A Axia Energia, antiga Eletrobras, está destinando 320 milhões de reais a um projeto no semiárido nordestino que transforma as regiões de Petrolina (PE) e Casa Nova (BA) em um laboratório a céu aberto voltado ao desenvolvimento de soluções em energia renovável, informa o site The News Business. A iniciativa busca criar infraestrutura capaz de atender à crescente demanda energética gerada por aplicações de inteligência artificial.

Como parte do projeto, a empresa instalou uma usina heliotérmica equipada com 270 espelhos, alcançando 90% de eficiência energética, índice muito superior aos cerca de 22% obtidos por painéis solares fotovoltaicos convencionais. O diferencial da tecnologia está no aproveitamento do calor excedente para alimentar chillers de absorção, sistema que permite gerar refrigeração sem consumo adicional de eletricidade.

A solução mira diretamente um dos maiores custos operacionais de data centers: o resfriamento de servidores, que hoje representa até 2% do consumo elétrico global.

A estratégia da Axia Energia também busca reduzir o curtailment, o corte da geração renovável determinado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) quando a rede está saturada. Segundo a empresa, esse fenômeno gerou perdas de aproximadamente 650 milhões de reais aos geradores da região. Ao instalar data centers próximos aos parques eólicos e solares, a companhia elimina custos de transmissão e aproveita energia que seria descartada, operando com custo marginal praticamente nulo.

A iniciativa combina a elevada disponibilidade de recursos naturais do Nordeste com uma malha de transmissão que representa 37% da capacidade instalada do país, posicionando a região como candidata a se tornar um hub global de infraestrutura para inteligência artificial. O movimento reforça a ideia de que o avanço tecnológico depende não apenas de hardware e software sofisticados, mas também do domínio da infraestrutura energética e da eficiência operacional que sustenta esses sistemas.