Na próxima terça-feira, 27, às 10:30 am (horário de Brasília), especialistas da indústria discutirão quais lições valiosas o Brasil deve aprender de mercados mais maduros na hora de projetar data centers. O debate acontecerá em um painel do broadcast gratuito DCD>Inovação e Design.
O evento trará as últimas tendências no desenho de centros de dados, soluções de eficiência energética e sustentabilidade, ferramentas de automação, conectividade, edge computing e projeções do mercado. Para assistir ao broadcast gratuitamente, é preciso registrar-se clicando aqui.
Participam deste painel: Hemil Maia Ribeiro, Líder Global de Infraestrutura da Angola Cables; Fabiano Tatsugawa Duarte, Diretor de Infraestrutura Missão Crítica da Claro; Alexandre Kontoyanis, presidente da Ashrae Brasil Chapter; e Gustavo Espigado, Project Manager da Noya Group.
Gustavo Espigado, que trabalha há anos como arquiteto no setor na Europa (incluindo a Espanha e Alemanha), trará uma perspectiva da projeção de data centers no exterior.
“A principal lição que o Brasil deve fazer é aprender o máximo possível das experiências já realizadas. Muitas vezes ficamos felizes de ser pioneiros num setor. Mas o fato de não ser pioneiro é uma vantagem. É possível ver uma série de experiências e de acertos no mundo inteiro. É certo que boa parte dos mercados maduros são de países de clima frio, mas também vemos projetos em Estados Unidos em locais de clima cálido e no sul da Europa, como na Espanha e na Itália. É uma grande oportunidade para o Brasil ver o que está sendo feito”, destacou Espigado.
Segundo Gustavo, outro ponto a considerar é que os requerimentos normativos dos países europeus costumam ser muito altos. “No Brasil ainda não existe esta pressão, mas vai chegar. Vale a pena aprender dos países que já estão sendo pressionados e como eles estão resolvendo o fato. Se atrasarmos na aprendizagem, perderemos o caminho e ficaremos para trás”, pontuou.
O project manager também detalhou as experiências que podem ser aprendidas no quesito arquitetônico. “Um dos pontos mais interessantes que vejo muito estendido pela Europa se refere às certificações de sustentabilidade. As grandes empresas querem ter essa medalha bonita, que custa dinheiro e planificação. Já me perguntaram quanto mais caro pode ser um edifício com certificação. Não posso dizer a diferença de preço, mas se isso é colocado sobre a mesa no início da planificação sai barato”.
Ele acrescenta: “Se ocorre durante ou no final da planificação sai muito caro. Se sabemos desde o início o que o cliente quer, que é focar na sustentabilidade e na eficiência energética, os técnicos tomarão as decisões pensando neste objetivo. No Brasil não é comum ter um arquiteto dentro do desenvolvimento do data center. Na Europa é habitual. Como arquitetos, temos que entender que não é simplesmente fazer um edifício bonito, mas projetar este contêiner para que as melhores tecnologias funcionem e sejam mais eficientes”.
Outro avanço que é preciso considerar, de acordo com Gustavo, são as medidas normativas. “Não é só uma questão energética, mas de sustentabilidade, consumo de água e o próprio uso do terreno também devem ser considerados. Aprendendo das experiências, conseguimos estar preparados para as novas mudanças”
“Parte arquitetônica é muito subestimada”
Alexandre Kontoyanis, presidente da Ashrae Brasil Chapter, destacou a importância de considerar a parte arquitetônica no desenvolvimento do data center. “A questão da arquitetura, da parte civil, é muito subestimada. Se olhamos num grau de facilidades de retrofit, TI, é muito simples. É só retirar um servidor e colocar outro três vezes mais potente. Na parte elétrica, trocar um no break dá trabalho, mas ainda sai. Na área mecânica, substituir um chiller ou um free cooling já é um absurdo. E trocar as paredes de um data center? É inviável”.
Ele continua: “É importante ter esse grau de maturidade de antecipar o problema. Muitas vezes, nos fixamos na parte mecânica e elétrica, mas a parte civil também é importante, principalmente na fase de projeto e construção. Depois, é difícil trazer um especialista para que resolva. É como trocar a fuselagem do avião enquanto ele está voando”.
Outro ponto importante, segundo Kontoyanis, é a mudança de paradigma. “Antes falávamos de data centers para 20 anos. Mas eu não conheço nenhum case de sucesso de centro de dados que começou com um projeto e terminou com o mesmo. É necessário ponderar que as mudanças são rápidas. Hoje não tem regulamentação, mas amanhã provavelmente vai ter. E se nos encontra no meio do caminho, haverá prejuízo”.
