A Microsoft suspendeu todas as compras de créditos de compensação de carbono, o que representa um duro golpe para o setor. A Microsoft é, de longe, a maior compradora de créditos de compensação de carbono, tendo assinado, nos últimos anos, inúmeros acordos que totalizam milhões de créditos.
A notícia, publicada pela primeira vez pelo Heat Map, revelou que a gigante da tecnologia começou a informar seus fornecedores e parceiros de que suspende todas as compras futuras de créditos, sem que fique claro se a empresa irá retomar essas compras.
A notícia representa um duro golpe para o setor, que, nos últimos anos, tem sido liderado pela Microsoft. A empresa tinha transformado a remoção de carbono em um pilar fundamental da sua estratégia de sustentabilidade, apoiando empresas com diversas abordagens de remoção, entre as quais se incluem o biocarvão, a meteorização melhorada de rochas, a captura e armazenamento de carbono e o reflorestamento, para citar algumas. No total, a empresa adquiriu mais de 45 milhões de toneladas de eliminação de carbono, enquanto seu concorrente mais próximo, a Frontier — um consórcio de compra de créditos de carbono que inclui empresas como a Meta e a Google — adquiriu 1,8 milhão de toneladas.
Em resposta à notícia, a Microsoft negou ter suspendido indefinidamente todas as compras. "Revisamos e avaliamos continuamente a nossa carteira de eliminação de carbono, juntamente com as condições do mercado, para alcançar o equilíbrio ideal no nosso caminho para a neutralidade carbônica", declarou um porta-voz à Heat Map.
A pausa ocorre em um momento em que os hiperescalas como a Microsoft lutam para conciliar suas ambiciosas metas de redução de carbono com as crescentes necessidades energéticas associadas ao crescimento da IA. A empresa viu as suas emissões de carbono aumentarem cerca de 30 % em relação ao seu nível de referência de 2020, devido à elevada procura de energia impulsionada pelo boom da IA. Apesar desse crescimento, a Microsoft tem sido considerada líder em sustentabilidade no setor, em grande parte graças à sua política agressiva de eliminação de carbono. Embora as compras de créditos tenham sido suspensas, a empresa manterá uma enorme carteira de acordos, o último dos quais foi assinado apenas alguns dias antes do anúncio, com um projeto de bioenergia com captura e armazenamento de carbono (BECCS) em Saskatchewan, no Canadá.
A notícia da suspensão da Microsoft representa mais um golpe para o mercado da eliminação de carbono, que despertou a ira da Administração Trump. No início do ano, foi noticiado que o Departamento de Energia dos EUA tencionava redirecionar mais de 500 milhões de dólares (2,5 bilhões de reais) de financiamento destinado a projetos de eliminação de carbono para apoiar centrais elétricas a carvão obsoletas. O golpe foi atenuado graças ao apoio do Congresso ao setor, com uma lei de despesas federais para 2026 que inclui mais de 116 milhões de dólares (579,2 milhões de reais) para projetos e pesquisa na área da eliminação de carbono.
Resta saber se alguma outra grande empresa de data centers seguirá os passos da Microsoft, uma vez que os outros hiperescalas importantes são muito mais seletivos em suas estratégias de aquisição.
*Texto traduzido e editado ao português por Bruno Faria
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