A América Móvil, conglomerado mexicano de telecomunicações, avança em uma das maiores movimentações recentes do setor de conectividade no Brasil, informa o site Telecompaper. Por meio de sua subsidiária local, a Claro Brasil, a empresa está prestes a adquirir aproximadamente 73% do capital da Desktop, provedora brasileira de banda larga fixa, em uma transação que atribui à companhia-alvo um valor empresarial total de 4 bilhões de reais.

O preço inicial estabelecido para a aquisição da participação majoritária é de cerca de 2,41 bilhões de reais, equivalente a 20,82 reais por ação. O valor leva em consideração a dívida líquida da Desktop registrada em 30 de setembro de 2025, estimada em 1,58 bilhão de reais, e poderá ser ajustado com base na posição de endividamento da empresa na data de fechamento do negócio.

As negociações entre as partes não são surpresa para o mercado. Em outubro de 2024, as duas companhias já haviam divulgado publicamente que estavam em tratativas sobre uma eventual aquisição, sinalizando o interesse estratégico da Claro em ampliar sua presença no segmento de banda larga fixa, um dos mais dinâmicos e competitivos da infraestrutura de telecomunicações brasileira.

Para que a transação se concretize, o acordo ainda depende de uma série de aprovações. No âmbito regulatório, o negócio precisa ser submetido ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), responsável pela análise antitruste, e à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que regula o setor. Além disso, é necessária a convocação e aprovação de uma Assembleia Geral Extraordinária de Acionistas da Desktop.

Concluído o fechamento da operação, a Claro ficará obrigada, por exigência legal, a lançar uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) destinada aos acionistas minoritários da Desktop, com o objetivo de adquirir as ações remanescentes que não integram o bloco de controle negociado.