Ele acrescenta: “Então, olhar para quem já errou, trazer essa experiência para aqui antes que seja obrigatório, nos deixa em vantagem e permite uma flexibilidade de erro. Além disso, é essencial ter o alinhamento com a estratégia de TI, sabendo para quê vamos fazer esse data center. Quando temos isso muito bem traçado, implementamos um projeto melhor”.
“É preciso saber utilizar os recursos”
Hemil Maia Ribeiro, Líder Global de Infraestrutura da Angola Cables, também destacará pontos importantes durante o broadcast. Entre eles, a necessidade de se antecipar aos problemas futuros.
“Hoje não temos problemas com a energia, até porque estamos passando por um período de alguns anos que a indústria como um todo não tem crescido em número, pelo contrário, tem encolhido. E isso tem nos ajudado e favorecido com a sobra energética. Quando falamos de PUE, é possível conseguir números interessantes da ordem de 1.3 ou 1.4 desde que antes de começar a fazer a construção do data center, nós entendamos muito bem qual será a utilização que daremos para o centro de dados”, explicou Ribeiro.
Para ele, saber o que será suportado pelo data center e quais operações serão realizadas possibilita dimensionar as capacidades e não consumir energia além do necessário. “Esta é uma lição que devemos aprender. E por mais que estejamos bem tecnologicamente falando, o fato é que demoramos muito tempo para fazer as reações de mercados que já vem sofrendo com mais escassez de recursos. Dessa forma, acabamos ficando não competitivos. É preciso saber utilizar bem os nossos recursos”.
Ribeiro também destacou a importância da conectividade para impulsionar os projetos. “Para conseguir entregar uma conectividade com alta disponibilidade, necessitamos infraestruturas gigantescas. É algo que vem sendo feito para os grandes centros há muito tempo, mas quando falamos do interior, a situação é complicada. Estamos falando mais uma vez do custo que isso depois vai trazer de rentabilização para as empresas”.
Planejamento é chave
Fabiano Tatsugawa Duarte, Diretor de Infraestrutura Missão Crítica da Claro, afirmou que o planejamento é a chave para alcançar melhores resultados. “O planejamento vai desde a visão estratégica da empresa e estar alinhado às necessidades dos clientes, e de fato acompanhar o que está acontecendo no mercado. A energia é o ponto comum, e o seu consumo é linear. Você pode aumentar a eficiência do processamento e processar mais com menos energia, mas de qualquer forma esta é uma energia obrigatoriamente consumida. Então, devemos olhar as oportunidades focando naquilo que é essencial, mas auxiliar”.
Ele acrescentou: “Do ponto de vista de refrigeração, alguns mercados têm o perfil de ser mais ousados e de levar a infraestrutura e construí-la em locais que favorecem de fato data centers mais eficientes. Tentar ousar um pouco mais na seleção dos locais, investir na automação e em técnicas que reduzam e tragam mais eficiência para os data centers. São pontos que temos que aprender dos países mais desenvolvidos. Apesar daqueles países terem alguns favorecimentos climáticos, devemos trazer as suas lições como referências. Pensar em como, dentro das nossas condições, atingir níveis de eficiência olhando pela redução do consumo de energia”.
Programação
O broadcast gratuito DCD>Inovação e Design, realizado no dia 27 de junho, começa às 9h (horário de Brasília) com o techshow case da LZA Engenharia sobre “Impacto da agenda 2030 no plano de expansão de Data Centers na América do Sul”, ao comando de Jonatha Giadanes e Jan Carlos Sens, ambos diretores de engenharia da LZA.
Depois do painel “Como o design dos Data Centers tem evoluído ao longo dos anos?” (às 9h30), ocorre o segundo painel “Projetando Data Centers de sucesso: lições valiosas de mercados maduros para o Brasil”, às 10:30 am.
O primeiro painel terá a participação de Franciele Nogueira, diretora de engenharia de design da Scala Data Centers; Alberto Alves, diretor de infraestrutura de Data Center da Cirion Technologies; e Marcelo Tomio, coordenador de infraestrutura de missão crítica de data center do Itaú-Unibanco.
A programação continua às 11:30 com a apresentação Keynote: “Gestão focada na sustentabilidade operacional (Projeto ganhador no DCD Awards)”, com Fábio Martins Franco, líder de equipe de Data Centers na DataPrev em São Paulo e Lucas Cusinato, líder de equipe de Data Centers na DataPrev em Brasília.
Para assistir ao broadcast, registre-se gratuitamente clicando aqui.
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