de pessoal e a ampliação da infraestrutura, que passará a contar com um sexto data center em Fortaleza (CE) — hoje, a empresa opera cinco unidades, sendo três na Grande São Paulo e duas na capital cearense. A equipe de P&D deve chegar a 375 profissionais até 2028, com a criação de 170 novas vagas. A empresa, à época, reforçou que, por ser uma companhia nacional, seus serviços seguem exclusivamente a legislação brasileira, o que reforça a soberania e a segurança dos dados.
Segundo a companhia, a base de clientes já ultrapassa 2 mil contas, entre startups e grandes corporações, enquanto cerca de 80% dos workloads das próprias operações do Magalu já rodam na plataforma. Com base nesse crescimento, a empresa projeta quadruplicar de tamanho em 2026. Fatala afirmou que a Magalu Cloud nasceu para atender empresas que constroem o país e que os novos produtos anunciados buscam resolver desafios cotidianos das corporações com previsibilidade de custos, cobrança em reais, arquitetura aberta e infraestrutura local, dando às empresas liberdade para escolher tecnologias de nuvem e IA sem restrições financeiras.
Na fala de abertura, Fatala chamou a IA de nova “planta básica” dos negócios, citando pesquisa da BCG segundo a qual 74% dos funcionários da linha de frente já usam IA e 42% economizam um dia de trabalho por semana com a ferramenta. Como exemplo interno, mencionou mais de mil engenheiros do Magalu com acesso a ferramentas de IA e mais de 200 projetos administrativos automatizados. A Lu, assistente do Magalu no WhatsApp, deixou de ser um canal de atendimento para se tornar uma experiência de compra por IA, com mais de 20 milhões de conversas desde dezembro, NPS de 85 pontos e conversão cinco vezes maior do que a do aplicativo.
Fatala descreveu a evolução da nuvem em três etapas — CPU como serviço, GPU como serviço e, agora, a “AI Cloud”, em que a unidade de consumo passa a ser o token. Somente em agosto, disse, o Magalu consumiu mais de 700 bilhões de tokens. Nesse contexto, anunciou a nova plataforma de inteligência artificial da Magalu Cloud, com modelos de ponta a preços até 75% menores, operação no Brasil, cobrança em reais e arquitetura aberta.
Por fim, o executivo tratou da soberania tecnológica como diferencial estratégico, estruturada em três pilares — soberania de dados, operacional e tecnológica — e citou um financiamento do BNDES, o primeiro do tipo destinado a uma plataforma brasileira de nuvem, com meta de chegar a 200 especialistas na Magalu Cloud até 2028.
Ainda durante o evento, Magalu Cloud e Alibaba Cloud anunciaram uma parceria para expandir a oferta de IA generativa no mercado brasileiro, unindo o ecossistema e a presença local da Magalu Cloud ao portfólio de serviços de nuvem e de modelos de IA da Alibaba.
Allen Guo, vice-presidente de negócios internacionais da Alibaba Cloud, afirmou que o Brasil é um mercado estratégico para a companhia, citando o porte da economia digital brasileira, a matriz energética limpa do país e o investimento recente da Alibaba na criação de uma região própria de data centers no Brasil. Segundo ele, a aliança com a Magalu Cloud amplia o alcance da Alibaba junto aos clientes brasileiros e permitirá disponibilizar diversos modelos de IA da empresa chinesa diretamente na plataforma da companhia brasileira.
Questionado sobre os diferenciais dos modelos da família Qwen, Guo destacou três pontos: o reconhecimento da comunidade global de código aberto, com a liderança em downloads entre os modelos open source; a maturidade de aplicações já testadas em cenários de negócio como e-commerce, varejo e turismo, que ele considera próximos da realidade do mercado brasileiro; e a maior eficiência de custo em relação a modelos concorrentes, o que a parceria busca somar à cobrança em moeda local e ao conhecimento do ecossistema brasileiro.
Eric Secco, country manager da Alibaba Cloud no Brasil, complementou que a família Qwen já ultrapassa 450 modelos derivados em uso ao redor do mundo, incluindo soluções proprietárias adotadas por grandes empresas no país. Ele anunciou ainda a disponibilização do Qwen3 Max, descrito como o modelo mais avançado da linha, com desempenho equiparável ao de modelos americanos de referência, a um custo mais baixo, ao lado de outras variantes, como o Qwen3 Flash e o Qwen3 Plus, cada uma voltada a diferentes casos de uso. Segundo Secco, a integração desses modelos ao console da Magalu Cloud permitirá aos clientes acessar versões mais recentes da tecnologia da Alibaba com faturamento unificado e gestão simplificada, em contraste com o que classificou como ofertas mais desatualizadas disponíveis em marketplaces de modelos de outros concorrentes.
Entre os lançamentos, a empresa apresentou o Agentic Commerce powered by Agent.Shop, que leva ao mercado corporativo a experiência de IA generativa conversacional que consagrou o "WhatsApp da Lu", lançado em novembro de 2025. A ferramenta permite que outras marcas ofereçam compras completas pelo WhatsApp, com a IA interpretando textos, áudios e imagens para gerar recomendações personalizadas e um checkout integrado, sem que o cliente precise sair da conversa.
A companhia também lançou o MGC AI Hub, um marketplace que disponibiliza, via API, modelos de linguagem de grande porte — nacionais, como os da Maritaca, e globais, como os da Meta —, processados em infraestrutura própria no Brasil. Segundo a empresa, o modelo busca reduzir a exposição de projetos de IA corporativa à variação cambial e à ociosidade computacional, com economia entre 30% e 75% em relação ao mercado, dependendo do modelo adotado.
A companhia ainda reforçou seu ecossistema de parcerias. Com a Red Hat, integrou o sistema operacional corporativo RHEL para simplificar o provisionamento e acelerar a adoção de IA em ambientes híbridos. Com a Globo Technologies, a Magalu ampliou uma relação de mão dupla: a emissora passa a usar mais a Magalu Cloud em sua estratégia multicloud, enquanto a Magalu Cloud amplia o uso da CDN da Globo. Carolina Duca, diretora de Infraestrutura e Telecom da Globo, comentou a parceria durante o evento e destacou a importância de fortalecer o ecossistema brasileiro de tecnologia. A Serasa Experian também passou a utilizar a Magalu Cloud, na qual passará a oferecer serviços de análise de crédito em seu marketplace. A lista de fornecedores parceiros foi ampliada com a chegada de novos provedores independentes de software e de serviços, somando-se a nomes já presentes como Akamai, Fortinet, HashiCorp, IBM, Kaspersky e MongoDB.
O Cloud Futures 2026 teve como eixo central os debates sobre soberania de dados, estratégias multicloud e FinOps no país, contando com patrocínio de empresas como Ascenty, Serasa Experian, Zoomtech, Crowdstrike e KaBuM!, além do apoio de entidades como Sebrae, Red Hat e Maritaca.ai.
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