O Plano Nacional de Data Centers (ReData), atualmente em desenvolvimento pelo governo federal, tem potencial para alavancar os investimentos na área de infraestrutura. Essa perspectiva foi compartilhada por Marcos Siqueira, Chief Revenue Officer (CRO) da Ascenty, durante a cerimônia de inauguração do terceiro data center da empresa no Chile, informa o site Teletime.

O Plano Nacional de Data Centers (ReData) propõe um regime tributário especial para empresas do setor, baseado em diretrizes estratégicas como exigências de sustentabilidade, garantia de capacidade computacional voltada ao mercado interno e incentivo a pesquisas com foco no Brasil.

Em maio, o governo brasileiro apresentou uma versão preliminar do plano a empresas de tecnologia nos Estados Unidos, com o objetivo de posicionar o país de forma mais competitiva no cenário global de infraestrutura digital. Se aprovado, o ReData poderá atrair até 2 trilhões de reais em investimentos ao longo da próxima década, consolidando o Brasil como um polo relevante no ecossistema de data centers.

A inteligência artificial está moldando decisões empresariais em escala global, e uma das principais questões hoje é a escolha do país onde serão alocadas grandes cargas de dados. Segundo Marcos Siqueira, CRO da Ascenty, se o Brasil oferecer um ambiente tributário mais competitivo, isso poderá atrair um volume expressivo de investimentos para o país.

Siqueira destacou ainda que, com a aprovação do plano, os aportes da Ascenty podem dar um salto: Os valores podem passar dos atuais 1,4 a 1,5 bilhão de reais para 7,5 a 8,1 bilhões de reais anuais.

Enquanto o ReData ainda está em fase de elaboração, o governo federal publicou a Medida Provisória nº 1.307/25, que atualiza a Lei das Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs). A nova MP estabelece incentivos fiscais que podem beneficiar data centers instalados nessas áreas, atualmente distribuídas por 16 estados brasileiros.

Além do Ministério da Fazenda, a Anatel também intensificou sua atuação no setor de infraestrutura digital. No início do mês, a agência aprovou um novo regulamento voltado à organização e fiscalização dos centros de dados no país. O texto define critérios para catalogação, classificação e conformidade, exigindo que operadoras contratem fornecedores alinhados com políticas compatíveis às novas diretrizes.

Uma semana após a publicação do novo regulamento, a Anatel ampliou seu escopo ao incluir os data centers que operam integrados às redes de telecomunicações nas diretrizes do Regulamento de Cibersegurança (R-Ciber). Com isso, as prestadoras passam a ser obrigadas a contratar fornecedores que adotem políticas compatíveis com os padrões de segurança estabelecidos.