A Usina Hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, um dos maiores empreendimentos de geração de energia do país, passa por um amplo programa de modernização conduzido pela AXIA Energia, informa o site Cenário Energia. A empresa anunciou um investimento de 1,5 bilhão de reais até 2029 para atualizar equipamentos, reforçar padrões de segurança, ampliar processos de digitalização e elevar a confiabilidade operacional da usina localizada no sudeste do Pará.
Com potência instalada de 8.535 MW, Tucuruí está entre as oito maiores hidrelétricas do mundo e é a segunda maior usina totalmente brasileira. O empreendimento responde por aproximadamente 7% da energia hidráulica fornecida ao Sistema Interligado Nacional (SIN) e segue como um dos principais elementos de estabilidade do sistema elétrico.
O programa de modernização coincide com mais de quatro décadas de operação comercial da usina e reflete uma tendência crescente no setor elétrico: a repotenciação e a digitalização de grandes hidrelétricas como estratégia relevante no contexto da transição energética.
A AXIA Energia afirma que o investimento em Tucuruí está alinhado à necessidade de fortalecer a operação de grandes hidrelétricas em um sistema elétrico cada vez mais influenciado por fontes intermitentes, como solar e eólica. Segundo o diretor-presidente da companhia na região Norte, Antônio Pardauil, o programa de modernização representa mais do que a atualização de equipamentos: reforça o papel estratégico das hidrelétricas no novo cenário do setor elétrico brasileiro.
Pardauil destaca que Tucuruí demonstra ser possível conciliar geração em larga escala com práticas de preservação ambiental. Ele afirma que a usina opera com tecnologias avançadas de monitoramento, maior eficiência no uso da água e padrões elevados de gestão ambiental, o que contribui para manter o empreendimento como um ativo competitivo e relevante para o país.
As declarações dialogam com a função das hidrelétricas como elementos de estabilidade do Sistema Interligado Nacional, atuando como “baterias naturais” capazes de compensar oscilações na produção de fontes renováveis variáveis e garantir a confiabilidade do sistema.
O programa de modernização da Usina Hidrelétrica de Tucuruí concentra-se na substituição e atualização de equipamentos eletromecânicos considerados críticos, muitos deles instalados entre as décadas de 1980 e 1990. Nesta etapa, a AXIA Energia já direciona 230 milhões de reais para a modernização completa de cinco geradores, dos quais o primeiro já voltou a operar. A empresa também concluiu a troca de uma subestação blindada, investimento de 35 milhões de reais, e adquiriu dois novos transformadores para as Casas de Força I e II, somando 55 milhões de reais. Outros 45 milhões foram aplicados na reforma de mais dois transformadores.
Em termos de produção, Tucuruí registrou geração de 28.643 GWh em 2024, o equivalente a 4,5% de toda a energia fornecida ao Sistema Interligado Nacional, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
A AXIA Energia também direciona esforços para a digitalização completa da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, com o objetivo de aumentar a eficiência operacional, reforçar a segurança e reduzir a ocorrência de falhas. Apenas em 2025, foram aplicados 30 milhões de reais na implantação de tecnologia Wi-Fi 6E, com a instalação de 450 pontos de acesso distribuídos por todas as áreas da usina, incluindo casas de força, galerias subterrâneas, barragem, vertedouro, pátio de transformadores e centros de supervisão.
A infraestrutura de comunicação foi ampliada de 1 Gbps para 10 Gbps, transformando Tucuruí em uma planta industrial totalmente conectada. O projeto envolveu a instalação de 80 km de cabos de fibra óptica, 5 km de cabos elétricos e 35 km de eletrodutos, criando a base necessária para a coleta em larga escala de dados operacionais.
Com essa estrutura, a usina passa a estar preparada para o uso intensivo de sensoriamento de ativos, ferramentas de análise de dados e aplicações de inteligência artificial, com impactos diretos em manutenção preditiva, automação de processos e realização de inspeções remotas.
Do ponto de vista operacional, um dos aspectos centrais do projeto é que todas as intervenções estão sendo realizadas com a usina em plena operação comercial, sem necessidade de retirada do ativo do Sistema Interligado Nacional. Segundo o gerente executivo da usina, Allan Almeida de Lima, trata-se de uma das iniciativas mais complexas já executadas no parque hidrelétrico brasileiro.
Lima afirma que o programa envolve a substituição de transformadores elevadores, geradores, subestação blindada a gás e diversos equipamentos dos sistemas auxiliares, mantendo a produção de energia durante todo o processo. Ele destaca que, ao término das obras, Tucuruí deverá alcançar níveis máximos de confiabilidade e previsibilidade operacional.
Todas as intervenções contam com licenciamento e acompanhamento da Secretaria de Meio Ambiente do Pará (Semas-PA) e seguem um Sistema de Gestão Ambiental Integrado, em conformidade com os requisitos da NBR ISO 14001.
O modelo de gestão adotado inclui controle de impactos ambientais, uso eficiente de recursos naturais, monitoramento contínuo e ações de relacionamento com as comunidades do entorno, compondo a estratégia ESG da empresa.
Mais do que um conjunto de intervenções pontuais, o programa conduzido pela AXIA em Tucuruí indica uma mudança estrutural na dinâmica de expansão do setor elétrico brasileiro. O foco deixa de estar concentrado na construção de novos grandes empreendimentos e passa a priorizar a repotenciação, a digitalização e o aproveitamento máximo de ativos já existentes.
Em um contexto marcado pela transição energética, pela expansão de fontes intermitentes e pelo aumento da complexidade operacional do Sistema Interligado Nacional, iniciativas como a de Tucuruí ganham relevância crescente na agenda estratégica do setor.
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