A empresa norte-americana Atlas Renewable Energy planeja desenvolver ao menos três data centers no complexo industrial do Porto do Açu, localizado no estado do Rio de Janeiro, informou a BNamericas. Os projetos foram submetidos individualmente ao Ministério de Minas e Energia para avaliação de conexão à rede elétrica, por meio da subsidiária local Atlas Comercializadora de Energia.

A Atlas foi adquirida em 2022 pelo grupo de investimentos norte-americano Global Infrastructure Partners (GIP), anteriormente pertencente ao fundo britânico Actis. Esses projetos representam os primeiros investimentos diretos da empresa na área de desenvolvimento de data centers. A Atlas já mantém contratos de fornecimento de energia com empresas do setor, como a Odata no Chile e a Tecto/V.tal no Brasil, entre outras.

Com essa iniciativa, a Atlas passa a integrar o grupo de empresas do setor de comercialização e geração de energia — como Serena, GP Participações, BEP Energia e Casa dos Ventos — que vêm ampliando sua atuação para além dos contratos de fornecimento, investindo no desenvolvimento de projetos próprios de data centers, em alguns casos por meio de parcerias com empresas especializadas.

A Atlas também está entre as organizações que têm interesse no complexo industrial do Porto do Açu. A Ascenty, uma das principais operadoras de data centers da América Latina, está conduzindo um projeto na unidade localizada em São João da Barra.

Em agosto de 2024, a Prumo Logística, responsável pelo desenvolvimento do complexo do Porto do Açu, firmou um memorando de entendimentos com o grupo Andrade Gutierrez para viabilizar projetos de data centers de hiperescala no local. O acordo foi estabelecido com a construtora Vertin, uma joint venture formada pela Consag Engenharia — subsidiária da Andrade Gutierrez — e pela CA3M Engenharia.

Segundo Eugênio Figueiredo, CEO do Porto do Açu, o grupo já vinha avaliando o mercado de data centers há algum tempo. Em entrevista à BNamericas no ano anterior, ele destacou que, ao analisar os requisitos para a instalação desses empreendimentos, identificaram condições favoráveis no complexo. Embora a distância dos grandes centros consumidores representasse um desafio inicial, fatores como disponibilidade de espaço, facilidade de construção e ausência de interferências no entorno se mostraram vantajosos para aplicações como inteligência artificial e armazenamento de dados.

Eugênio Figueiredo também destacou a disponibilidade de água doce e reutilizável para sistemas de resfriamento, a geração local de energia e a proximidade com cabos submarinos como fatores que conferem vantagens competitivas ao complexo do Porto do Açu. Segundo ele, a presença de fontes de energia no próprio local — como gás natural, solar e, futuramente, eólica offshore — aliada à existência de geradores, contribui para a confiabilidade das instalações. Além disso, o cabeamento submarino que chega ao porto viabiliza conexões eficientes com redes globais.

Além de sua função como complexo industrial, o Porto do Açu também está classificado como uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE). Em 2025, uma medida provisória do governo federal autorizou a instalação de data centers em ZPEs voltados ao processamento de dados para exportação, desde que essas unidades sejam abastecidas por fontes de energia renovável provenientes de usinas desenvolvidas após a publicação da medida.