A Cloudera apresentou os resultados de seu mais recente relatório global de pesquisa, intitulado “The Evolution of AI: The State of Enterprise AI and Data Architecture”. Com base em entrevistas com mais de 1.500 líderes de tecnologia da informação, o estudo analisa o avanço da adoção da inteligência artificial, a evolução das arquiteturas de dados nas empresas e os desafios emergentes relacionados à escalabilidade segura da IA em 2025. Os resultados foram divulgados no evento EVOLVE25 NY, no dia 25 de setembro.

Em comparação com o relatório publicado em 2024, o novo levantamento aponta mudanças significativas nas prioridades, obstáculos e metas das organizações, refletindo um cenário empresarial em constante transformação. A pesquisa também indica que a inteligência artificial tende a desempenhar papel central no futuro, sendo impulsionada por dados provenientes de diversas fontes. Nesse contexto, o relatório destaca a importância de garantir acesso completo aos dados — independentemente de localização ou formato — para permitir governança eficaz e geração de insights em tempo real e preditivos, sem comprometer a segurança.

Um dos principais destaques do relatório é que 96% dos líderes de tecnologia da informação afirmaram que a inteligência artificial já está, ao menos parcialmente, incorporada aos processos centrais de suas organizações. Esse percentual representa um avanço em relação a 2024, quando 88% dos entrevistados relataram o uso de IA em suas empresas. Os dados sugerem que a tecnologia deixou de ser apenas experimental e passou a ocupar um papel estratégico nos fluxos de trabalho. Além disso, 70% dos participantes indicaram ter obtido resultados significativos com iniciativas de IA, enquanto apenas 1% ainda não observou impactos concretos.

Segundo Sergio Gago, Chief Technology Officer da Cloudera, a inteligência artificial passou, em apenas um ano, de prioridade estratégica a uma exigência urgente, influenciando diretamente as operações empresariais e alterando dinâmicas competitivas. No entanto, a pesquisa da empresa aponta que ainda existem obstáculos significativos relacionados à segurança, conformidade e uso eficiente dos dados, com muitas organizações permanecendo na fase de prova de conceito.

As organizações têm adotado diferentes tipos de inteligência artificial para alcançar resultados relevantes, incluindo IA generativa (60%), deep learning (53%) e IA preditiva (50%). A confiança para ampliar o uso dessas tecnologias também cresceu: 67% dos líderes de TI afirmaram estar mais preparados para lidar com novas aplicações de IA, especialmente agentes, em comparação ao ano anterior.

Esse avanço está associado a uma mudança na forma como os dados são tratados. A arquitetura de dados híbrida tornou-se predominante, permitindo maior flexibilidade na gestão de soluções de IA entre ambientes de nuvem e locais. Entre os principais benefícios dessa abordagem, os entrevistados destacaram segurança (62%), melhor gerenciamento de dados (55%) e aprimoramento das análises (54%).

Apesar dos avanços, as empresas reconhecem que ainda estão em processo de amadurecimento para maximizar o retorno sobre investimento em IA. Embora 24% tenham declarado que suas culturas organizacionais são fortemente orientadas por dados — um aumento em relação aos 17% do ano anterior — a maioria ainda vê a necessidade de incorporar de forma mais ampla o pensamento baseado em dados às práticas de negócio.

Entre os principais desafios técnicos apontados para suportar cargas de trabalho de IA estão a integração de dados (37%), o desempenho de armazenamento (17%) e a capacidade computacional (17%). A acessibilidade aos dados também permanece como uma barreira: apenas 9% das empresas afirmaram ter todos os dados disponíveis e utilizáveis para iniciativas de IA, enquanto 38% indicaram que a maior parte dos dados está acessível.

As organizações têm adotado diferentes estratégias de armazenamento de dados, com 63% dos respondentes indicando o uso de nuvem privada, 52% utilizando nuvem pública e 42% recorrendo a data warehouses. A integração da inteligência artificial, embora crescente, ainda levanta preocupações relacionadas à segurança: 50% dos participantes mencionaram o risco de vazamento de dados durante o treinamento de modelos, 48% apontaram o acesso não autorizado às informações e 43% destacaram o uso de ferramentas de IA de terceiros consideradas inseguras. Apesar desses desafios, a maioria das empresas demonstra confiança na proteção de seus dados em sistemas de IA — 24% afirmaram estar extremamente confiantes, 53% muito confiantes e 19% um pouco confiantes.