A Casa dos Ventos firmou uma parceria para fornecer energia renovável aos data centers da Ascenty no Brasil, em um negócio estimado em mais de 500 milhões de dólares (2,6 bilhões de reais), segundo informações confirmadas pelas empresas à Reuters.

Pelo acordo, a Ascenty — controlada pela canadense Brookfield e pela Digital Realty — passará a ser sócia em dois novos projetos da Casa dos Ventos: um parque eólico e uma usina solar, ambos atualmente em desenvolvimento.

Os empreendimentos, que somam investimentos previstos de aproximadamente 7,5 bilhões de reais, terão capacidade superior a 1,5 gigawatt (GW). A energia gerada também será destinada a outros consumidores de grande porte.

A parceria com a Ascenty prevê que, quando os novos parques entrarem em operação — o que está previsto para 2027 —, eles forneçam 110 megawatts médios (MWm) ao portfólio da empresa, que atualmente opera 20 data centers no Brasil e possui outros 8 em construção.

“Temos contratos de energia que vão vencer nos próximos anos e esses novos empreendimentos vão substituí-los. Também estamos avaliando outros acordos com a Casa dos Ventos para os data centers futuros”, afirmou o CEO da Ascenty, Christopher Torto.

O executivo acrescentou que a companhia busca um uso “responsável” de energia, priorizando o consumo de energia renovável, de forma a não pressionar o suprimento destinado a outras classes de consumidores no país.

Para a Casa dos Ventos, os novos contratos firmados no modelo de autoprodução de energia funcionaram como base para o lançamento de dois empreendimentos: o complexo eólico Dom Inocêncio, no Piauí, com 828 MW e cerca de 5 bilhões de reais em investimentos, e o projeto solar Paraíso, no Mato Grosso do Sul, com 640 MW e aproximadamente 2,5 bilhões de reais em aportes.

Nos últimos anos, data centers têm liderado a contratação de nova energia no país, impulsionados pelo interesse de investidores em aproveitar a oferta brasileira de energia renovável e abundante. Segundo Christopher Torto, a aprovação do ReData, que prevê isenção de impostos, poderia fortalecer a competitividade do Brasil como polo global de inteligência artificial.

Lucas Araripe, diretor-executivo da Casa dos Ventos, afirmou que a energia se tornou um insumo cada vez mais estratégico para data centers e que a oferta competitiva de energia pode acelerar o desenvolvimento do setor. Ele destacou otimismo em relação às novas oportunidades abertas pelos projetos.

A expansão de grandes complexos de geração também beneficia a cadeia fornecedora de equipamentos renováveis, que enfrentou uma queda significativa na demanda nos últimos anos.

Além dos projetos em parceria com a Ascenty, a Casa dos Ventos — que tem a francesa TotalEnergies como acionista — está iniciando um terceiro empreendimento, o parque eólico Ibiapaba, no Ceará. O projeto terá 630 MW de capacidade, investimento de 4 bilhões de reais e utilizará equipamentos da Envision, da China. Os primeiros compradores da energia não foram revelados.

Apesar do avanço dos novos projetos, a entrada adicional de energia no sistema tende a agravar a sobreoferta no país, cenário que já tem provocado desperdício de geração eólica, solar e hídrica e aumentado os riscos de desequilíbrios operacionais. Diante das condições desfavoráveis do mercado, empresas como a Engie e a CPFL têm adiado novos investimentos em renováveis.