A União Europeia anunciou o investimento de 26,5 milhões de euros no projeto Cabo Submarino Brasil-Europa, coordenado pela Telebras. O anúncio foi feito, na última semana, em Bruxelas, pelo presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, durante a cúpula entre os líderes da UE e da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), com a presença da presidente Dilma Rousseff.
O investimento da União Europeia será aportado como antecipação de uso da rede pelas entidades de ensino e pesquisa dos países membros da comunidade. A Telebras está também em negociação com entidades brasileiras de pesquisa e educação para acertar acordos semelhantes.
 
Em Bruxelas, além de acertar detalhes para a construção do novo cabo submarino, Dilma abordou o tema da Segurança na Internet em reunião bilateral com a chanceler alemã, Angela Merkel. “Nos interessa continuar essa discussão na área de cibersegurança e também uma cooperação na área de tecnologia digital”, afirmou Dilma aos jornalistas presentes no Conselho Europeu. Em fevereiro do ano passado, durante a reunião UE-Brasil, Dilma elogiou a proposta de Merkel de criar uma internet baseada na Europa como forma de assegurar as comunicações.
 
A construção de cabos submarinos ligando o Brasil ao continente europeu está entre as ações da Telebras para atender às necessidades estratégicas de comunicação no país, promovendo o escoamento do tráfego internacional da América do Sul para países da Europa, Oriente Médio, Ásia, Oceania e América do Norte, sem passar pelos Estados Unidos. Desta forma, este cabo também desempenhará importante função de proteger as telecomunicações nacionais e toda América do Sul do risco de espionagem por outros países.
Atualmente, cinco cabos submarinos ligam o Brasil ao exterior: quatro para os Estados Unidos e um para a Europa, este já completamente esgotado em sua capacidade de transmissão de dados. Todos os cabos são de propriedade de empresas privadas, controladas por grupos estrangeiros.
 
O projeto Cabo Submarino da Telebras prevê a construção de um cabo que interliga o Brasil, a partir da cidade de Fortaleza, a Lisboa, em Portugal. Para viabilizar esse projeto, a Telebras terá a parceria da empresa espanhola Islalink, com previsão de investimentos de US$ 185 milhões. Atualmente o acordo de acionistas está no Ministério da Fazenda para avaliação.
A entrada em operação do cabo está prevista para 2017 e terá capacidade total de 30 terabits por segundo, iniciando a operação com 500 gigabits.
 
O cabo submarino Brasil-Europa será interligado ao backbone da Telebras, hoje com mais de 21 km ligando todas as regiões brasileiras, que por sua vez terá conexão com a rede de fibra ótica dos países vizinhos.