Priscyla Laham assumiu a presidência da Microsoft Brasil em 1º de janeiro de 2025, em um momento marcado pela consolidação da inteligência artificial como eixo de produtividade e competitividade global. Ela sucedeu a Tânia Cosentino e tornou-se a terceira mulher a liderar a operação da empresa no país, em meio a um ciclo de novos investimentos e reorganização estratégica.

A gestão de Laham dá continuidade ao movimento iniciado em 2024, quando a Microsoft anunciou investimentos de 14,7 bilhões de reais em infraestrutura de nuvem e IA no Brasil, além do compromisso de capacitar 5 milhões de pessoas em tecnologias de inteligência artificial — iniciativa interpretada como demonstração de confiança no mercado brasileiro.

Com carreira internacional, Laham deixou e, posteriormente, retornou à Microsoft para comandar a operação local, afirmando ver no Brasil um ambiente promissor para a inovação. Seu foco, diz, é ampliar a competitividade do país por meio da integração entre infraestrutura digital, educação e produtividade.

Em entrevista à Exame, a executiva descreve como a IA vem sendo incorporada ao cotidiano de empresas e usuários, desde a automação de tarefas até o desenvolvimento de agentes autônomos. Ela defende que a tecnologia não substitui o trabalho humano, mas amplia a capacidade de decisão e eficiência, posicionando o Brasil para participar da próxima onda de crescimento tecnológico.

Em relação ao investimento de 14,7 bilhões de reais anunciado pela Microsoft para infraestrutura de nuvem no Brasil, Laham afirma que o valor representa um compromisso direto da liderança global com o país. Segundo ela, a inteligência artificial é vista como um ponto de inflexão capaz de acelerar o desenvolvimento nacional. O aporte, voltado à expansão da infraestrutura de nuvem e de IA, está associado também a iniciativas de capacitação, consideradas essenciais para aumentar a competitividade brasileira no cenário internacional.

Apesar do avanço, Priscyla Laham aponta que o Brasil ainda possui apenas 10 data centers de hiperescala — a categoria mais adequada às demandas de IA —, enquanto os Estados Unidos e a Europa superam a marca de 100. A avaliação interna, porém, é de que o país não está atrasado, mas opera em ritmos distintos. Entre os fatores favoráveis, destacam-se o excedente de energia limpa e renovável e um custo de propriedade inferior ao norte-americano. A expectativa é de que medidas, como o ajuste dos impostos de importação de hardware pelo programa ReData, ampliem as oportunidades. Para a executiva, o Brasil já tem maturidade em serviços digitais, e o desafio agora é acelerar essa evolução com o uso de inteligência artificial.

A meta anunciada pela Microsoft de capacitar 5 milhões de pessoas em três anos era considerada ambiciosa, mas os resultados superaram as expectativas. Firmado em setembro do ano anterior, o compromisso já levou 6,2 milhões de brasileiros a iniciarem algum tipo de treinamento em pouco mais de um ano. Desse total, 2,5 milhões concluíram os cursos. Segundo Laham, os números indicam alta adesão e interesse da população em qualificação em tecnologia.

No campo da produtividade, a Microsoft afirma que o uso de inteligência artificial — especialmente por meio do Copilot — já tem impactos mensuráveis no ambiente corporativo. Dados do Work Trend Index indicam que 72% dos trabalhadores relatam exaustão ou falta de tempo. Priscyla Laham destaca casos como o da XP, que registrou economia de 9.000 horas em processos internos. No nível individual, usuários teriam ganho, em média, duas horas por dia ao automatizar tarefas como pesquisas e transcrição de reuniões. A IA, diz a CEO, não substitui o trabalho humano, mas amplia a capacidade produtiva, em movimento comparável à transição da máquina de escrever para o computador.

Sobre as perspectivas para 2026, Laham projeta a consolidação da chamada era dos agentes autônomos. A expectativa é que o mercado evolua de assistentes individuais para múltiplos agentes capazes de interagir entre si e executar processos completos, sempre sob supervisão humana. No Brasil, a executiva afirma que continuará investindo na capacitação da força de trabalho: nos últimos 18 meses, 40 mil profissionais de clientes foram treinados diretamente em IA. O objetivo é que os usuários não apenas adotem as ferramentas, mas também desenvolvam seus próprios agentes para solucionar desafios de negócio.