A Everpure, antiga Pure Storage, divulgou nesta sexta-feira (16) o Global Data Sovereignty Report 2026, pesquisa global segundo a qual 88% dos executivos C-level de grandes empresas acreditam que uma falha na soberania de dados pode custar seus empregos. O levantamento mostra ainda que 91% temem prejuízos financeiros e danos à reputação corporativa em caso de problemas. Apesar da percepção de risco, 64% das organizações ouvidas operam sem uma estratégia formal de soberania de dados.

Encomendado pela Everpure à Vanson Bourne, o estudo ouviu 2.100 executivos C-level e líderes de TI de grandes empresas em junho de 2026, em oito países: Reino Unido, França, Alemanha, Austrália, Japão, Coreia do Sul, Singapura e Índia. De acordo com a companhia, os mercados selecionados representam contextos regulatórios e geopolíticos distintos, nos quais a soberania de dados passou a influenciar diretamente os resultados dos negócios.

No Brasil, de acordo com Claudio Tancredi, country manager da Everpure no país, empresas vêm reavaliando onde manter seus dados mais sensíveis à medida que os projetos de IA avançam da fase de testes para a produção. Segundo ele, custos, requisitos regulatórios e a necessidade de maior controle sobre os dados levam parte das companhias a reconsiderar o que manter na nuvem e o que faz mais sentido levar para a infraestrutura própria ou para data centers de terceiros.

Claudio Tancredi Everpure
Claudio Tancredi – Everpure

Tancredi acrescenta que o avanço da IA exige uma base sólida de dados, com qualidade, governança e políticas claras de gestão, temas que, na avaliação do executivo, vêm ganhando espaço nas discussões com as empresas brasileiras. O debate também avança no setor público: em setembro, o governo federal sinalizou a intenção de migrar dados estratégicos, como informações fiscais e de saúde, para uma infraestrutura soberana, enquanto Serpro e Dataprev ampliam capacidade com um novo data center em Brasília.

Segundo o relatório, a soberania de dados tornou-se uma questão crítica para as empresas, diante de riscos que vão da extração de dados imposta por autoridades estrangeiras até possíveis incidentes de negação de serviço (DoS). Para 90% das organizações, o tema já é uma preocupação de negócios, e a maioria espera consequências graves para as finanças ou a liderança em caso de falha.

A pesquisa também coloca a localização da infraestrutura no centro das decisões de contratação. De acordo com o levantamento, 85% das empresas estariam dispostas a renunciar a recursos e funcionalidades avançadas para contratar um provedor local ou soberano, e 40% já restringem o uso de fornecedores de SaaS que dependem de infraestrutura localizada fora do país.

Os dados apontam para o que a Everpure chama de “lacuna de soberania”: a distância entre o reconhecimento dos riscos pelos executivos e o preparo operacional para enfrentá-los. Além dos 64% sem estratégia formal, 62% das organizações não têm visibilidade completa sobre quem pode acessar, controlar e gerenciar seus dados, e 56% não possuem planos para lidar com a extração de dados por motivos geopolíticos ou com interrupções de serviço.

O estudo indica ainda que 56% das empresas admitem não dispor das competências e da capacidade necessárias para executar iniciativas de soberania, enquanto 36% relatam dificuldades em obter apoio da alta liderança. Apenas 9% consideram a proteção contra o acesso de autoridades de outras jurisdições aos dados como prioridade máxima. Segundo o relatório, muitas companhias ainda tratam a soberania como um tema rotineiro de cibersegurança ou de conformidade e, com isso, não asseguram o controle sobre seus dados nem se protegem contra ameaças geopolíticas com potencial de impacto significativo nos negócios.

Alex McMullan, diretor internacional de Tecnologia da Everpure, avalia que os líderes seniores entendem que seus cargos estão em jogo quando se trata de soberania de dados, mas que muitos ainda se concentram nos riscos errados. Para o executivo, a soberania não se limita ao local onde os dados são armazenados, mas também à visibilidade e ao controle completos sobre eles, por meio de uma gestão moderna de dados. McMullan aponta como questões fundamentais para qualquer organização quem pode acessar os dados, quais jurisdições se aplicam e se os dados ou serviços críticos para o negócio podem sofrer interrupções.

Na mesma linha, Rahiel Nasir, diretor de pesquisa e analista principal de Soberania Digital Mundial da IDC, afirma que a soberania digital deixou de ser uma discussão restrita à conformidade e se tornou uma preocupação crítica para os conselhos de administração. Segundo o analista, o desafio dos executivos vai além de saber onde os dados estão hospedados e envolve ter controle total sobre acessos e transferências, incluindo metadados, assegurar proteção contra solicitações extraterritoriais e gerenciar os riscos de TI e de fornecedores diante das incertezas geopolíticas.

Como resposta, a Everpure recomenda que as organizações adotem a chamada soberania desde a concepção, ou soberania por design, uma abordagem orientada pelos negócios e pela avaliação de riscos, na qual controles e governança são aplicados de acordo com o risco de cada conjunto de dados, aplicação e carga de trabalho. Nesse modelo, o foco se desloca da soberania nacional para a soberania corporativa, baseada no apetite ao risco e na leitura regulatória de cada organização.

De acordo com a empresa, a abordagem permite proteger ativos críticos contra os principais riscos de soberania sem abrir mão da flexibilidade, da inovação e da escala oferecidas por provedores globais de SaaS e de nuvem. A Everpure posiciona o Everpure Data Intelligence como ferramenta para identificar, classificar e contextualizar dados corporativos na própria plataforma da companhia, em nuvens públicas, em aplicações SaaS e em sistemas de armazenamento de terceiros, oferecendo visibilidade para decisões de governança e proteção.

Para a fabricante, ao priorizar os dados e a mitigação de riscos, as organizações podem incorporar a soberania desde a concepção e transformá-la em fonte de resiliência e vantagem competitiva, em vez de uma barreira à inovação. O tema tem ganhado peso também na América Latina, onde a discussão sobre onde e sob quais regras os dados são processados passa a influenciar decisões de infraestrutura e de contratação de data centers.