A Associação Brasileira de Data Centers (ABDC) estima que o Brasil alcance cerca de 1 gigawatt (GW) de capacidade instalada de TI até o fim de 2025, impulsionado principalmente por projetos de hiperescala e colocation de empresas como Ascenty, Equinix, Elea Data Centers, Scala Data Centers e ODATA, com maior concentração no Sul e no Sudeste, informa o site Industrial Info Resources.

As projeções indicam um aumento expressivo na demanda energética: a capacidade solicitada ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) pode chegar a 13,7 GW até 2035. O país responde atualmente por mais de 41% do mercado latino-americano de data centers e deve manter um crescimento anual médio de 9,81% até 2030, em um setor com potencial estimado de 2 trilhões de reais na próxima década.

O Brasil conta com 96 usinas de data centers em operação, enquanto 206 projetos de capital ativos já constam no banco de dados Global Market Intelligence (GMI). O avanço do setor reflete a expansão contínua da demanda por processamento em larga escala e por soluções de energia mais sustentáveis.

Até o quarto trimestre de 2026, o setor de data centers prevê a conclusão de 23 projetos considerados estratégicos. O período deve ser marcado pela entrada em operação de novas estruturas de grandes empresas globais e nacionais, incluindo as expansões da CloudHQ em Paulínia (SP), da Microsoft em Sumaré/Hortolândia (SP) e dos complexos da Scala Data Centers em Barueri e Jundiaí. As novas instalações tendem a reduzir a pressão sobre a demanda por serviços de colocation e de computação em nuvem nas regiões metropolitanas.

Para 2027 e 2028, a expectativa é de uma mudança de escala nos investimentos. Após a consolidação dos empreendimentos iniciados entre 2024 e 2025, um novo ciclo deve ganhar força a partir do fim de 2026. Em meados de 2025, o país registrava 52 solicitações de conexão de data centers à rede básica do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Dos 180 projetos acompanhados no período, cerca de 80% permanecem na fase de planejamento, enquanto 11,11% avançaram para a etapa de engenharia e 8,89% já estão em construção. Entre os empreendimentos, três se destacam pelo volume de investimento e pela capacidade energética prevista.

O Scala IA City, em Eldorado do Sul (RS), é considerado um dos maiores projetos do continente, com CAPEX estimado em 1,54 bilhão de dólares (8,01 bilhões de reais) e capacidade final projetada de até 4,75 GW. No Rio de Janeiro, o projeto Rio IA City, liderado pela Elea Data Centers, prevê investimento inicial de 9 bilhões de reais para os quatro primeiros edifícios, com potencial de chegar a 50 bilhões de reais e 1,5 GW de capacidade até 2028.

No Ceará, o Data Center TikTok Pecém, desenvolvido pela ByteDance em parceria com a Casa dos Ventos e a Omnia (Pátria Investments), destina 50 bilhões de reais à primeira etapa. O projeto integra a infraestrutura de processamento de dados à geração dedicada de energia renovável.

A viabilidade dos novos projetos de data centers no país depende diretamente da matriz energética brasileira. O alto consumo dos hubs de inteligência artificial tem levado o setor a adotar sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) para garantir a estabilidade e o uso contínuo de fontes renováveis. Também cresce a formação de parcerias com empresas de geração sustentável, como Casa dos Ventos, Serena Energia e Renova Energia, para mitigar as restrições decorrentes das limitações de transmissão, especialmente no Norte e no Nordeste.

No campo regulatório, o setor acompanha iniciativas voltadas à transição energética, como o ReData, além de leilões de linhas de transmissão e de baterias, considerados essenciais para atender à demanda dos novos empreendimentos. A agilidade no licenciamento e o alinhamento aos critérios ESG tornaram-se fatores decisivos para atrair financiamento internacional.

A discussão no setor já não gira em torno da relevância do Brasil, mas sim da velocidade de expansão. Em um horizonte de cinco a dez anos, o país pode figurar entre as maiores potências globais em infraestrutura digital, desde que avance na energia distribuída, nos incentivos fiscais e na descentralização. O volume de novos projetos supera o de instalações concluídas, indicando confiança de investidores estrangeiros.

Para executivos globais, o momento é visto como uma janela estratégica que exige decisões rápidas. Para investidores, o Brasil combina riscos regulatórios com forte potencial de crescimento, sustentado por alta conectividade, posição geográfica favorável e matriz energética predominantemente renovável. Caso o governo assegure oferta de energia e estabilidade fiscal, o país poderá captar uma parte significativa dos investimentos previstos para a próxima década.