A Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados realizou, na quarta-feira, 3 de setembro, uma audiência pública para debater o papel dos data centers no desenvolvimento da economia digital. A discussão ocorreu no contexto do Projeto de Lei nº 1.680/25, que propõe a criação da Política Nacional para Processamento e Armazenamento Digitais, com foco na expansão da infraestrutura tecnológica do país. O deputado David Soares (União-SP) é o relator da matéria.

Cristiana Viana Rauen, diretora do Departamento de Transformação Digital do Ministério do Desenvolvimento, destacou que a matriz energética brasileira, majoritariamente composta por fontes limpas e renováveis, contribui para tornar o país atrativo a novos investimentos. Ela ressaltou que os dados representam um dos principais ativos econômicos da atualidade e afirmou que é essencial que os países estejam preparados para integrar iniciativas que dependem de infraestrutura digital avançada, como a proposta em discussão.

A diretora destacou que os centros voltados à inteligência artificial apresentam um consumo de energia aproximadamente 70% superior ao dos centros convencionais. Segundo ela, essas estruturas exigem fornecimento energético contínuo, sistemas de refrigeração eficientes e conexões de alta velocidade para garantir o desempenho adequado.

Jorge Arbache, professor de Economia da Universidade de Brasília, observou que cerca de 90% da energia consumida no Brasil é proveniente de fontes renováveis, em contraste com os índices registrados nos Estados Unidos (24%), China (32%) e Europa (45%). Segundo ele, mantendo os níveis atuais de investimento, esses países levariam entre 18 e 30 anos para alcançar uma matriz elétrica tão renovável quanto a brasileira, o que posiciona o Brasil como um destino estratégico para a instalação de data centers.

Michael Mohallem, representante do Google Cloud no Brasil, ressaltou que as políticas de incentivo ao setor devem buscar equilíbrio entre atuação estatal e dinâmica de mercado, com foco em previsibilidade e menor concentração de decisões no âmbito governamental. Atualmente, o Brasil abriga 189 data centers, o que representa cerca de 2% da infraestrutura global.

Já Luis Tossi, vice-presidente da Associação Brasileira de Data Center, destacou a necessidade de ações rápidas para estimular investimentos no setor. Segundo ele, os projetos de data centers estão sendo definidos e construídos atualmente, com previsão de entrada em operação nos próximos cinco anos. Tossi observou que o tempo médio de implantação no Brasil varia entre 18 e 24 meses, o que exige medidas ágeis para aproveitar as oportunidades disponíveis.