Desenhada em 2016, a atual estratégia de TI da Vale, foi posta em prática quando a mineradora multinacional brasileira decidiu implantar um programa de Transformação Digital para avançar na Indústria 4.0. O programa se baseia em quatro pilares: análise avançada de dados, integração de sistemas e cadeias, robotização e equipamentos autônomos (como caminhões e perfuratrizes). 
 
No total, as iniciativas de Transformação Digital priorizadas para as operações de minério de ferro no Brasil, irão gerar uma redução de custos de até US$ 0,50 por tonelada até 2023. São cerca de 160 projetos que receberão investimentos na ordem de US$ 250 milhões.
 
Iniciativa
 
A mineradora brasileira vem apostando alto na Internet das Coisas, Advanced Analytics, Machine Learning, Inteligência Artificial e aplicativos móveis. A iniciativa tem permitido promover a integração entre as áreas de negócio pelo mundo, reduzir custos, simplificar processos, aumentar a produtividade e a eficiência operacional, com melhores índices de saúde e segurança. 
 
De acordo com Hélio Mosquim, gerente-executivo de Inovação em TI da Vale, em 2017, o programa rendeu uma economia de cerca de US$ 480 milhões desde o ano passado, devendo chegar a US$ 500 milhões ainda este ano. O executivo da Vale conta que no setor de minério, a inovação ganhou maior importância nos últimos anos, com o fim do superciclo da mineração, já que no passado os altos preços das commodities levaram empresas a focar no aumento do volume de produção. O preço da tonelada do minério de ferro, chegou a atingir o pico de US$ 191 em 2011. Mas a partir de 2013,  caiu para um patamar mais sustentável e a partir daí, as mineradoras começaram a priorizar o aumento da produtividade e a redução dos custos para assim, ampliar suas margens operacionais.
 
"Estudos de consultorias apontam que a Indústria 4.0 tem potencial de contribuir com bilhões de dólares de economia para atingir esse objetivo", menciona ele.
 
COI (Centro de Operações Integradas)
 
Um exemplo dentro da Vale, de como a tecnologia pode ajudar neste sentido, é o COI (Centro de Operações Integradas), que compreende uma única área que integra e otimiza o planejamento em toda a mineradora e responde também pela programação da cadeia de valor estendida ("vendas e marketing"). O novo modelo de gestão tem permitido atender as demandas dos clientes, centro de distribuição, blendagem e estoques de forma mais eficaz, possibilitando tomadas de decisões de forma rápida. Um dos pilares para alcançar os objetivos do COI, é o uso intensivo de tecnologia digital para promover a colaboração entre as equipes, tornando a troca de informações fácil e melhora na eficácia do planejamento da cadeia de valor, que é complexa e envolve profissionais distribuídos em diferentes geografias e fusos horários.
 
Esses princípios nortearam o projeto de inovação da Vale desde a concepção, resultando em um ambiente que combina modernos painéis de visualização, salas de videoconferência e várias ferramentas de colaboração. Além disso, sistemas foram aprimorados e outros foram desenvolvidos para agilizar e melhorar o processo de planejamento e distribuição da produção. Dois deles se destacam: o Advanced Planning and Scheduling (APS) Ferrosos e o Sistema de Otimização da Alocação de Navios (SOAN).
 
Parceria com a Chemtech
 
Comandado pela Chemtech, o GPV-M (Gestão da Produção Vale - Mineração) começou a ser desenvolvido em 2014 e implantado pela empresa do Grupo Siemens em 2016, substituindo outros 17 sistemas que vinham sendo usados nas unidades de minério de ferro e manganês da empresa no Brasil. Ao todo, serão 38 minas, plantas e entrepostos com o novo sistema. A implantação, que já foi concluída em 20 unidades de Maranhão, Minas Gerais, e Pará, faz parte da plataforma tecnológica de gestão de supply chain do negócio de ferrosos, e deve proporcionar uma economia de mais de US$ 70 milhões até 2020.
 
"A mudança traz três principais ganhos financeiros: redução do custo de TI com a manutenção e evolução de diferentes sistemas e plataformas; custo evitado para o negócio em função da redução de impactos operacionais causados por indisponibilidade do sistema. E, por último, são esperados ganhos relevantes com maior produtividade de mão de obra e redução de horas improdutivas dos ativos, suportados pela melhor usabilidade do sistema e maior disponibilidade de informações para tomada de decisão", conta o gerente-executivo de Inovação em TI da Vale, destacando que a implantação do novo sistema foi um passo importante para a implantação do COI, que ocorreu no final de 2017.
 
Inteligência Artificial 
 
A Inteligência Artificial está revolucionando a maneira como as indústrias prevêem falhas em equipamentos, solucionam problemas e otimizam processos. Na Vale, o benefício estimado para 2018, com o uso dessa ciência é de US$ 26 milhões.
 
"A Vale chega a este valor ao calcular a economia potencial de cada projeto mapeado", explica Hélio Mosquim, acrescentando que a mineradora possui hoje, 10 projetos que estabelecem novas metodologias de manutenção para equipamentos de mina, que ajudam a evitar problemas nos trilhos das ferrovias e promovem melhorias na gestão das usinas de beneficiamento de minério e de pelotização, processo em que partículas de um minério são aglutinadas, o que facilita as operações metalúrgicas posteriores.
 
Também desenvolvidas em outras localidades onde a mineradora atua fora do Brasil, principalmente em Moçambique e no Canadá. Em território nacional, as iniciativas de inovação da Vale vêm sendo fortemente desenvolvidas em cinco estados: Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará,  e Rio de Janeiro.
 
Um exemplo, citado por Hélio Mosquim,  é um projeto que levou à economia a manutenção de pneus de caminhões fora da estrada. A mineradora tem coletado os milhões de dados gerados por sensores instalados nas áreas operacionais e analisado-os com a ajuda de sistemas de Inteligência Artificial. Dessa forma, geram-se insights sobre o comportamento dos equipamentos, que ajudam a prever problemas e influenciam na tomada de decisões.
 
Com o uso desse processo específico, conhecido como "Análise Avançada de Dados" (Advanced Analytics), a Vale busca estabelecer uma nova metodologia de manutenção que otimize o ciclo de vida dos equipamentos, aumente sua vida útil e evite intervenções desnecessárias. 
 
Um dos projetos de maior impacto dentro da mineradora, já teve seus resultados comprovados em 2017. Na mina de cobre de Salobo, no Pará, houve um aumento de 30% em um ano, na vida útil dos pneus de caminhões fora da estrada, o que representou uma economia de US$ 5 milhões no período.