O setor de data centers na América Latina e Caribe avança na criação de uma associação regional que visa coordenar o desenvolvimento do setor, promover normas comuns e reforçar o posicionamento da região como destino estratégico para investimentos em infraestruturas digitais.
A iniciativa, promovida inicialmente pela Associação Peruana de Data Center (Peru-DC), reúne representantes das associações nacionais da Colômbia, Brasil, Chile e Caribe, que trabalham em um roteiro comum para formalizar uma entidade regional nos próximos meses.
O movimento surge em um momento especialmente relevante para o setor. A procura por capacidade digital continua a crescer, impulsionada pela inteligência artificial, pela nuvem, pela implantação de redes 5G e pelos projetos de soberania digital em desenvolvimento em vários países da região. De acordo com dados apresentados pelas organizações participantes, o inventário latino-americano de data centers de colocation atingiu 1,1 GW em 2025, após um crescimento de 20% em relação ao ano anterior.
Uma agenda comum para a infraestrutura digital
Entre as prioridades que a futura associação estuda figuram a definição de normas técnicas compartilhadas, a formação de talentos especializados, a promoção da cibersegurança e o reforço da resiliência das infraestruturas críticas. Serão também abordadas questões relacionadas com a implantação de capacidades de inteligência artificial e com o desenvolvimento de novas rotas de conectividade regional por meio de cabos submarinos.
A iniciativa alinha-se ainda aos objetivos da agenda digital eLAC2026, impulsionada pela CEPAL, que identifica a conectividade e a infraestrutura digital como um dos pilares estratégicos para o desenvolvimento econômico da América Latina e Caribe.
Competir no novo ciclo de investimento em IA
A criação de uma estrutura regional também responde à crescente concorrência global para atrair investimentos ligados à inteligência artificial e à computação avançada. Mercados como o Brasil, o Chile, a Colômbia e o Peru reforçam suas estratégias para atrair novos desenvolvimentos de data centers, aproveitando fatores como a disponibilidade energética, a conectividade internacional e o crescimento da procura local.
A indústria considera que uma maior coordenação regional permitirá acelerar a profissionalização do setor, melhorar o diálogo com governos e organismos multilaterais e aumentar a visibilidade da América Latina no panorama global das infraestruturas digitais. Prevê-se que a futura Associação de Centros de Dados da América Latina e Caribe seja formalmente constituída nos próximos doze meses.
*Texto traduzido e editado ao português por Bruno Faria
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