A primeira coisa que precisamos fazer é reconhecer que o problema é a escassez de mão de obra. Grande parte da retórica sobre essa questão se concentra na palavra “habilidades” – sejam painéis ou webinars sobre a “escassez de habilidades” ou empresas de data center reclamando que a notável falta de talentos qualificados prejudica sua capacidade de escalar e executar projetos.
Todos nós somos culpados de usar esses termos de forma intercambiável, mas é mais do que apenas nomenclatura sem importância. Em primeiro lugar, o que a maioria das pessoas quer dizer quando diz “qualificado” é, na verdade, “experiente”. A guerra por talentos qualificados em que as empresas estão se engajando é apenas uma briga constante pelo mesmo grupo cada vez menor de profissionais, enquanto a demanda por operadores e construtores de data centers está disparando.
Quando você percebe que as pessoas estão usando o termo “habilidade” como sinônimo de experiência, você começa a ver como o diálogo é ridículo: “Não há profissionais de data center experientes o suficiente, precisamos encontrar mais alguns!”.
Quando nos envolvemos nesse discurso muitas vezes somos culpados de focar no sintoma e não na causa. Talentos experientes e qualificados não aparecem do nada, mesmo aqueles que se enquadram nessa categoria tiveram que começar em algum lugar – o verdadeiro problema que estamos enfrentando é de trabalho.
Simplificando, não há pessoas suficientes no setor para lidar com a demanda em sua infraestrutura.
O que pode ser feito a respeito?
Coletivamente, a primeira coisa que precisamos fazer é focar nas pessoas. As habilidades podem ser desenvolvidas e a experiência vem com o tempo, mas se não estamos contratando pessoas de fora da indústria, a crise de talentos se transformará em operacional.
Em 2021, a Uptime informou que a indústria precisa recrutar mais 300.000 pessoas até 2025 – imagine esse número agora após o boom da IA!
A falta de caminhos formais de educação também é um problema, tanto no nível universitário quanto no ensino técnico. Dito isso, as coisas estão definitivamente melhorando – agora há muitas iniciativas boas para jovens e graduados em que a educação em data center está sendo totalmente financiada por terceiros, e o número dessas iniciativas cresce a cada ano.
Também houve muito sucesso no foco em outros setores de missão crítica em que há habilidades transferíveis. Todos sabemos como os veteranos se saem bem nesse setor, e, novamente, o número de iniciativas focadas na contratação de veteranos também cresce a cada ano.
No entanto, isso não significará nada se as empresas não estiverem olhando para esses perfis na hora da contratação.
Adivinhem, é mais barato
Contratar fora do setor não é bom apenas para o futuro da indústria, é bom para as finanças.
Talento experiente não é barato. A luta por pessoal endurecido pela batalha eleva os custos de recrutamento exponencialmente, agravados por taxas de retenção abaixo do ideal pela contínua procura talentos.
Já perdi a conta do número de clientes que só nesse ano nos procuraram para se queixar da falta de talento qualificado, dos custos de contratação e depois sofrendo com baixos índices de retenção. Isso causa problemas muito maiores do que os altos custos de aquisição de talentos, pois o desgaste pode atrasar projetos e afetar a posição de uma empresa no mercado.
Vimos muito sucesso em planos de integração e desenvolvimento de empresas de data center, que permitem que elas contratem mais funcionários de nível júnior e inexperientes e, em seguida, equipá-los com o conhecimento e as habilidades para criar carreiras no setor.
Isso torna os custos de recrutamento mais baratos e traz melhores taxas de retenção, porque permitir que as pessoas comecem na indústria e investir em seu desenvolvimento faz com que fiquem por períodos mais longos na empresa.
Na média de todos os setores, 56% dos graduados permanecem empregados na mesma empresa após cinco anos – esse número é ainda maior para os aprendizes, 61%. Compare isso com o fato de que a rotatividade média dos técnicos do NOC é de seis a 12 meses. Em um setor em que erros humanos são responsáveis pela maioria das interrupções, esse é um grande problema.
Considerações finais
A escassez de mão de obra nos data centers é uma questão complexa. Uma das coisas que não abordei nesse artigo que precisa ser discutida é a visibilidade do próprio setor. Uma parte tão integrada à sociedade moderna não deveria ter esse problema, mas ainda tem. E isso precisa ser resolvido se quisermos criar um canal de talentos sustentáveis ao futuro da indústria.
Apesar da quantidade de partes móveis, tudo o que podemos fazer é focar no que podemos controlar. Na DCD>Academy, continuaremos trabalhando com os clientes para mostrar a eles as vantagens de diferentes estratégias de contratação e treinamento, bem como continuaremos a trabalhar com organizações sem fins lucrativos como a Infrastructure Masons para fornecer bolsas de estudo para os que estão fora da indústria.
Se você é um operador de data center, planejador, construtor e fornecedor, da próxima vez que tiver uma vaga de emprego adequada, pense em entrevistar alguém de fora do setor. Você nunca sabe, eles podem surpreendê-lo.
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