A rápida expansão da inteligência artificial e da digitalização vem elevando a demanda por capacidade computacional, colocando a eficiência energética no centro das estratégias de tecnologia. De acordo com o Gartner, o consumo mundial de eletricidade por parte de data centers deve crescer 26% em 2026, saltando de 447 TWh em 2025 para 565 TWh, com projeção de ultrapassar 1.200 TWh até 2030.
A TIVIT, multinacional do Grupo Almaviva, avalia que esse cenário exige que projetos de IoT, inteligência artificial e dados sejam planejados a partir de problemas concretos da operação, já que essas tecnologias, embora também consumam energia, podem reduzir desperdícios, antecipar falhas e melhorar o uso de equipamentos quando conectadas às decisões de negócio.
Segundo Daniel Calero, diretor de Digital, Dados e Inteligência Artificial da TIVIT, sustentabilidade digital não significa usar menos tecnologia, mas usá-la para consumir menos recursos, reduzir desperdícios e apoiar decisões melhores, partindo sempre do problema da empresa, e não da tecnologia em si.
Na prática, dispositivos conectados podem monitorar o consumo de energia de plantas industriais, identificar vazamentos em redes de água, acompanhar as condições de máquinas e mapear frotas. Os dados coletados alimentam modelos capazes de antecipar falhas, permitindo agir antes de paralisações ou do aumento de custos, o que melhora o planejamento da manutenção e a disponibilidade dos ativos.
A TIVIT afirma que, em projetos já conduzidos, a combinação de IoT, dados e modelos analíticos permitiu reduzir o consumo de energia nas operações de clientes em até 25%, por meio do monitoramento contínuo de ativos e da otimização de equipamentos. Calero pondera, no entanto, que instalar sensores é relativamente simples e que o desafio real está em transformar informação em decisão — do contrário, a empresa apenas aumenta o volume de dados e o consumo de infraestrutura, sem gerar valor.
Segundo a companhia, os maiores ganhos tendem a ocorrer em setores intensivos em ativos físicos e recursos naturais, como energia, saneamento, indústria, mineração, óleo e gás, agronegócio, logística e transporte, nos quais pequenas melhorias em equipamentos, manutenção ou rotas podem gerar impactos relevantes nos custos e na produtividade.
A eficiência da própria infraestrutura tecnológica também é apontada como parte da equação: ambientes em nuvem com ajuste automático de capacidade evitam recursos ociosos e, quando combinados a equipamentos mais eficientes, sistemas modernos de refrigeração e fontes renováveis, contribuem para reduzir o impacto ambiental da infraestrutura digital sem comprometer o desempenho.
No Brasil, projeção conjunta da CCEE, do ONS e da EPE indica que a carga associada a data centers na Rede Básica do Sistema Interligado Nacional deve passar de 304 MW médios em 2026 para 3.457 MW médios em 2030.
Calero conclui que o crescimento da capacidade computacional é inevitável e que o diferencial competitivo estará na capacidade das empresas de consumir apenas os recursos necessários, transformar dados em decisões e medir continuamente os resultados, o que torna a sustentabilidade digital uma estratégia de negócio, e não apenas uma iniciativa tecnológica.
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