A Brasscom divulgou um relatório sobre a regionalização dos empregos formais em tecnologia da informação e comunicação no Brasil, indicando que o país conta com cerca de 943 mil trabalhadores CLT na área. O documento descreve um setor em expansão, com maior dispersão geográfica, evolução salarial e fortalecimento estratégico na economia.

O estudo mostra que o Sudeste permanece como principal polo, concentrando 62,5% das vagas e as maiores remunerações. Ainda assim, entre 2023 e 2025, o crescimento do emprego em TIC foi mais intenso fora do eixo Sul-Sudeste: 5,4% no Norte, 3,8% no Nordeste e 3,2% no Centro-Oeste, acima do avanço registrado no Sul (3,1%) e no Sudeste (2%). Os dados apontam para uma descentralização gradual do setor, apoiada por universidades, parques tecnológicos e políticas públicas de inovação.

Segundo a diretora de Parcerias e Projetos em Educação da Brasscom, Roberta Piozzi, o movimento está ligado à aceleração da transformação digital, que ampliou a demanda por profissionais, elevou salários e estimulou a interiorização das oportunidades, embora persistam desigualdades regionais em infraestrutura e qualificação.

São Paulo aparece como o principal polo de tecnologia da informação e comunicação do país, concentrando 44,7% dos empregos formais do setor e um salário médio de R$ 7.321. O estado também registra expansão de atividades no interior, impulsionada por custos menores e por incentivos locais.

Minas Gerais ocupa a segunda posição em número de vínculos, com remuneração média de R$ 4.955, concentrada sobretudo na região metropolitana de Belo Horizonte. O Rio de Janeiro, terceiro colocado, tem a segunda maior média salarial do país, de R$ 6.153, influenciada por demandas de setores regulados e por zonas de inovação com benefícios fiscais.

A região Sul mantém um ecossistema consolidado, responsável por 17,5% dos empregos formais em TIC e por um salário médio de R$ 4.972. No Nordeste, Recife, Salvador e Fortaleza lideram a expansão regional, que soma 89.643 postos e uma média salarial de R$ 3.950.

O Centro-Oeste reúne 62.782 empregos e uma média de R$ 4.855, impulsionada pelo Distrito Federal, onde a remuneração chega a R$ 6.622. A região se destaca por especializações em agronegócio, bioeconomia e serviços digitais.

No Norte, são 36.079 vínculos formais e um salário médio de R$ 2.715. Apesar dos desafios estruturais, a região mantém relevância estratégica, apoiada pela Zona Franca de Manaus e pela expansão dos parques tecnológicos.

O relatório indica que a função de analista de desenvolvimento de sistemas é a mais valorizada entre as principais ocupações de TIC, liderando tanto em número de profissionais quanto em remuneração. São 252.903 trabalhadores, com salário médio de R$ 8.337, resultado da importância crescente dessa atividade na digitalização de empresas e serviços, impulsionada pela computação em nuvem e pela inteligência artificial.

Entre as funções de menor remuneração, o cargo de técnico de apoio ao usuário (helpdesk) tem média salarial de R$ 2.334, mas registrou o maior crescimento absoluto de empregos em 2025, com 7.089 novas vagas, acompanhando a expansão de processos digitais e a demanda por suporte em ambientes tecnológicos distribuídos.

Ocupações como programador de sistemas de informação, analista de suporte computacional e técnico eletrônico aparecem em faixas intermediárias de remuneração e passam por mudanças associadas à adoção de novas linguagens, à automação e a metodologias ágeis.

A área de suporte de TI, segunda maior do setor, contabilizou 252.808 empregos em 2025 e acumulou 61.112 novas vagas desde 2021. O salário médio cresceu 18,2% no período, atingindo R$ 3.041. Mesmo com ritmo moderado, permanece estratégica para a manutenção da infraestrutura tecnológica e tende a exigir competências mais especializadas, como segurança cibernética e gestão de ambientes híbridos.

O relatório indica que os dados reunidos mostram como o mercado brasileiro de tecnologia da informação e comunicação vem ampliando sua presença no território nacional, diversificando suas áreas de atuação e valorizando carreiras. A entidade afirma que a interiorização das oportunidades e o surgimento de novos polos reforçam o papel estratégico do setor para a competitividade e a inovação no país.

O documento também esclarece que a análise considera exclusivamente empregos formais (CLT) em ocupações típicas de TIC — como analistas e desenvolvedores de sistemas, programadores, técnicos de redes, especialistas em infraestrutura e cientistas de dados. A abordagem difere das avaliações setoriais que contabilizam todos os trabalhadores contratados por empresas de tecnologia, incluindo funções administrativas, comerciais e de apoio. Nesse recorte mais amplo, o Relatório Setorial da Brasscom registra cerca de 2,1 milhões de empregos no ecossistema de TIC.